À frente da terceira geração da Duro PVC, Lucca Gil divide a gestão com o pai, Leonardo Brito Ferreira

Trabalhar ao lado do pai, para Lucca Gil, é como frequentar diariamente uma escola em que o professor tem um objetivo diferente: preparar o aluno para superá-lo.
Representante da terceira geração da família à frente da Duro, ele hoje é sócio do pai, Leonardo Brito Ferreira, em uma empresa que nasceu a partir do negócio criado pelo avô, Gil Ferreira.
“Se eu pudesse escrever uma frase sobre trabalhar com o pai, é ser aluno de uma escola onde o sonho do professor é que você seja melhor do que ele é. É o sonho do meu pai, que ele sempre compartilha comigo, que eu seja alguém melhor do que ele”, resume Lucca.
Três gerações
Neste Dia dos Pais, a relação entre os dois também ajuda a contar a trajetória de uma empresa que atravessou três gerações. Atualmente, a Duro PVC produz entre 1 mil e 1,5 mil toneladas de PVC por mês e possui duas fábricas: a matriz em Aparecida de Goiânia e uma segunda unidade em Linhares, no Espírito Santo.
A empresa também mantém duas lojas, uma em Goiânia e outra em Brasília. Na área comercial, Lucca atua na gestão de cerca de 70 representantes e 20 vendedores internos. A companhia comercializa seus produtos em praticamente todo o país, com exceção do Amazonas.
“Eu faço parte da coordenação comercial, então viajo bastante. Já visitei muitos estados do Brasil”, conta.
Começo
A origem do negócio está na década de 1960, quando Gil Ferreira, avô de Lucca, fundou uma loja agropecuária que passou a trabalhar principalmente com produtos para irrigação.
A experiência abriu caminho para a criação da Duro PVC, em 10 de fevereiro de 1995. Inicialmente, a fabricação atendia à própria loja, mas a família percebeu a possibilidade de ampliar a produção para revenda.
“Eu sou hoje a terceira geração. Começou com o meu avô, passou pelo meu pai e meus tios. Teve uma dissolução societária, quando o meu pai passou a ser o proprietário único. Hoje eu, com uma pequena participação, sou sócio dele”, explica.
Exemplo do pai
A entrada de Lucca na empresa ocorreu ainda na adolescência, aos 16 ou 17 anos. Antes de chegar à gestão, passou por diferentes áreas, como financeiro, vendas e carregamento.
“Entrei na faculdade e vi que o meu pai era o alvo que eu tinha como homem, a referência que eu tinha como empresário, como pai. A partir disso, vi a necessidade de começar a trabalhar”, relata.
Inicialmente, Lucca cursava Engenharia, mas decidiu migrar para Gestão Comercial ao perceber que essa era uma das principais necessidades da empresa. Atualmente, é gerente comercial e participa da gestão das equipes responsáveis pelas vendas das duas fábricas.

Irrigação
Boa parte dos tubos e conexões produzidos pela empresa é destinada à irrigação. A Duro também atua nos segmentos de revestimento de poços artesianos, construção civil, tubos para esgoto e forros de PVC.
Mais recentemente, a companhia ingressou no mercado de polietileno, com a fabricação de fitas de gotejamento para irrigação. O segmento está entre as principais apostas para os próximos anos.
“O plano para a nossa empresa é continuar investindo bastante no mercado de irrigação, que é um mercado muito crescente e atua desde o pequeno e médio até o grande produtor, podendo dar mais qualidade de vida no campo e mais produtividade”, afirma.
Além de ampliar os investimentos em polietileno, a empresa está expandindo a unidade de Linhares e estuda avançar fisicamente para outras regiões do país.
“A gente busca investir nesses próximos anos bastante em irrigação, principalmente nesse mercado de polietileno, que é um produto inovador, de muita tecnologia. Estamos expandindo a fábrica de Linhares e pretendemos expandir mais algumas unidades pelo Norte do país.”
Pai e chefe
A convivência entre pai e filho também traz desafios. Dentro da empresa, Leonardo não é apenas pai de Lucca, mas também chefe e sócio.
“O pai é uma escola todos os dias. E eu acho que aprendizado envolve também, muitas vezes, desconforto e conflitos que fazem parte de uma relação entre chefe e funcionário, sendo eles pai e filho”, reconhece.
Para Lucca, um dos desafios está justamente em separar a intimidade familiar das responsabilidades profissionais.
“Muitas vezes a gente tem a liberdade por ter crescido na mesma casa, conviver nos finais de semana e ter esse afeto, mas tem que buscar sempre separar o que é relação de pai e filho e o que é relação de chefe e funcionário. É um desafio que eu lido e que acho que 99% dos sucessores envolvidos nos processos da empresa também lidam.”
Preparação
Apesar das dificuldades, ele enxerga nas cobranças do pai uma preparação para assumir responsabilidades cada vez maiores dentro da companhia.
“Muitas vezes é difícil a gente entender que está sendo educado, medido, avaliado, mas, no fundo, tudo isso é porque ele ama a gente e quer que a gente um dia alcance muito mais do que ele fez,” afirma.
Para Lucca, continuar a empresa fundada pelo avô significa também carregar um projeto construído pelo pai ao longo dos anos.
“É uma escola, um privilégio, um desafio que está gerando em mim constante aprendizado e também me faz ter muito mais amor por aquilo que estou lutando, porque não é só o meu sonho. Estou lutando também pelo sonho do homem que me idealizou, sonhou comigo, que me criou, me pegou no colo.”