Estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) aponta explosão de gastos com bets e apostas online

Um estudo inédito da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revela que o acesso excessivo às plataformas de apostas online e às bets tem pressionado o orçamento da população, levando 268 mil famílias brasileiras à inadimplência, além de aumentar o tempo médio do endividamento.
Conforme aa CNC, houve um avanço de quase 45% no tempo em que boletos e compromissos financeiros ficam parados antes do pagamento já que os recursos foram investidos nas apostas online.
Desde a regulamentação em 2023, o gasto mensal com essas plataformas já supera os R$ 30 bilhões. Parte deste montante está sendo retirada diretamente do pagamento de contas essenciais, gerando um “efeito substituição” que deteriora o consumo real. É o que revela o Observatório do Comércio, ao destacar que a esperança de ganhos fáceis foi rapidamente substituída por um ciclo de prejuízos, juros e insegurança.
Perfil do risco
Diferentemente do que sugere o senso comum, o impacto das apostas não está restrito apenas aos mais jovens. O estudo aponta que o grupo mais vulnerável ao endividamento por jogos é composto por homens, pessoas com 35 anos ou mais e famílias de baixa renda.
Contudo, há um alerta para o público com maior escolaridade: a facilidade de acesso digital e a exposição à publicidade agressiva têm feito com que esse estrato também apresente uma exposição de risco acentuada.
Investimento
Já o levantamento Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Anbima em parceria com o Datafolha, revela que 20% dos entrevistados afirmam enxergar as bets como uma forma de investimento. O perfil desse público é majoritariamente masculino (66%) e mais jovem, com média de 35 anos.
A motivação predominante entre os apostadores segue ligada ao ganho financeiro. Cerca de 39% dizem apostar para obter dinheiro rápido em momentos de necessidade, enquanto 37% buscam grandes quantias.
Quem considera apostas como investimento desembolsa, em média, R$ 284,81 por mês, acima dos R$ 178,47 entre os que tratam a prática apenas como entretenimento.