quarta-feira, 17 de abril de 2024
Caramuru será primeira a produzir etanol da soja

Caramuru será primeira a produzir etanol da soja

Maior empresa de processamento de grãos de capital nacional do País, a Caramuru vai ser a primeira indústria do mundo a produzir etanol hidratado a partir da soja. Até então, as experiências são a partir de cana-de- açúcar, milho ou beterraba. Para tanto, a empresa vai investir R$ 115 milhões na ampliação do complexo industrial […]

19 de setembro de 2017

Maior empresa de processamento de grãos de capital nacional do País, a Caramuru vai ser a primeira indústria do mundo a produzir etanol hidratado a partir da soja. Até então, as experiências são a partir de cana-de- açúcar, milho ou beterraba. Para tanto, a empresa vai investir R$ 115 milhões na ampliação do complexo industrial de Sorriso (MT), contemplando também o processamento de lecitina. A unidade, que deverá ser inaugurada em meados de 2018, terá capacidade anual de 6,8 milhões de litros de etanol hidratado e 3 mil toneladas de lecitina.

“Esse projeto é mais uma iniciativa que a Caramuru empreende para agregar valor à sua produção. Paralelamente, o investimento abre novas oportunidades de negócios para o produtor do Mato Grosso”, diz César Borges de Sousa, vice-presidente da empresa, ao EMPREENDER EM GOIÁS.

Biocombustível inovador será processado no complexo industrial de Sorriso (MT)

Todo o potencial da matéria-prima soja será aproveitado com alta eficiência energética na nova planta do complexo industrial, minimizando os impactos ambientais. Ao processar a soja, será produzido simultaneamente energia elétrica (cogeração), biodiesel e etanol hidratado. O investimento na nova planta também está inserido em um processo de inovação disruptiva, permitindo a produção simultânea de SPC, lecitina e etanol.

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) já liberou a primeira parcela do financiamento para a Caramuru investir nesta inovação. A primeira parte do aporte soma R$ 40 milhões, de um total de R$ 69 milhões aprovados para o financiamento de longo prazo. O restante do investimento será arcado pela empresa, por intermédio de recursos próprios e captação em bancos.

A ampliação do complexo industrial da Caramuru em Sorriso criará 60 novos empregos diretos e 200 indiretos para a região. Na unidade a empresa já produz farelo hipro, óleo e proteína concentrada de soja (SPC), um produto com alto teor de proteína, acima de 60%, ambientalmente correto e substituto da farinha de peixe nas rações. O SPC é integralmente exportado para a Europa.

O etanol hidratado, além de ser usado como combustível para veículos, na sua forma pura, é também matéria-prima industrial, largamente utilizada na fabricação de perfumes, materiais de limpeza, solventes e tintas. A lecitina de soja é aplicada em vários segmentos, como: chocolates, margarinas, sorvetes, biscoitos, pães e massas, produtos instantâneos, doces e molhos, além de ser utilizada na fabricação de produtos dietéticos, farmacêuticos e em cosméticos.

Biodiesel
Com sede em Itumbiara (GO), o Grupo Caramuru pertence à família Borges de Souza e opera no processamento de grãos (soja, milho, girassol e canola) e na produção de biodiesel. Faturou no ano passado R$ 4 bilhões e exportou US$ 522,4 milhões. Tem 2,7 mil funcionários em cinco fábricas: Itumbiara, São Simão e Ipameri, em Goiás; Apucarana (PR); e Sorriso (MT). Em 2016, processou 1,7 milhão toneladas de soja, 232,9 mil toneladas de milho, e 28,2 mil toneladas de girassol.

Em 2006 iniciou sua produção de biodiesel na unidade de São Simão (GO), com investimentos de R$ 42,8 milhões. Dois anos depois, com a aplicação de mais R$ 12 milhões, foi feita a ampliação de sua capacidade, totalizando 225 milhões de litros anuais. Em 2010, a empresa investiu R$ 54 milhões na implantação da unidade industrial de Ipameri (GO), que produz 625 m³ de biodiesel por dia e 225 milhões de litros anuais. Em 2016, o grupo finalizou, em Sorriso, a instalação da sua terceira unidade de produção de biodiesel, a partir de óleos vegetais e gorduras animais. A unidade, com capacidade para processar 95,7 mil metros cúbicos de biodiesel por ano, entrou em operação neste ano.

Wanderley de Faria é jornalista especializado em Economia e Negócios, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA/FEA/USP - BM&FBovespa

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