domingo, 14 de abril de 2024
Incertezas freiam novos investimentos em Goiás

Incertezas freiam novos investimentos em Goiás

A mudança de regras na concessão dos incentivos fiscais em Goiás, somada à uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa – que tem trabalhado em cima de projetos de lei para revogá-los -, e o consequente clima de insegurança jurídica que tem permeado o ambiente de negócios no Estado fizeram com que o […]

17 de novembro de 2019

Número de trabalhadores na Brasilata começou a ser reduzido e deve cair pela metade com a transferência da produção para outros Estados

A mudança de regras na concessão dos incentivos fiscais em Goiás, somada à uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa – que tem trabalhado em cima de projetos de lei para revogá-los -, e o consequente clima de insegurança jurídica que tem permeado o ambiente de negócios no Estado fizeram com que o que antes parecia especulação, comece a se concretizar: empresas estão represando investimentos em Goiás ou levando suas linhas de produção para outros Estados e Distrito Federal em que o ambiente para novos investimentos seja mais amigável.

A Reciclar Reciclagem de Metais suspendeu projeto de expansão no Estado. Proprietário da empresa, Romar Martins Pereira conta que o processo de importação de uma máquina para processamento de sucata ferrosa foi concluído em dezembro de 2018. “Investimos R$ 1,8 milhão. Mas paramos aí. Precisava comprar novos caminhões, o que, inclusive, me faria contratar mais funcionários. Mas neste cenário de incertezas, vamos esperar”, afirma ao EMPREENDER EM GOIÁS.

Segundo Romar Martins, os empresários em Goiás estão hoje “totalmente inseguros”. “Volta e meia o governo toma uma medida em relação aos incentivos fiscais. Nós nunca sabemos o que vai acontecer, o que vem pela frente”, lamenta. A Reciclar tem hoje 110 funcionários. Ainda, frisa o proprietário, não houve demissões.

“Nós nunca sabemos o que vai acontecer, o que vem pela frente”, diz Romar Martins

Mas na Brasilata Embalagens Metálicas, em Rio Verde, município do Sudoeste Goiano, sim. A indústria, especializada na produção de latas para fábricas de tintas e para a indústria de alimentos, tinha em seus quadros 140 trabalhadores. O número caiu para 110 e a meta é chegar a 80, diz o gerente de operações da unidade, Ângelo Landim.

Duas linhas de produção foram transferidas para São Paulo – onde fica a matriz – e Rio Grande do Sul, e todo e qualquer plano de investimento, ainda que em fase embrionária, que havia para Rio Verde, diz o gerente, já foi realocado para o estado paulista. “Ainda não trabalhamos com a possibilidade de fechamento desta unidade, pois temos contratos a cumprir e estamos atendendo à demanda de clientes locais”. Ainda segundo Landim, com as mudanças da linha de produção, a empresa, em si, não perde em faturamento. “Quem está perdendo é o estado de Goiás”, sentencia.

O Grupo São Martinho confirmou que adiará para 2020 a construção de uma unidade para produção de etanol de milho em Quirinópolis, a 290 quilômetros de Goiânia. O motivo é a discussão sobre mudanças na tributação do biocombustível que estão ocorrendo na CPI. “A verdade é que o que vem acontecendo por aqui em relação aos incentivos têm repercutido lá fora. As grandes empresas, desconfiadas, estão riscando Goiás do mapa de investimentos. E dinheiro não tem paixão por estado A ou B”, enfatiza o diretor-executivo da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial), Edwal Portilho.

O executivo da Adial lembra que o freio nos investimentos em Goiás vai além das empresas aqui já instaladas. “Até agora, os protocolos de intenção assinados com o governo do estado, nesta gestão, não avançaram. Talvez um ou dois, no máximo. O ambiente de negócios está totalmente desfavorável”, afirma Portilho. “Entendemos que é prerrogativa da Assembleia fiscalizar (eventuais distorções na concessão de incentivos fiscais), mas a CPI desconsidera todo o trabalho que é feito com este mesmo propósito pelo governo. Estamos todos sendo jogados na vala comum”, protesta.

O portal EMPREENDER EM GOIÁS tem como principal objetivo incentivar, apoiar e divulgar os empreendedores goianos com conteúdos, análises, pesquisas, serviços e oportunidades de negócios.

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One thought on “Incertezas freiam novos investimentos em Goiás”

  1. Paulo disse:

    O problema que o Governador é Pecuarista e não e Indústria, se fosse pra Fazendeiro facilitaria tudo!