quinta-feira, 18 de julho de 2024
Ex-bombeira goiana fatura R$ 1 milhão por ano

Ex-bombeira goiana fatura R$ 1 milhão por ano

Keka recebia cerca de R$ 6 mil no Corpo de Bombeiros de Goiás. Hoje ganha muito mais vivendo a vida e mostrando o mundo para as pessoas.

30 de julho de 2023

Keka Pelo Mundo atinge faturamento de R$ 1 milhão por ano organizando viagens

Ela deixou a estabilidade do serviço público, onde atuou por 12 anos na área operacional do Corpo de Bombeiros, para empreender. A decisão aconteceu em junho de 2022 e não foi algo planejado, mas Kézia Silveira, de 35 anos – “bem vividos”, como ela destaca –, está segura de que fez a melhor opção. Hoje ela fatura R$ 1 milhão por ano promovendo expedições e teve seu livro, “Se você não sabe qual o próximo passo talvez seja hora de viajar”, esgotado rapidamente na primeira edição, lançada em junho deste ano. A segunda edição está sendo preparada.

A goiana conta que ganhava cerca de R$ 6 mil como cabo do Corpo de Bombeiros. “Hoje, com o trabalho de viagens e como influencer nas redes sociais, chego a fazer entre R$ 30 a R$ 36 mil por mês. Ou seja, ganho mais que um coronel vivendo a vida e mostrando o mundo para as pessoas”, relatou Keka. O nome do perfil do Instagram – Keka Pelo Mundo, com 47 mil seguidores – foi definitivamente incorporado. “Ninguém me chama de Kézia”, brinca.

Tudo começou com a paixão por viagens. Keka consumia 70% do que ganhava como bombeira militar viajando, trocando escalas para conciliar as folgas com as datas de embarque. Ela fez uma parceria com uma agência: se conseguisse levar 10 pessoas para um pacote no Monte Roraima, na Venezuela, teria o seu de graça. “Em poucas horas convenci 13 pessoas a fazer um trekking de sete dias acampando lá na Venezuela”, recorda-se.

Grande virada

Na ocasião, ela não sabia, mas não pagar seria a coisa menos importante na equação. “A grande virada de chave foi quando entendi que meu propósito de vida era conectar pessoas por meio de experiências pelo mundo e me realizar com a felicidade delas em desbravar esse mundão com o qual eu já tenho tanta afinidade”, reconhece.

Muita coisa aconteceu enquanto Keka e seu grupo estavam no Monte Roraima sem celular e sem contato com o mundo exterior. A principal foi a decretação da emergência em decorrência da pandemia de Covid-19. “Fomos o último grupo de brasileiros a sair da Venezuela nesse início da pandemia”, diz.

De volta a Goiás, ela atuou na linha de frente do Corpo de Bombeiros. Com a flexibilização das regras de isolamento social, ela deu início a um projeto, batizado de “Começando em casa” que consistia em divulgar como estava sendo a retomada do turismo no Brasil. “Juntamente com uma fotógrafa, durante 40 dias, percorremos do Sergipe ao Pará documentando tudo em uma webserie no meu Instagram em quatro capítulos”, diz. A última parada foi em Alter do Chão (PA), onde conheceu uma amiga que morava em Fernando de Noronha (PE).

“Até então, não tinha uma noção dessas viagens como um negócio que eu poderia ter, fazia por prazer”, justifica. Mas as coisas não paravam de dar certo. Ela decidiu fazer uma expedição para a ilha, pensando que não seria fácil, porque viajar para Noronha é caro. “Em menos de 24 horas, já tinha um grupo formado. Acabei trazendo duas turmas, com 15 pessoas cada”. Foi quando ela começou a experimentar outros destinos, com sucesso. E percebeu que não dava mais para conciliar a paixão com a estabilidade do cargo público. “Eu saía do plantão, no quartel, direto para o aeroporto e vice versa”, lembra.

Escolhas

Keka tinha consciência de que precisava sair do Corpo de Bombeiros, embora gostasse da estabilidade adquirida depois de três anos de serviço público. Começou a fazer terapia e teve muita clareza do que realmente queria para sua vida. “Levantei e pedi as contas”. Ela teve certeza disso quando organizava um retiro da yoga na Índia e encontrou dificuldade para trocar plantões. Conseguiu férias, mas sabia que a situação se repetiria. “É preciso ter maturidade para entender que há momentos em que é preciso fazer escolhas”, pontua.

Dedicando-se só à sua agência, investiu em publi nas redes sociais e hoje oferece sete destinos internacionais. “Sempre viajei sozinha, mas é muito bom possibilitar que as pessoas tenham essa oportunidade”, analisa. O diferencial, explica, é sempre buscar alguma atração para seus viajantes, como um recente café da manhã ao amanhecer nas dunas dos Lençóis Maranhenses. “Eu organizo, faço tudo, e também presto consultoria de viagens, ensinando o que sei sobre destinos, pilares para uma boa viagem, aéreo, hospedagem, aplicativos”.

“Não precisa ser rico para viajar o mundo, basta ter decisão e planejamento”, conta Keka, que conhece 91 países e já morou em quatro continentes. “É muito gratificante ver a transformação que uma viagem causa na vida de uma pessoa. Eu entendi que existem varias formas de ‘salvar vidas’”.

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