Segundo pesquisa da Fecomércio, 75% das famílias na capital estão endividadas, aumento de 13 pontos em 12 meses.

O índice de endividamento das famílias em Goiânia voltou a subir em novembro: atingiu 75%, um novo recorde. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) realizada pela CNC/Federação do Comércio de Goiás (Fecomércio).
O resultado representa 417.433 famílias endividadas e confirma a tendência de alta observada ao longo do ano. Em novembro de 2024, o indicador era de 62,6%, passando para 74,1% em outubro de 2025.
Além do aumento da base de endividados, os goianienses estão se percebendo mais pressionados financeiramente. Do total de entrevistados, 18,7% se consideram “muito endividados”. Enquanto 27,5% afirmam estar “mais ou menos endividados” e 28,8% se dizem “pouco endividados”.
O cartão de crédito segue sendo o principal responsável pelo endividamento na capital. Aparece em 66,5% das dívidas, seguido por carnês (15,7%) e crédito pessoal (14,3%).
O tempo de comprometimento também preocupa: 48% das famílias afirmam estar endividadas há mais de um ano, com média de 8,8 meses de compromissos financeiros.
A renda comprometida com dívidas reforça o aperto no orçamento: 53% destinam entre 11% e 50% da renda para pagar dívidas; 11,4% comprometem mais da metade do que ganham; e o comprometimento médio é de 25,5% da renda mensal.
A taxa de inadimplência em Goiânia chegou a 41,1% em novembro, o equivalente a 228.410 famílias com contas atrasadas. Entre elas, mais da metade (56,2%) estão com dívidas vencidas há mais de 90 dias, o que demonstra um sinal de dificuldade estrutural para reorganizar o orçamento. O tempo médio de atraso é de 71 dias.
A capacidade de pagamento também chama atenção: 55,8% dos inadimplentes acreditam que não conseguirão quitar as contas atrasadas no mês seguinte. Apenas 9,5% preveem conseguir pagar integralmente. No total geral da pesquisa, 22,9% das famílias entrevistadas, algo em torno de 127 mil, não têm condições de pagar suas dívidas atrasadas.
O avanço do endividamento e da inadimplência às vésperas do Natal preocupa o setor varejista. Segundo o presidente da Fecomércio-GO, Marcelo Baiocchi, o cenário deve limitar o faturamento do comércio, mesmo que o volume de vendas se mantenha.
“O alto endividamento é ruim para o comércio porque muitas famílias deixam de comprar ou optam por produtos mais baratos. Isso reduz o ticket médio e, consequentemente, o faturamento. Podemos até vender em volume, mas não em receita”, afirma.
Baiocchi destaca ainda que o grupo de consumidores sem condições de pagar suas dívidas tende a ficar totalmente fora do mercado de crédito. “Inadimplente não tem crédito e, sem crédito, não compra. Esses consumidores vão adquirir apenas produtos de menor valor, à vista. Presentes e itens mais caros deixam de ser cogitados”, explica.
O presidente da Fecomércio-GO também relaciona o cenário ao recuo da Intenção de Consumo das Famílias (ICF), indicador que vem caindo de forma mais acentuada entre os lares com renda de até três salários mínimos.
“A queda da intenção de consumo é clara. As famílias de menor renda são as que mais retraem, enquanto as de renda mais alta ainda conseguem manter algum nível de compra. Tudo isso é consequência do endividamento elevado”, afirma.