segunda-feira, 4 de março de 2024
Comércio no Centro de Goiânia corre o risco de falir

Comércio no Centro de Goiânia corre o risco de falir

Pelo menos 6 mil lojas fecharam em Goiânia no ano passado, principalmente no Centro e nas regiões de Campinas e do polo comercial da 44.

7 de janeiro de 2024

Cristiano Caixeta: “É uma situação muito delicada, porque caso não seja feito nada nos próximos oito meses na região, o comércio vai falir”

Pelo menos 6 mil lojas encerraram no ano passado as suas atividades em Goiânia, principalmente no Centro e nas regiões de Campinas e do polo comercial da 44. O dado alarmante é do presidente do Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindilojas-GO), Cristiano Caixeta.

Em entrevista exclusiva ao EMPREENDER EM GOIÁS (EG), ele diz que vai intensificar o diálogo com a Prefeitura de Goiânia e com o governo de Goiás. Para acelerar a revitalização do setor central, com o objetivo de evitar a falência do comércio do coração da capital.

“Caso contrário, teremos um final trágico em 2024”, enfatiza. Outra frente de trabalho da entidade é lutar para reduzir a carga de impostos incidente sobre o setor. “Precisamos buscar soluções em conjunto para reduzir o impacto da reforma tributária no comércio em Goiânia. Caso contrário, o número de fechamentos vai crescer ainda mais”, afirma Caixeta.

Confira os principais trechos da entrevista:

Quais são as perspectivas dos lojistas goianos para 2024 e como foi o ano passado para o segmento?

É uma perspectiva de cautela, com bastante cuidado nos investimentos. Mas quem estiver realmente trabalhando com garra vai passar um 2024 bom. Precisará muito trabalho para que o setor possa realmente finalizar o ano bem. Será 10% de inspiração e 90% de transpiração. Sobre o ano passado, esperávamos aumento de até 12% nas vendas. No entanto, fechamos com crescimento de apenas 1,5%. Mesmo baixo, Goiás ainda teve resultado positivo. Então, não foi o que o setor esperava, mas o resultado também não foi negativo. Isso foi um fator também que trouxe esperança para alavancar o comércio em 2024.

Quantas lojas foram fechadas em Goiânia no ano passado?

Goiânia registrou número alarmante de fechamento de lojas. O interior não sofreu tanto. Na capital, foram fechadas aproximadamente 6 mil empresas. Centro e Campinas são os bairros que lideram o fechamento de lojas, além da Região da 44. Mas há avenidas com o mesmo problema.

O que deve ser feito nos dois polos maiores de fechamento de loja, que são o Centro e Campinas?

Estamos em constantes contatos com o poder público municipal para juntos tentarmos reverter essa situação. O município tem o plano Centraliza, cujo objetivo é novamente alavancar o Setor Central. Vamos levar pedido ao prefeito de Goiânia para zerar ou conceder desconto relevante no IPTU para que os lojistas possam ter algo para voltar ao Centro. É uma situação muito delicada, porque caso não seja feito nada nos próximos oito meses na região, o comércio vai falir. Também estamos discutindo ações para melhorar o comércio de Campinas.

Além dos bairros, têm outras avenidas que também foram muito simbólicas para o comércio na capital e preocupam vocês, como a 85 e a Bernardo Sayão?

A Avenida Bernardo Sayão começou a voltar a pujança dela. Ainda falta muito. Estão reduzindo os preços dos aluguéis e fazendo lojas bonitas na região. A Avenida 85 é um caso também preocupante, pois tem muitas lojas de rua e nas galerias fechadas. É uma situação desesperadora, onde é preciso pensar em algo, até mesmo porque Goiânia é um polo econômico têxtil muito forte.

Quais os principais motivos?

