quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024
Donos de bancas reinventam o negócio em Goiânia

Donos de bancas reinventam o negócio em Goiânia

Bancas de revistas que ainda permanecem no mercado goianiense estão se transformando em minilojas de conveniência.

3 de dezembro de 2023

Eduardo Domingos toca o a banca fundada pelo seu pai há 40 anos: se tornando um empório

As bancas de revistas eram numerosas e comercializavam grande quantidade de revistas, jornais e outras publicações. Mas isto em um tempo em que não existia internet e nem telefone celular. Nos últimos anos, a situação mudou. As vendas caíram e muitas editoras também encerraram as atividades. Assim, grande número de revistarias fecharam. Para sobreviverem, os proprietários dos estabelecimentos que ainda funcionam estão reinventando o próprio negócio.

De acordo com a Sedec, da Prefeitura de Goiânia, atualmente existem 176 bancas de revista na capital. Levantamento da extinta Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedem), relativo a 2001, apontava que naquele ano o total de estabelecimentos era de 278. No período de 22 anos, portanto, houve redução de 36,7% na quantidade de bancas de revista.

A Banca de Revistas e Jornais 3 Irmãos é uma das mais tradicionais de Goiânia. Funciona na Avenida Goiás, no Centro, desde 1981. O proprietário Eduardo Domingos Machado toca o empreendimento que era do seu pai, Valdir Machado de Jesus.

Empório

Eduardo conta que atualmente a banca vende diversos produtos, como acessórios de celular, calculadora, copos, caixinha de som, balança de precisão, tabaco para fumo, cigarro de palha, recarga para celular e para sitpass, entre tantos outros itens.

“Viramos uma espécie de empório”, conclui. Ou melhor dizendo, as bancas de revista se tornaram minilojas de conveniência. “Sobrevivemos vendendo outros itens”, conta o empresário.

Em se tratando de publicações, a banca do Eduardo Domingos ainda vende jornais publicados em Goiás, além de alguns de circulação nacional. Mas o carro-chefe são as palavras cruzadas e os mangás (histórias em quadrinhos japoneses).

Também ainda têm procura os HQs de super heróis (Batman e Homem Aranha), além de gibis da Turma da Mônica (esses últimos são incluídos na lista de material escolar). Outras publicações que registram bom volume de vendas são as apostilas para concursos públicos, principalmente quando sai o edital de algum certame, informa o empresário.

A Banca VIP, no Parque das Laranjeiras, confirma a tendência de reinvenção do negócio para se adaptar aos novos tempos.

Smartphone

Para o proprietário da Jardim Distribuidora de Publicações, a principal fornecedora das bancas de revista do Estado, Alberto Viana Braga, não foi a internet a responsável pela decadência do setor. Mas, sim o surgimento do smartphone e de uma nova geração que não tem mais o costume de ler textos extensos contidos nas publicações.

“Para sobreviver, os jornaleiros estão virando pequenos lojistas”, avalia. Ele lamenta que atualmente em Goiânia existam bairros e até regiões sem nenhuma banca de revista. E comenta: é um círculo vicioso. As vendas caíram, os anunciantes diminuíram, as editoras fecharam, o número de publicações se reduziu e muitas bancas encerraram as atividades. Mas ele considera que a situação do setor agora estabilizou.

A Banca VIP, no Parque das Laranjeiras, confirma a tendência de reinvenção do negócio para se adaptar aos novos tempos. No estabelecimento da Valéria Consolação da Silva, que funciona no mesmo local há dez anos. Além das publicações, é possível comprar bijuterias, chaveiros, bonés, mochilas, acessórios para celular, canetas, picolés e uma variedade de miudezas.

“Viramos uma miniloja para sobreviver”, admite. Conforme ela, muitas bancas de revistas fecharam as portas e o jeito é buscar alternativas.

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