quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024
Cesar Moura: ‘Economia goiana saiu maior da pandemia’

Cesar Moura: ‘Economia goiana saiu maior da pandemia’

Secretário da Retomada explica em entrevista exclusiva como o governo prevê manter a economia de Goiás em crescimento acima da média nacional.

9 de dezembro de 2023

Secretário estadual da Retomada: “Nosso foco é geração de emprego e de renda”

A Secretaria de Estado da Retomada foi criada em agosto de 2020, poucos meses após a decretação da situação de calamidade pública provocada pela pandemia de Covid-19. Com o objetivo de recuperar a economia do estado, profundamente prejudicada pelo isolamento social, após a emergência sanitária.
Titular da secretaria, o economista Cesar Moura avalia em entrevista exclusiva ao EMPREENDER EM GOIÁS que a pasta cumpriu e cumpre a sua missão institucional, em parceria com o setor produtivo e a academia.

É uma parceria benéfica para empresários e trabalhadores. Os primeiros porque precisam de mão de obra qualificada, um dos principais gargalos para a manutenção e a expansão de todos os tipos de negócios no estado. Os segundos porque podem se inserir no mercado de trabalho formal, gerando renda para suas famílias.

Cesar Moura destaca o convênio com a Universidade Federal de Goiás (UFG), que passou a atuar nos Colégios Tecnológicos (Cotecs), aproximando os cursos da demanda real do mercado. E ainda como essa capacitação está contribuindo para libertar mulheres goianas de situações de violência doméstica, levando-as a empreender e conquistar liberdade financeira.

A taxa de desemprego em Goiás é a menor desde 2014, mas há problemas como falta de mão de obra em vários segmentos da economia. Como resolver?

Qualificação profissional, olhar de frente o problema e uma coisa que o governador Ronaldo Caiado fez em 2020: colocamos o antigo Sine junto com o colégio tecnológico para fazer a qualificação profissional. Então, os cursos saem de acordo com a demanda do mercado de trabalho. É uma ação direta, focada em cursos rápidos para ingressar no mercado. E que essa vaga fique aqui, com o trabalhador goiano. Outra frente é criar uma plataforma, como fizemos recentemente, do Mais Emprego, para as empresas colocarem suas vagas, ficar mais próximo do trabalhador. Temos hoje um feirão de emprego no celular do trabalhador. E as empresas têm um canal para buscar o trabalhador e movimentar a economia. Em Anápolis temos empresas com a planta industrial parada. Isso representa custo, juro e não está gerando renda para a empresa dele e para o estado.

A taxa de informalidade no mercado de trabalho continua alta em Goiás. Como o senhor vê essa questão?

Na Secretaria da Retomada nosso foco é geração de emprego e de renda. Se a pessoa movimenta a renda para sua família, entra como um caso bem-sucedido. Lógico que ele tem de ingressar no mercado formal. Mas enquanto isso não acontece, já é interessante porque voltou a movimentar a economia do nosso Estado. Um dos objetivos da secretaria é fazer que essas pessoas paradas se movimentem economicamente. Isso tem de ser analisado para saber quanto tempo ficaram paradas, o grau de dificuldade para sair. Durante a pandemia, tentamos e não conseguimos ter um MEI específico para o setor de eventos. Temos 6 milhões de invisíveis. Não conseguíamos fazer uma política pública assertiva durante a pandemia porque eles eram invisíveis. Esse é o aspecto ruim da informalidade, porque não conseguimos enxergar. Por isso temos uma parceria com o Sebrae para ele se formalizarem.

Esse pleito do MEI para eventos continua?

Sim, continua e é muito interessante, porque hoje as empresas não contratam esses trabalhadores de eventos e fica essa informalidade em todo o país. Isso é prejudicial também para quem contrata e incorre em ilegalidade.

Depois da pandemia, precisamos criar e inovar com o crédito social para dar o recurso, movimentar a economia local”

A Secretaria da Retomada pretende lançar programas para fomentar e fortalecer o segmento de micro e pequenos empreendedores?

Estamos preparando para o próximo ano um apoio para as micro e pequenas empresas ingressarem em feiras de indústria e comércio e agropecuárias no seu município. Queremos que elas tenham um espaço para ir para essas feiras e mostrar seu trabalho. É uma forma de dar um empurrão para essas pequenas empresas. Esperamos que o governador lance até fevereiro do próximo ano.

Quais são os planos em relação à economia criativa?

A ideia é investir bastante no Cotec (Colégio Tecnológico) de Economia Criativa, antes restrito às artes. Com isso, abre-se um pouco mais o espectro e queremos difundi-lo nos 246 municípios. O foco é movimentar essas pessoas pela arte, trazendo-as também para o foco de criatividade musical, de artes cênicas, plásticas, e também a parte de games, que é bem interessante. É uma porta aberta para trazermos essa pessoa trabalhar.