Dentre os vários fatores, a pandemia da Covid-19 desestruturou muitas empresas. A diminuição e o receio da compra durante o decorrer do ano provocaram aperto no caixa das empresas. Tributação muito alta e a falta de infraestrutura também influenciaram o fechamento de lojas em Goiânia. Vamos conversar com o prefeito de Goiânia para solicitar redução ou isenção de impostos para os proprietários dos estabelecimentos comerciais instalados no Centro de Goiânia. O objetivo é tentar diminuir o número de fechamento de empresas.

Se conseguirmos trabalhar juntos, acredito que temos condições de mudar essa perspectiva de um ano muito complicado.

O senhor teme que esse número cresça este ano na capital e no interior? Por que?

Acredito que fechamento de lojas sempre vai existir, mas vamos trabalhar para tentar evitar o crescimento do número de empresas fechadas. Também esperamos que o poder público entenda e trabalhe com o setor privado para que possamos não ter um final trágico em 2024. Se conseguirmos trabalhar juntos, acredito que temos condições de mudar essa perspectiva de um ano muito complicado.

Os efeitos da reforma tributária podem atrapalhar essa mobilização?

Nos preocupa muito a reforma tributária aprovada, pois ela trará mais aumento de impostos para o comércio, o que vai inviabilizar administração de qualquer empresa. Não adianta tentar sacrificar as “galinhas dos ovos de ouro” com impostos altos, pois vai acabar fechando mais empresas e aí acabar não arrecadando. Será muito importante a parceria entre os colaboradores e os proprietários das empresas para minimizar os problemas este ano.

Se o governo do Estado não recuar no aumento da alíquota do ICMS quais serão os efeitos no setor?

Desemprego e mais fechamento de empresas. E também empresas saindo do estado e indo para outras regiões. Não é o aumento de impostos que vai fazer uma arrecadação maior para o governo de Goiás. Nossos dirigentes precisam entender essa situação. É você ter mais empresas gerando mais lucros e impostos mais baixos. Aí teremos uma cadeia produtiva saudável, com geração de empregos e mais qualidade de vida. Tudo isso provoca crescimento da arrecadação. É preciso entender que dois pontos percentuais de aumento, de 17% para 19%, equivalem a quase 4% ou 5%, não somente para a empresa, mas também para o consumidor final. Então, assim, a gente espera que o nosso governador retorne para os 17%.

Quais são as maiores dificuldades para as pessoas para iniciarem e manterem um próprio negócio?

A informalidade é um dos maiores dos problemas. Porque a pessoa entra desestruturada, sem treinamento e sem qualificação profissional. Ao arriscar, ela acaba perdendo muito capital. Então assim, é preciso estudar, trabalhar em cima do que ela pretende com aquela nova empresa. E, para ir daí para frente, ela tentar buscar algo diferente. Nosso índice de fechamento de empresas é muito alto. Então a gente precisa ter treinamentos, qualificação profissional e também ajuda do governo sempre, com uma tributação mais baixa.

Qual é a participação do comércio eletrônico em Goiás?

O comércio online veio para ficar e para ser um parceiro do comércio de lojas normais. É uma ferramenta muito importante também para aquelas lojas que têm o comércio físico. O brasileiro é uma pessoa que gosta do contato físico. Mas o comércio online é uma ferramenta muito importante também para aquelas lojas que têm o comércio físico.

O que tem sido feito pelo Sindilojas para que os associados tenham acesso facilitado ao crédito com juros menores?

Estamos conversando com bancos para conseguirmos qualidade melhor de empréstimo com valores menores. Infelizmente, sentimos o governo do Estado um pouco fechado para que a gente possa conversar. Para que os lojistas possam tomar empréstimos com juros mais baixos e fazer um investimento mais adequado a cada empresa.

Quais são os principais desafios em gestão empresarial para o segmento lojista em 2024?

O primeiro é fazer com que o poder público entenda que ele tem que andar de mãos dadas com o comércio. Tudo será diferente quando isso acontecer. Segunda meta é a qualificação profissional dos jovens pelas empresas e pelo governo. E, por último, garantir empréstimos para que investimentos possam ser feitos pelas empresas para que elas realmente possam alavancar o comércio e crescerem junto com o nosso município e o estado.

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