segunda-feira, 15 de abril de 2024
Daniel Vilela: ‘Goiás já está em outro patamar’

Daniel Vilela: ‘Goiás já está em outro patamar’

Em entrevista exclusiva ao EMPREENDER EM GOIÁS, vice-governador fala sobre o crescimento e perspectivas para a economia goiana.

25 de fevereiro de 2024

Daniel Vilela: “Acredito que o desenvolvimento econômico está muito atrelado à gestão pública”

Em entrevista exclusiva ao EMPREENDER EM GOIÁS, o vice-governador Daniel Vilela (MDB) afirma que a economia goiana já está em outro patamar de desenvolvimento. Além de apresentar indicadores superiores à média nacional, como crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e geração de empregos, destaca os investimentos que estão em curso para aumentar a competitividade do estado. Entre eles, enfatiza a previsão do governo estadual de investir R$ 15 bilhões na infraestrutura do estado até 2026.

Daniel Vilela afirma que, além do crescimento econômico, é essencial manter o desenvolvimento social de Goiás, com o aumento da renda da população e redução da pobreza. O vice-governador também demonstra otimismo com relação à investimentos privados no Estado, sejam por meio de empresas nacionais ou estrangeiras, como as chinesas. Além de projetos do governo de Goiás em parceria com o setor privado, que têm a revitalização do Estádio Serra Dourada como piloto.

No ano passado, Goiás alcançou a 7ª posição no ranking nacional de competitividade, segundo ranking da CLP. O senhor acredita que é possível ganhar novas posições neste e nos próximos anos?

A verdade é que em 2023 crescemos duas posições em comparação com o ano anterior. Um salto expressivo. Não tenho a menor dúvida de que subiremos ainda mais. Na prática, estamos fazendo o “dever de casa”. O governador Ronaldo Caiado tem determinado que todos da sua equipe se debrucem sobre os pilares utilizados para avaliação pelo Centro de Liderança Pública. Para identificarmos pontos cruciais em que precisamos avançar. E, no caso dos nossos pontos fortes, a meta é aperfeiçoá-los.

Então, o governo de Goiás busca melhorar sua posição no ranking?

Importante ressaltar que não se trata, claro, de um esforço concentrado do governo simplesmente para se sair bem em um ranking entre estados. Obviamente, todo empenho tem como foco a qualidade de vida da população. E quando trabalhamos neste sentido, a consequência é uma posição de destaque, por exemplo, neste ranking elaborado pelo CLP.

Serão realizados mais investimentos para melhor a competitividade de Goiás?

Como um dos principais exemplos do trabalho dessa gestão, menciono aqui o pacote de investimentos da ordem de R$ 15 bilhões em infraestrutura até o final do ano de 2026, com prioridade na ampliação e revitalização da nossa malha viária, incluindo obras de pavimentação, restauração, duplicação de rodovias estaduais, construção de pontes. Isso vai fortalecer a nossa competitividade logística e amparar, ainda mais, o setor produtivo. A economia goiana vai ganhar, e muito, com estes investimentos.

Quais são suas expectativas para o desenvolvimento econômico de Goiás?

As melhores possíveis. E não se trata aqui de pensamento positivo, não. Mas de convicção. Para ficarmos em um dado recente. No final do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) de Goiás cresceu 5,3% no terceiro trimestre de 2023. Aliás, quando há divulgação acerca dos percentuais do PIB goiano, os nossos estão quase sempre maiores do que o nacional – que, neste mesmo período que citei, ficou em 2%. Também não se fala em desenvolvimento econômico sem mencionarmos geração de empregos. E, em Goiás, o índice de desemprego tem diminuído sistematicamente.

Na opinião do senhor, quais medidas têm contribuído para este desempenho?

Acredito que o desenvolvimento econômico está muito atrelado à gestão pública. A forma como este governo busca englobar toda a sociedade precisa ser levado em conta. Veja, por exemplo, a adoção de medidas que contribuem com o setor produtivo; ao passo que não se descuida dos programas sociais para as famílias de baixa renda. Investe-se maciçamente em infraestrutura. Mas, ao mesmo tempo, garante-se a reforma de escolas, os uniformes e os materiais escolares para os estudantes da rede pública. É saber priorizar demandas e não desperdiçar tempo e dinheiro. O governador Caiado e toda e equipe de governo sabem fazer isso muito bem.

