quarta-feira, 29 de maio de 2024
Zeina Latif lista desafios do próximo presidente da República

Zeina Latif lista desafios do próximo presidente da República

Se quiser terminar o mandato, o próximo presidente da República terá de ter capacidade de enfrentamento e de negociação de mudanças, que incluem as reformas da Previdência e a Tributária, entre outras medidas que irão garantir a estabilidade e a volta do desenvolvimento do Brasil. Uma agenda difícil, mas necessária. O prognóstico é da economista […]

28 de abril de 2018

Se quiser terminar o mandato, o próximo presidente da República terá de ter capacidade de enfrentamento e de negociação de mudanças, que incluem as reformas da Previdência e a Tributária, entre outras medidas que irão garantir a estabilidade e a volta do desenvolvimento do Brasil. Uma agenda difícil, mas necessária. O prognóstico é da economista Zeina Latif, que falou sobre o cenário macroeconômico a empresários goianos, nesta sexta-feira ( 27). Ela veio à Goiânia a convite da Vertente Invest, empresa do Grupo Toctao voltada para assessoria financeira corporativa, sediada no Edifício Brookfield Towers.

“O próximo presidente não vai ter tempo para a lua de mel”, disse, referindo-se ao déficit público do País, que precisa de um esforço fiscal equivalente a 4% a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para neutralizá-lo. “Ele terá de ser firme e executar uma agenda saudável e colaborativa. Terá de criar times”, perfila.

O pior já passou, diz ela que é doutora em economia pela Universidade de São Paulo e, atualmente, a economista-chefe da XP Investimentos: a inflação baixa é uma mão na roda e lentamente a indústria começa a retomar indicadores ascendentes, assim como a geração de empregos volta a crescer. “Mas o Brasil não pode errar novamente. Serão necessários cinco anos para recuperar nossos indicadores pré-crise, considerando um crescimento de 3% do PIB ao ano”, observou.

A reforma da Previdência, uma das medidas menos populares, tornou-se indispensável, avaliou, já que a pirâmide populacional está se invertendo: até 2030, o Brasil irá dobrar o número de idosos. “O orçamento federal comprometido com a Previdência irá subir de 57% para 80% sem a reforma. Não vai sobrar dinheiro para mais nada. Nem para investir em pesquisa”, disse.

Além disso, o bônus demográfico está acabando, ou seja, o número de nascimentos no País está diminuindo, o que também faz decrescer a força de trabalho futura. “Ainda temos uma janela de três anos, depois a curva da turma que carrega o piano vai começar a cair”, analisou as estatísticas.

Por isso mesmo, o próximo presidente, acentuou Zeina, terá de cuidar melhor de seus jovens. “Hoje, 20% deles fazem parte da geração nem-nem, que nem trabalham nem estudam. Pesquisas apontam que apenas 9% dos que chegam ao Ensino Médio sabem matemática. E essa é uma matéria que é muito mais do que simplesmente fazer contas. É raciocínio lógico”, observou.

Zeina Latif com os anfitriões Geraldo Magela e Cleiton de Araújo Mendes (foto: Raquel Pinho)

Negócios

Zeina foi categórica ao dizer que é ilusão achar que combater a corrupção, por si só, irá resolver o problema do déficit fiscal. “Nem de longe”, assegurou. Para ela, os erros do País vão mais fundo e estão relacionados à má aplicação do dinheiro público. “Dinheiro mal gasto que não traz produtividade, o que é muito mais nocivo do que a corrupção”, diz.

A produtividade no Brasil é baixa e o governo tem sua parcela de responsabilidade nesses resultados, considera a economista, ao lembrar que, antes do “desastre Dilma”, a produção industrial estava acompanhando os indicadores médios mundiais. “E essa queda foi um erro do Brasil, não é conjuntural”, analisou.

Por isso, outro desafio para o próximo presidente da República será melhorar o ambiente de negócios e, neste aspecto, Zeina considera que o principal dever de casa é fazer a reforma tributária acontecer. “Tudo o que atrapalha a empresa da porta para fora afeta da porta para dentro. Porque o gestor precisa perder tempo para resolver questões externas, ao invés de ocupar-se em melhorar a sua gestão e produtividade”, disse.

Lições

Para Zeina, a sociedade anda irritada, com razão. Mas, em sua opinião, no fundo é muito mais pela crise econômica do que pela corrupção em si. Em sua avaliação, os pré-candidatos à Presidência da República estão demonstrando mais amadurecimento em relação aos desafios econômicos do País, uma vez que todos estão assumindo um discurso mais realista, sem descartar a importância das reformas.

“Eles aprenderam que não se brinca com a economia, ou então não se termina o mandato. Nem Collor nem Dilma terminaram por este motivo”, lembrou. Para ela, a retomada da economia em 2018 diminui as chances de o Brasil ter um governo populista.

Apesar da responsabilidade do próximo presidente da República, Zeina Latif lembrou que não existirá um salvador da pátria. A sociedade também terá de abrir mão de seus interesses individuais em prol do crescimento do País. “Responsáveis somos todos nós, que nos julgamos especiais, sempre uma exceção à regra”, concluiu.

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