sábado, 25 de abril de 2026
Cafeterias em Goiás avançam com consumo premium e novos hábitos

Cafeterias em Goiás avançam com consumo premium e novos hábitos

Mercado de cafeterias em Goiás cresce 7,7% ao ano com avanço dos cafés especiais e novos hábitos de consumo.

25 de abril de 2026

Daniel Alves (de barba) e amigos no Café Anapolitanos, em Anápolis: “Não é só sentar para tomar café. É um espaço de pausa, de respiro, de contemplação”

O mercado de cafeterias em Goiás vive um ciclo consistente de expansão. Impulsionado por mudanças no comportamento do consumidor e pela valorização dos cafés especiais, da experiência de consumo e do ambiente como espaço de convivência.

Atualmente, o estado reúne 19.985 empresas no segmento, sendo 99% pequenos negócios, com crescimento médio anual de 7,7%. Segundo análise apresentada durante o Café Fest, realizado no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia.

Mais do que a bebida, o público busca hoje experiência, bem-estar e propósito. O que reposiciona as cafeterias como ambientes estratégicos dentro da nova economia do consumo urbano.

Terceiro lugar

Uma das principais transformações do setor é o fortalecimento do conceito de “terceiro lugar”. Espaços intermediários entre casa e trabalho que favorecem pausa, convivência e até saúde mental.

Nesse cenário, cresce a preferência por ambientes confortáveis, silenciosos e acolhedores, associados a práticas de autocuidado e qualidade de vida. Tendência que tem impulsionado a abertura de novos estabelecimentos no estado.

Outro movimento relevante é a chamada premiumização acessível: mesmo com orçamento mais restrito, consumidores estão dispostos a pagar mais por cafés de maior qualidade, percebidos como um “pequeno luxo” cotidiano.

Cafés gelados

O estudo apresentado no Café Fest também aponta mudanças importantes no perfil dos cardápios das cafeterias em Goiás. Entre as principais tendências estão: crescimento do consumo de cold brew e bebidas geladas; aumento da oferta de cafés prontos para consumo; expansão dos chamados cafés funcionais, com ingredientes voltados a foco, energia e bem-estar; maior valorização da origem do grão e da rastreabilidade da produção.

Ao mesmo tempo, práticas sustentáveis e transparência na cadeia produtiva tornaram-se fatores decisivos na escolha do consumidor.

Na operação, a tecnologia deixou de ser diferencial e passou a ser requisito básico, com destaque para: pagamentos digitais rápidos; pedidos antecipados; presença ativa nas redes sociais; e relacionamento direto com clientes.

Experiência do cliente

Esse conjunto de tendências já aparece na prática em cafeterias goianas, como o Anapolitano Café, em Anápolis, que aposta na experiência como eixo central do posicionamento da marca. “Não é só sentar para tomar café. É um espaço de pausa, de respiro, de contemplação”, afirma o proprietário Daniel Alves.

O negócio tem origem familiar e começou de forma simples, com torra artesanal e vendas diretas. Ao assumir a empresa em 2021, Daniel decidiu profissionalizar a operação após capacitações técnicas na área.

“Sou professor de História e não tinha relação com o setor. Mas fui estudar torra, barismo e gestão para manter o negócio ativo”, relata ao EMPREENDER EM GOIÁS.

Hoje, o espaço investe em programação cultural e ambientação como diferenciais competitivos. “Muita gente vem pela experiência, pelo ambiente, não só pelo café”, frisa o empreendedor.

Identidade regional

Apesar da crescente sofisticação do mercado, o café coado tradicional segue como preferência do consumidor goiano, especialmente em versões mais encorpadas. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por cafés especiais e métodos diferenciados de preparo.

Mesmo diante de desafios como a redução do fluxo comercial em áreas centrais, o empreendedor já projeta expansão da marca para Goiânia ou Brasília, acompanhando o movimento de fortalecimento do setor.

Segundo análise do Sebrae, a combinação entre identidade local, experiência do cliente e adaptação às novas tendências de consumo deve sustentar o crescimento das cafeterias no estado — especialmente entre os pequenos negócios, que continuam predominando no mercado goiano.

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