Visita de Lula a Anápolis destaca investimentos de até R$ 8 bilhões da Caoa e R$ 450 milhões da Brainfarma.

O município de Anápolis (GO) novo ciclo de investimentos industriais estratégicos, com aportes bilionários nos setores automotivo e farmacêutico. Eles ampliam a densidade tecnológica do parque produtivo local e reforçam o papel da cidade como um dos principais hubs industriais do país.
Na unidade da Caoa, ocorreu o lançamento da produção nacional do modelo Uni-T, em parceria com a montadora chinesa Changan. O movimento inaugura uma nova etapa de expansão da operação em Goiás, com R$ 5 bilhões em novos investimentos. Que se somam aos R$ 3 bilhões aplicados desde 2023, elevando para R$ 8 bilhões o volume total aportado no projeto industrial em Anápolis.
O investimento acompanha a estratégia nacional de fortalecimento da indústria automotiva, setor que prevê cerca de R$ 190 bilhões em aportes até 2033. Para Goiás, o impacto é direto: modernização da base produtiva, qualificação de mão de obra e ampliação da cadeia de fornecedores associados à nova geração de veículos flex e eletrificados.
“Não tem coisa mais gratificante para um país do que a economia poder oferecer ao povo a possibilidade de crescimento, a possibilidade de geração de empregos, e a possibilidade das pessoas viverem com mais dignidade e de cabeça erguida”, afirmou o presidente Lula em visita nesta quinta-feira (26/3) à sede da montadora em Anápolis.
Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin participaram da reinauguração da planta fabril da Caoa e do lançamento da linha de produção do modelo Uni-T, fabricado em parceria com a montadora chinesa Changan e primeiro modelo da marca totalmente produzido no Brasil. A chegada da estatal chinesa ao país marca a ampliação da capacidade produtiva nacional, a modernização tecnológica e o estímulo ao desenvolvimento econômico regional.
Co-presidente executivo da Caoa, Carlos Phillipe Luchesi de Oliveira Andrade afirmou que, por apresentar características próprias para a realidade brasileira, o novo modelo da montadora estabelece um novo paradigma para o país. “Apresentamos ao Brasil o primeiro automóvel fabricado pela Caoa Changan em solo brasileiro. Não se trata apenas de um veículo. Trata-se de um marco. Um automóvel com tecnologia global produzido no Brasil por mãos brasileiras e desenvolvido para o Brasil”, destacou.
“Esse veículo nasce com uma característica fundamental para o Brasil: ele é flex. Isso significa mais eficiência, mais competitividade e total aderência à nossa matriz energética. É a combinação entre tecnologia global e inteligência brasileira. É a prova de que uma empresa 100% brasileira pode produzir veículos com padrão global de qualidade, sofisticação e inovação. São mais de 10 mil colaboradores diretos e mais de 40 mil brasileiros”, continuou Carlos Phillipe Luchesi.
Se no setor automotivo Anápolis consolida sua posição como polo de mobilidade industrial, na indústria farmacêutica o avanço ocorre em direção à soberania tecnológica. No complexo da Brainfarma, braço industrial do grupo Hypera, o presidente Lula acompanhou a expansão da unidade responsável pela futura produção nacional da escopolamina, insumo farmacêutico ativo utilizado em medicamentos amplamente consumidos no país.
O projeto soma R$ 450 milhões em investimentos, sendo R$ 250 milhões destinados diretamente à planta em Anápolis, com apoio do BNDES. A nova estrutura permitirá produzir até 30 toneladas anuais do insumo, volume suficiente para abastecer cerca de 150 milhões de medicamentos, além de gerar mais de 500 empregos diretos e indiretos.
A partir de 2026, a unidade deve transformar o Brasil em maior produtor mundial de butilbrometo de escopolamina, revertendo a dependência externa e abrindo espaço para exportações a mercados como Europa, México, Oriente Médio e Ásia.
Mais do que anúncios isolados, os investimentos reforçam uma tendência estrutural: Anápolis se consolida como um dos principais polos industriais estratégicos do Centro-Oeste. Combinando logística privilegiada, presença farmacêutica consolidada e crescente integração à cadeia automotiva nacional.
Ao reunir projetos ligados à mobilidade, inovação industrial e produção de insumos estratégicos para a saúde, a cidade amplia sua participação na nova agenda de reindustrialização brasileira. Movimento que reposiciona Goiás como um dos territórios mais competitivos do país na atração de investimentos produtivos de longo prazo.