quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024
Setor produtivo procurará prefeituras para ampliar reabertura

Setor produtivo procurará prefeituras para ampliar reabertura

Com o novo decreto do Governo de Goiás, que flexibilizou a quarentena em Goiás ao mesmo tempo em que reconheceu a autonomia dos municípios sobre a questão, o setor produtivo pretende intensificar o diálogo com os prefeitos para ampliar o leque de empresas que poderão reabrir as portas. “Não tem porque manter o fechamento em […]

20 de abril de 2020

Sandro Mabel, da Fieg, duro crítico das medidas do Estado no combate ao coronavírus, adotou tom mais conciliador: “É um avanço importante”

Com o novo decreto do Governo de Goiás, que flexibilizou a quarentena em Goiás ao mesmo tempo em que reconheceu a autonomia dos municípios sobre a questão, o setor produtivo pretende intensificar o diálogo com os prefeitos para ampliar o leque de empresas que poderão reabrir as portas. “Não tem porque manter o fechamento em um município em que não há nenhum caso [de Covid-19], pois isso vai acarretar outros problemas”, disse o presidente da Federação da Indústria de Goiás (Fieg), Sandro Mabel, na tarde desta segunda-feira.

O Decreto nº 9.635/20 permite a reabertura, por exemplo, de salões de beleza, igrejas, concessionárias de automóveis, autopeças e a atividade industrial. Mas mantém proibida a abertura de academias de ginástica, escolas, bares e boates. Contudo, no artigo, quarto, o documento publicado nesta segunda-feira, no Diário Oficial, que os municípios podem “impor restrições adicionais ou flexibilizar as existentes para a abertura de atividades econômicas ou sociais”.

O advogado Diogo Crossara, que participou da entrevista por videoconferência, a convide do presidente da Fieg, alerta, contudo, que as prefeituras só poderão flexibilizar ou apertar a quarentena com base em laudos técnicos. Crossara lembra, ainda, que o decreto do governo estadual apenas reconhece o que foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento na semana passada.

Segundo Mabel, esse diálogo com os prefeitos (que já está sendo feito) passa pelo oferecimento de uma plataforma online desenvolvida pelo Fórum Empresarial. Nela, os municípios podem acompanhar em tempo real a evolução da doença em seu território. Conforme o presidente da Fieg, Aparecida de Goiânia já usa o sistema. “Não tem porque fechar o Garavello se os casos estiverem ocorrendo na Vila Brasília”, exemplificou.

O presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Goiás (Acieg), Rubens Fileti, diz que o Fórum Empresarial intensificará a interlocução com os prefeitos, para que eles possam liberar o funcionamento de mais atividades. Ele também cita a plataforma desenvolvida pela entidade. “Nossa preocupação é com a disciplina [por parte do empresário]. Estamos falando com todos para que não haja relaxamento”, explica.

De acordo com Fileti, o novo decreto atendeu 65% das reivindicações do setor produtivo. Contudo, ele vê com preocupação a limitação de que o comércio de rua só funcione caso tenha ferramentas para entrega. “Como alguém vai comprar um sapato se não puder ir à loja experimentar?”, exemplifica. Ainda assim, Fileti acredita que o novo decreto foi uma “grande conquista do setor produtivo”.

Em vídeo postado nas redes sociais, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Goiás (Fecomércio), Marcelo Baiocchi, também ressalta que o governo incorporou sugestões do setor produtivo no novo decreto. “Entendemos que tem de ter protocolos e segurança e isso o decreto estabelece”, diz.

Luís Aberto, da OCB-GO: “Pessoas físicas e jurídicas terão um papel fundamental no cumprimento rigoroso dos protocolos”

O presidente da OCB-GO, Luís Alberto Pereira, considera importante as medidas de flexibilização do isolamento social anunciadas hoje pelo governador Caiado. “Entendemos que o decreto teve um avanço importante, principalmente porque considerou as questões técnicas, científicas e de segurança que vínhamos defendendo. Acreditamos que pessoas físicas e jurídicas terão um papel fundamental no cumprimento rigoroso dos protocolos, pois só assim diminuiremos a velocidade de propagação da epidemia, dando tempo ao setor de saúde se preparar para, mais à frente, o governo sentir segurança para promover uma abertura mais ampla”, afirma.

A Associação Pró-Desenvolvimento Industrial de Goiás (Adial) também manifestou em nota seu apoio às medidas anunciadas pelo governo.” Na nossa visão, trata-se de um conjunto de medidas responsáveis para que a prioridade maior, que é a vida, seja preservada o máximo possível em meio à pandemia. Evidentemente, a questão econômica preocupa e não pode ser deixada de lado. Mas a retomada das atividades tem de ser feita de forma planejada, respaldada em dados concretos e com a responsabilidade compartilhada tanto pelo Poder Público quanto pelo setor produtivo”, afirma o presidente-executivo da entidade, Edwal Portilho.

Para o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas Goiânia (CDL), Geovar Pereira, não era mesmo possível que a retomada das atividades econômicas fosse total. Ele aponta que ainda não há conhecimento preciso do desenrolar da economia e, por isso, o governo foi cauteloso. “De que adianta todas as lojas abrirem? Será que o consumidor vai aparecer para comprar?”, questiona. Geovar Pereira alerta que, nesse momento de crise econômica, vendas nem sempre se revertem em lucro. “A inadimplência já chegou a aproximadamente 40%. A projeção é que ela vai chegar a 60%”, afirma. Por isso, o dirigente empresarial diz que a reabertura tem de ocorrer “com cautela, obedecendo a ciência”.

Quem também fala em cautela é o presidente do Sindicato da Indústria da Construção de Goiás (Sinduscon), Eduardo Bilemjian Filho. O retorno às atividades, no setor, deve ser gradativo. “Muitas empresas optaram pela suspensão de contratos, outras deram férias coletivas até o final do mês”, lembra. Bilemjian Filho acredita que muitos projetos devem ser adiados. “Quem não começou a construir, vai esperar. Quem já iniciou, tem de tocar a vida”, afirma.

O presidente do Sinduscon diz que a liberação de recursos por parte do governo federal permite ter um “otimismo cauteloso”, pois é dinheiro novo na economia. Mas defende que a União adote um programa de obras, como ampliação do saneamento básico, e reforce o programa Minha Casa Minha Vida. “O setor da construção civil emprega muito. Nas empresas, são entre 10 mil a 15 mil trabalhadores. Com os trabalhadores informais que geralmente trabalham nas periferias, chegamos a 30 mil”, diz. Bilemjian Filho vê no decreto do governo estadual um sinal de que a atividade econômica vai ser retomada e diz que o setor está preparado para cumprir todo o protocolo sanitário previsto no documento. “A construção civil é muito organizada. As máscaras e o álcool em gel serão apenas mais um item de segurança”, afirma.

Sandro Mabel, da Fieg, que foi um duro crítico das medidas adotadas pelo Governo do Estado no combate ao coronavírus, também adotou um tom mais conciliador. “É um avanço importante”, avalia. Porém, Mabel acha que ficaram algumas lacunas. Para ele, faltou mais proteção para os trabalhadores do grupo de risco, que, em sua visão, deveriam ter os empregos garantidos por meio de algum mecanismo que proibisse demissões

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