E para o cooperativismo?

Para o cooperativismo os trabalhos só aumentam. Queremos investir mais no mercado da moda, cooperativas de mulheres vulneráveis, muitas vítimas de violência doméstica, que montaram suas cooperativas para trabalhar e gerar renda para suas famílias. Apoiamos as cooperativas de catadores, entramos no lixão, tiramos as famílias que moravam lá, deixamos com a cooperativa funcionando, legalizada, com equipamentos de EPI e para poder trabalhar o lixo. Agora, se conseguirmos colocar um caminhão para fazer a coleta seletiva, vamos gerar mais valor para esses cooperados, que eram catadores, moravam no lixão. O lixo vale muito dinheiro. Se organizado, com documentação, consegue-se aproveitar esse dinheiro.

O que mudou na qualificação profissional?

Nós mudamos da água para o vinho. Saímos de 95% de evasão, nos antigos Itegos, para 12% apenas, nos Cotecs. A realidade mudou porque agora a pessoa vai ao Cotec e enxerga um curso por meio do qual ela pode empreender, ingressar no mercado de trabalho, há uma sinergia entre os cursos e o que está acontecendo no mundo. Nós tiramos a organização social, colocamos a Universidade Federal, trouxemos respeito, uma marca de peso, para ajudar. Um diploma com o nome da Universidade Federal, o currículo será visto de forma diferente pelo empregador. Arrumamos a documentação dos 17 Cotecs, todos estão aptos a oferecer cursos. Lançamos um curso de guia. Agora, por solicitação do governador, vamos lançar um de manutenção predial focada na preservação do patrimônio histórico, dar mais valor a esse ensino técnico que ficou esquecido por alguns anos.

Como são escolhidas as grades desses cursos?

Nós solicitamos à UFG para fazer um estudo, passamos por um crivo do Conselho Estadual de Educação, e pedimos aos professores que sejam cursos mais próximos do dia a dia das pessoas, que elas consigam colocar em prática. Queremos sempre esse foco, um pouco mais o pé no dia a dia do que no teórico.

E em relação ao acesso ao crédito?

Primeiramente, as pessoas são certificadas pelo Cotec. Se estão no CadÚnico 1, 2 ou 3, têm direito a um crédito social no qual podem montar seu negócio. Se não se encaixa, tem os R$ 5 mil da Goiás Fomento que ela pode pegar sem juro ou sem aval. Depois da pandemia, precisamos criar e inovar com o crédito social para dar o recurso, movimentar a economia local. Nós nos surpreendemos porque foi uma porta de saída pra muitas mulheres da violência doméstica, dando a elas a chance de empreender e conquistar sua independência.

A Secretaria já realizou ou vai realizar diagnóstico da demanda profissional dos setores produtivos?

As pesquisas são constantes, existe uma gerência desde o início da Secretaria da Retomada, para avaliação dos projetos. Sempre dou referência à nossa Caravana da Retomada, que foi uma demanda muito grande, fomos a mais de 80 municípios. Com esse tipo de informação e de avaliação se estamos nos conectando ou não com o setor produtivo para mudar a política pública ou ajustá-la, tem de ser constante. Se acharmos que fazemos uma ação agora e, no ano que vem, será a mesma, está errado. Temos de olhar o que mudou para cada vez ser mais assertivo. E essa sinergia com o Fórum Empresarial e o setor produtivo tem de ser diária.

Goiás conseguiu se tornar, pós-pandemia, uma economia maior e mais pujante do que antes”

Como o senhor avalia o crescimento econômico de Goiás nos últimos anos e as perspectivas para 2024?

Goiás conseguiu se tornar, pós-pandemia, uma economia maior e mais pujante do que antes. Os esforços do governador Ronaldo Caiado de sanear o estado, equilibrar as contas, melhorar a educação e a segurança pública, alavancaram mais investimentos para o nosso estado. Nos últimos anos, temos experimentado um crescimento maior do que de outras regiões.

E as perspectivas para 2024?

Nossas perspectivas são de continuar crescendo. Temos muitas indústrias em instalação, esperamos uma redução dos juros e esperamos que esse crescimento aumente e que Goiás continue galgando. Somos destaque na geração de emprego, aumento do PIB.

A Secretaria da Retomada foi criada em 2020, para contornar os efeitos da pandemia. O senhor avalia que houve êxito? Por quê?

Houve êxito, os números indicam. O número de pequenas empresas que perdemos foi menor do que em outros estados, a geração de emprego está diretamente ligada à quantidade de micro e pequenas empresas. Isso mostra que acertamos na política de proteger essas empresas, com renegociação de débitos, juros mais baratos, trazer para discussão os problemas. E para ocupar essas vagas estamos qualificando. Lembrando que Goiás passou mais de 20 anos sem investimento em qualificação de forma séria.

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