sábado, 13 de abril de 2024
Teuto volta a ser 100% goiano e lançará 250 medicamentos

Teuto volta a ser 100% goiano e lançará 250 medicamentos

O Laboratório Teuto Brasileiro S.A volta ser 100% goiano depois que a família Melo ter readquirido recentemente os 40% da empresa que foram comprados em 2010 pela multinacional americana Pfizer. A maior indústria de medicamentos de Goiás e uma das maiores do País lançará, nos próximos três anos, 250 novos medicamentos que, juntando-se às 700 […]

21 de agosto de 2017

O Laboratório Teuto Brasileiro S.A volta ser 100% goiano depois que a família Melo ter readquirido recentemente os 40% da empresa que foram comprados em 2010 pela multinacional americana Pfizer. A maior indústria de medicamentos de Goiás e uma das maiores do País lançará, nos próximos três anos, 250 novos medicamentos que, juntando-se às 700 atuais, serão quase 1 mil apresentações entre genéricos (50% da linha), genéricos de marca (similares), MIP’s (medicamentos isentos de prescrição), linha hospitalar, suplementos alimentares, cosméticos e produtos para saúde.

A informação ao EMPREENDER EM GOIÁS é do diretor-presidente do Teuto, Ítalo Melo, ao explicar que a aquisição sinaliza a confiança que os acionistas-controladores do Teuto possuem nas perspectivas de crescimento da empresa nos próximos anos, com base em sua atuação em mercados como antibióticos, injetáveis, produtos de mercado, MIP’s e genéricos. O negócio foi aprovado sem restrições pela Superintendência-Geral Administrativo de Defesa Econômica (Cade),

No primeiro semestre deste ano o Teuto registrou crescimento de 30% na receita e obteve lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebtida) de R$ 81 milhões. “Nos últimos anos, investimos mais de R$ 200 milhões na expansão da capacidade produtiva. No setor de sólidos, a produção saltou de 640 milhões para 1 bilhão de unidades por mês. No setor de injetáveis, a capacidade saltou de 17 milhões para 35 milhões de unidades/mês com a inauguração de uma nova área de produção”, afirma Ítalo Melo.

O crescimento do Teuto foi o maior entre os dez primeiros laboratórios do ranking em unidades e valores (reais). A companhia subiu de 6º para 4º lugar, de acordo com dados do Flash PMB, levantamento do Quintiles IMS. Na comparação entre 2015 e 2016, enquanto o mercado brasileiro de genéricos em unidades cresceu 12%, o crescimento no Teuto foi de 39,1%. Em valor, no mesmo período, o destaque foi ainda maior, o mercado cresceu 14,7% e o Teuto, 43,1%. No mercado total, também em unidades, em 2016, o crescimento do setor foi de 4,44%. Já a companhia goiana avançou 25,47%, também o melhor resultado entre os 10 maiores do ranking. Além disso, em janeiro, a companhia celebrou um recorde histórico na produção.

Com maior volume de investimentos, crescimento da receita e da produção nos últimos anos, o Teuto contratou mais de 600 funcionários. A empresa conta hoje com mais de 3,5 mil colaboradores diretos, dos quais 800 somente na área de qualidade.

Pfizer desiste de atuar no segmento de genéricos e a família Melo reassume 100% do controle acionário do Teuto

Negociação
Fundada em 1947 pelo imigrante alemão Adolfo Krumeir, o Teuto foi comprado pela família Melo em 1986, por cerca de US$ 2 milhões. Nos anos 1990 decidiram transferir a empresa de Minas Gerais para Goiás. Posteriormente, o empresário Walterci de Melo – conhecido pelo estilo ousado – decidiu construir a maior fábrica de genéricos da América Latina. O investimento deixou a empresa em dificuldades, e o negócio teve de passar por uma reestruturação antes de atrair a atenção da Pfizer.

A multinacional americana comprou 40% da empresa em 2010 com investimento de US$ 240 milhões (cerca de R$ 800 milhões), mas há cerca de dois anos tomou uma decisão global de deixar o segmento de genéricos, carro-chefe da indústria goiana. No acordo de aquisição dos 40% do Teuto, a Pfizer teria de exercer o direito de compra da fatia que ficou com os Melo e, após alguns adiamentos, tinha até 30 de junho deste ano para comprar o restante do negócio pagando 14 vezes a geração de caixa da companhia, medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda). O negócio como um todo era avaliado entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão.

Os sócios não tiveram sucesso em encontrar um novo investidor para o laboratório – fundos como Advent e Bain Capital estiveram entre os que olharam o ativo, mas decidiram não comprar. O acordo que gerou o efeito contrário – a compra da fatia da Pfizer pela família Melo, depois de não encontrar um comprador para a sua participação – foi fechado na data-limite pelo valor simbólico de R$ 1,00.

O mercado de genéricos hoje representa mais de 30% dos medicamentos vendidos no Brasil, segundo a ProGenéricos, associação que reúne as fabricantes do setor, da qual o Teuto não faz parte. De janeiro a abril deste ano, as vendas em unidades desses produtos subiram 9,28%, em relação ao mesmo período de 2016, aponta a associação. Apesar da expansão, fontes do setor ressalvam que os genéricos oferecem margem de lucro bem menor do que os remédios de marca aos laboratórios.

Wanderley de Faria é jornalista especializado em Economia e Negócios, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA/FEA/USP - BM&FBovespa

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