sábado, 13 de abril de 2024
Industriais preveem fuga de investimentos com mudanças em incentivos fiscais

Industriais preveem fuga de investimentos com mudanças em incentivos fiscais

Apenas na próxima semana, os representantes do setor produtivo goiano deverão chegar a um acordo com o governador eleito Ronaldo Caiado sobre os rumos da política de incentivos fiscais, assunto que tem provocado discussões e polêmicas nos meios empresarial e político. O projeto de lei que convalida os incentivos, sem qualquer mudança, se encontra na […]

27 de novembro de 2018

A indústria automotiva em Goiás é um dos 13 setores que serão afetados pela redução em quase R$ 1 bilhão dos benefícios fiscais concedidos

Apenas na próxima semana, os representantes do setor produtivo goiano deverão chegar a um acordo com o governador eleito Ronaldo Caiado sobre os rumos da política de incentivos fiscais, assunto que tem provocado discussões e polêmicas nos meios empresarial e político. O projeto de lei que convalida os incentivos, sem qualquer mudança, se encontra na Assembleia Legislativa. Mas a equipe de transição do Governo eleito quer a redução em quase R$ 1 bilhão dos benefícios concedidos a 13 segmentos, afetando, sobremaneira, os setores automotivo, sucroenergético, lácteo, farmoquímico e o de processamento de carnes.

O presidente da Associação Pro-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), Otávio Lage de Siqueira Filho, disse que, após uma reunião com Ronaldo Caiado, na semana passada, agora a sua equipe técnica está conversando com os representantes de cada setor. “Vamos elaborar o documento final com nossas propostas para entregar ao governador eleito Ronaldo Caiado, assim que ele retornar de sua viagem à Europa”, anuncia.

Investimentos

Para Otávio Lage Filho, se faz necessário, urgentemente, chegar a um acordo para evitar maiores prejuízos para a economia goiana, que ainda sofre com a crise econômico-financeira que abalou o País. “Precisamos evitar a fuga de investimentos de Goiás para outros Estados, bem como a quebra de contratos, devido às desconfianças”, opina o presidente da Adial.

Otávio Lage Filho: ““Goiás, comprovadamente, não é o Estado que mais concede benefícios fiscais. Ao contrário, é o Estado que menos oferece incentivos no Brasil Central”

Os representantes do setor empresarial goiano afirmam que não são os incentivos fiscais concedidos pelo governo do Estado, sobretudo aos segmentos industrial e de logística, nos últimos 30 anos, que causaram o desequilíbrio fiscal das contas, mas sim o tamanho e o peso da máquina administrativa. “O novo governo precisa focar na redução das despesas públicas e no peso da máquina administrativa”, alertam.

Otávio Lage Filho lembra que o setor produtivo goiano tem proporcionado empregos e renda, além de movimentar a economia como um todo. “Goiás, comprovadamente, não é o Estado que mais concede benefícios fiscais. Ao contrário, Goiás é o Estado que menos oferece incentivos no Brasil Central” , disse, ao destacar que, se a política de incentivos e benefícios fiscais for alterada, poderá haver também reduções de investimentos e de empregos gerados pelas indústrias, o que provocará redução na base arrecadatória do Estado.

“É preciso deixar bem claro que a redução dos atuais benefícios fiscais concedidos pelo Estado às indústrias de Goiás resultarão em aumento de preços de venda, queda no faturamento e , consequentemente, queda na arrecadação “, frisa Otávio Lage Filho.

Com base em estudos, o presidente da Adial informa que, graças aos incentivos e benefícios fiscais, Goiás é o 7º colocado em número de indústrias no País, com quase 16 mil empresas de diversos ramos de atividades e tem a 9ª maior economia do Brasil. Do total das empresas, menos de 4% contam com os incentivos do Governo. “Enquanto em Goiás se cria a polêmica sobre os incentivos, o governador eleito de Minas Gerais já anunciou que vai soltar as algemas dos empreendedores para a economia voltar a crescer”, frisa.

Dados da Secretaria Estadual de Desenvolvimento mostram que os incentivos já garantiram investimentos de mais de R$ 45,5 bilhões em todos os 246 municípios goianos, e a geração de cerca de 235 mil empregos diretos pelas mais de 2 mil empresas que tiveram a aprovação para usufruírem dos benefícios ao longo dos últimos anos. Atualmente, 429 empresas tem a fruição dos incentivos, que se encerrarão em 2020 (44 empresas) e em 2040 (385 empresas).

O portal EMPREENDER EM GOIÁS tem como principal objetivo incentivar, apoiar e divulgar os empreendedores goianos com conteúdos, análises, pesquisas, serviços e oportunidades de negócios.

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