terça-feira, 28 de maio de 2024
Universidades e empresas criam nova relação em Goiás

Universidades e empresas criam nova relação em Goiás

Por muitas décadas houve um tabu sobre a relação entre meio acadêmico e o mundo empresarial no Brasil. Esta realidade começa a mudar, com as próprias universidades abrindo suas portas, algo fundamental para a inovação e o desenvolvimento tecnológico do País. É a quebra de uma barreira cultural, estabelecendo nova relação entre as partes e […]

18 de dezembro de 2017

Por muitas décadas houve um tabu sobre a relação entre meio acadêmico e o mundo empresarial no Brasil. Esta realidade começa a mudar, com as próprias universidades abrindo suas portas, algo fundamental para a inovação e o desenvolvimento tecnológico do País. É a quebra de uma barreira cultural, estabelecendo nova relação entre as partes e promovendo maior contato dos alunos com o mundo empresarial, dando a eles a oportunidade de seguirem uma carreira empreendedora. Esta realidade começou a mudar, inclusive em Goiás, a partir deste século.

“Falar na década de 70 em ter empresas dentro das universidades públicas era quase um sacrilégio. Era como se fosse falar em privatização do ensino universitário. Mas isto tem mudado muito rápido”, afirma o professor Lázaro Xavier, presidente da Fundação de Desenvolvimento de Tecnópolis (Funtec), ao EMPREENDER EM GOIÁS. “Acreditamos que a inovação é uma força propulsora que contribui para o crescimento sustentável das empresas e instituições. No Brasil, embora seja o país da diversidade, inovar ainda é uma necessidade. O grande desafio é inovar por oportunidade”, frisa.

A Funtec foi criada em 1994 para fomentar a inovação e ser uma ponte entre universidades e empresas em Goiás. Desde 2013 tem ampliado sua linha de atuação, com financiamentos de incubadoras, empresas incubadas e na Rede Goiana de Inovação (RGI). Em 2014 foram financiados sete projetos, com investimento total de 129 mil; em 2015 foram mais 32 projetos e R$ 451,5 mil; e, no ano passado, outros 24 projetos e mais R$ 711 mil. “Além de ajudarmos na criação de empresas inovadoras, também ajudamos elas atravessarem o vale da morte”, afirma Lázaro Xavier. O vale da morte é o tempo médio (estimado em 3 anos) para que estas empresas possam sobreviver e crescer no mercado com suas próprias pernas.

Existe uma chama muito forte de empreendedorismo entre os alunos da UFG, diz Edward Madureira

“A política industrial sempre foi divorciada da academia, uma cultura de quase meio século que nos últimos dez anos começou a mudar, criando uma convergência entre empresas e universidade”, afirma o professor Edward Madureira, que em 4 de janeiro será empossado novamente reitor da UFG, que inaugurou nesta segunda-feira (dia 18) a Agência de Inovação, a segunda estrutura física do seu parque tecnológico que funciona no câmpus 2.

“O parque tecnológico da UFG começou em 2005, numa área de 17 hectares, para estreitarmos este relacionamento com o setor produtivo. Temos várias obras programadas para os próximos quatro anos, com laboratórios e centro de tecnologia. A gente percebe uma chama muito forte de empreendedorismo entre os alunos da universidade”, frisa Madureira.

Incubadoras
Presidente da Rede Goiana de Inovação (RGI), Emília Rosângela Pires afirma que entidade tem como meta principal criar uma rede de incubadoras em Goiás. Atualmente existem 12, sendo que 9 estão em operação. “É um ambiente preparado para receber micro e pequenos empreendedores, selecionados por edital, em que damos todo apoio e suporte tecnológico para evitar a alta mortalidade destas empresas. A gente trabalha desde a ideação, que é quando a pessoa tem somente a ideia sobre o projeto que dese­ja realizar”, afirma. Embora algumas empresas se destacam mais que as outras, de 24 incubadas, apenas 3 não conseguiram passar pelo tal vale da morte.

Emília Rosângela afirma que projetos de incubadoras ainda é recente em Goiás, começaram em 2002, e frisa que os futuros empreendedores em tecnologia precisam estar capacitados para gestão empresarial. “Não adianta ter um produto excelente sem um perfil empreendedor. O pessoal de universidades é mais voltado para o desenvolvimento de produtos. O papel da incubadora é prepará-los para a gestão e para o mercado, fazer com que possam desenvolver um empreendimento inovador, mas que tenham capacidade suficiente para ter sustentabilidade em um mercado altamente concorrido”, diz.

Emília Rosângela: “Não adianta ter um produto excelente sem um perfil empreendedor”

Presidente do Instituto Gyntec, Reilly Rangel afirma que os goianos respiram inovação. “É preciso persistir e participar das transformações no nosso Estado e capital”, defende. Ele afirma que no próximo ano será lançado um importante empreendimento: a construção de um novo parque tecnológico, no Setor Goiânia 2, focado em geração de negócios. “Não apenas é um empreendimento imobiliário, é muito mais que isto. Vai atrair talentos e empresas de ponta para a nossa cidade”, afirma.

O empresário Felipe Costa, da Tropical Urbanismo, dá mais detalhes do empreendimento. “Um grupo de investidores comprou área da massa falida da Encol para construir um novo ecossistema tecnológico em Goiânia, que terá área privativa de 200 mil metros quadrados e R$ 1 bilhão em valor de vendas. O objetivo é aproximar o meio acadêmico com o setor produtivo e atrair empresas de alta tecnologia, desde as que estão no começo, como também as já consolidadas”, diz.

O portal EMPREENDER EM GOIÁS tem como principal objetivo incentivar, apoiar e divulgar os empreendedores goianos com conteúdos, análises, pesquisas, serviços e oportunidades de negócios.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Não será publicado.