segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Família transforma luto em legado através da fotografia

Família transforma luto em legado através da fotografia

Da dor à realização: mãe e filha constroem estúdio e reescrevem a própria história através da fotografia.

20 de junho de 2026

Vanuzia e Letícia: mais do que uma atividade profissional, a fotografia passou a representar uma herança afetiva para as duas

A fotografia se tornou muito mais do que uma profissão para Letícia Guimarães Camargo. Ex-aluna do Senac Goiás, ela encontrou na arte de registrar momentos uma forma de eternizar lembranças, especialmente após enfrentar uma das maiores perdas de sua vida: a morte repentina do pai.

Ao lado da mãe, Vanuzia Moreira Guimarães Camargo, ela também transformou um antigo sonho em realidade ao montar, com o apoio da família, um estúdio fotográfico próprio.

“É por isso que acredito tanto no valor da fotografia. Ela preserva momentos que, muitas vezes, não poderão ser vividos novamente. Nossa memória pode falhar, mas uma imagem tem o poder de nos levar de volta àquele instante. Fotografia toca a alma”, afirma Letícia.

Início

A trajetória da fotógrafa começou ainda na infância. Em reuniões familiares, aniversários e datas comemorativas, era ela quem costumava ficar responsável pelas fotos. Após concluir o ensino médio, chegou a ingressar no mercado de trabalho, mas percebeu que queria seguir outro caminho e decidiu investir no aprendizado da fotografia.

Depois de pesquisar diferentes opções, encontrou no Senac a oportunidade que procurava. Inicialmente, matriculou-se em um curso básico para confirmar se realmente queria seguir carreira na área. A experiência serviu para fortalecer ainda mais sua paixão pela profissão.

Em 2016, recebeu dos pais um incentivo decisivo: o pai presenteou-a com o curso de fotografia e a mãe ajudou com a compra da câmera. Antes mesmo de concluir a formação, conquistou o primeiro cliente, dando início a uma trajetória marcada por aprendizado e crescimento profissional.

Enquanto Letícia construía sua carreira, Vanuzia seguia trabalhando como costureira. Para ajudar a filha a dar os primeiros passos na profissão, ela abriu mão do espaço onde mantinha seu ateliê em casa, permitindo que o local fosse transformado em um pequeno estúdio fotográfico.

Fotografia

Anos depois, em 2022, a família enfrentou um momento devastador. O pai de Letícia faleceu de forma inesperada, deixando todos abalados. Em meio ao luto, a fotógrafa incentivou a mãe a também ingressar em um curso de fotografia.

“Foi um período extremamente difícil. Meu pai partiu muito rápido e isso nos pegou de surpresa. Eu e meu irmão nos apoiamos muito. Eu disse à minha mãe que seria importante fazermos o curso juntas para enfrentarmos aquele momento lado a lado”, relembra Letícia.

Vanuzia encontrou na fotografia uma forma de seguir em frente. Segundo ela, as aulas representaram um importante apoio emocional durante aquele período delicado.

“Eu me agarrei ao curso para conseguir atravessar aquela fase tão dolorosa. Foi algo transformador para mim. Além do aprendizado, recebi muito acolhimento. A instrutora Sabrina teve um papel especial, me incentivando a continuar mesmo diante das dificuldades”, conta.

Força-tarefa

Foi justamente nesse contexto que mãe e filha decidiram retomar um antigo projeto familiar: ampliar o estúdio. O sonho já havia sido planejado por Letícia e pelo pai antes de sua morte. “Eu prometi que faria acontecer. Queria construir exatamente como ele imaginava, da forma que sonhamos juntos”, lembra.

A obra contou com uma força-tarefa familiar. Um tio, que atua como mestre de obras, coordenou os trabalhos, enquanto parentes ajudaram em diferentes etapas da construção.

“O processo levou mais tempo porque praticamente tudo foi feito pela própria família. Minha mãe participou de cada fase e, quando chegou a hora da laje, reunimos tios, primos e outros familiares em um grande mutirão”, recorda Letícia.

A inauguração do novo espaço representou uma conquista coletiva. Além de ampliar as possibilidades de trabalho, o estúdio trouxe novos clientes e oportunidades para mãe e filha.

“Às vezes eu olho para tudo isso e custa acreditar que fomos nós que construímos. Cada detalhe carrega esforço, carinho e dedicação. Pode não ser um espaço enorme, mas é resultado de muito amor”, diz Vanuzia.

Orgulho

Para Letícia, a realização do projeto também tem um significado emocional profundo. “Tenho certeza de que meu pai sentiria muito orgulho ao ver tudo isso. Ainda há melhorias que queremos fazer, mas conseguimos transformar aquele sonho em realidade”, afirma.

Mais do que uma atividade profissional, a fotografia passou a representar uma herança afetiva para as duas. A importância dessa missão ficou ainda mais evidente em uma lembrança que Letícia guarda com carinho.

Pouco antes da morte do pai, ela insistiu para que a família registrasse uma foto de Natal. Inicialmente, ele recusou o convite, já que não gostava de aparecer em fotografias. Depois de muita conversa, acabou aceitando.

“Aquela imagem se tornou nossa última foto juntos. Por isso acredito tanto na importância de registrar momentos. Nunca sabemos quando uma lembrança será a última. As fotografias nos permitem reviver histórias, sentimentos e pessoas que marcaram nossas vidas. Para mim, fotografia é algo que fala diretamente à alma”, conclui.

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