Acredito, até mesmo, que já tenhamos ultrapassado aquela fase da chamada ‘recuperação’ da economia goiana. Goiás já está em outro patamar, em posição de destaque no cenário nacional.

A economia goiana cresce acima da média nacional, segundo indicadores mais recentes. Entretanto, alguns segmentos (como comércio e serviços) apresentam menor taxa de crescimento. Como avalia?

Apresentaram menores taxas, mas cresceram, né? Olho esta questão sob um viés positivo, porque há vários aspectos a serem considerados aí. Principalmente, o fim da pandemia de covid-19, que ainda é algo muito recente e que acabou em caráter oficial apenas em maio do ano passado. Nos períodos mais críticos, estes setores foram seriamente afetados pelas restrições que ocorreram à época. Ou seja, mesmo diante de uma dificuldade deste porte, estes segmentos cresceram.

A economia goiana estará em qual patamar?

Alguns fatores também me fazem crer que o crescimento econômico de Goiás tem tudo para ser mais intenso daqui pra frente. Cito dois: a queda no indicador de extrema pobreza e a evolução na renda média do goiano, chegando até mesmo a ultrapassar a renda média nacional, segundo dados que nos são fornecidos pelo Instituto Mauro Borges (IBM). Acredito, até mesmo, que já tenhamos ultrapassado aquela fase da chamada “recuperação” da economia goiana. Goiás já está em outro patamar, em posição de destaque no cenário nacional.

Um grande desafio, de muito tempo, é gerar maior crescimento econômico de Goiás para regiões menos desenvolvidas, como Norte e Nordeste do Estado. O que tem sido feito pelo governo estadual sobre isto?

Há uns meses estávamos em um evento em Luziânia para entrega de cartões de programas sociais e o governador Ronaldo Caiado usou uma frase que me chamou muito a atenção. Ele disse que “este governo não deixa ninguém para trás”. Eu completo dizendo que nesta gestão, “nenhuma cidade, nenhuma região fica para trás”. E o melhor disso – você pode atestar com quem vive a política goiana há muito tempo – é que não há distinção político-partidária de nenhuma ordem. Procurem prefeitos da oposição e veja que os repasses do governo estadual estão sempre em dia. Isso não acontecia em gestões anteriores. E tudo isso, para mim, tem um simbolismo muito grande: é sinônimo de respeito, de dignidade, de decência com quem está lá na ponta, vivenciando os problemas da população no dia a dia.

E os projetos para as regiões Norte e Nordeste?

Sobre o Norte e o Nordeste goianos, eu não destacaria aqui um único e exclusivo projeto para estas regiões, onde há quase 50 dos 246 municípios do nosso estado. Há investimentos de vários setores do governo: colégios estaduais reformados, professores valorizados, alunos com materiais e uniformes. Na saúde, foi este governo que entregou o Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu, em 2021. Você vê esforços da Goiás Turismo para fomentar o turismo naquela região, que conta com o Lago Serra da Mesa e lindas cachoeiras.

Tem a Secretaria da Retomada, com cursos de capacitação e qualificação profissional. A Agehab entregando casas a famílias de baixa renda. Dona Gracinha no comando do Goiás Social, com milhares de famílias do Norte e Nordeste goianos sob o guarda-chuva dos programas de transferência de renda. E assim por diante. Agora, é claro que todos os grandes investimentos a serem feitos, como aquele de R$ 15 bilhões que citei anteriormente, também beneficiam a malha viária destas localidades.

O senhor tem liderado no governo alguns projetos importantes para a infraestrutura e desenvolvimento de Goiás. Quais são as prioridades e que estão em fase mais adiantada?

Costumo dizer que, do ponto de vista constitucional, cabe ao vice-governador substituir o governador em momentos de ausência no comando do Poder Executivo. É o governador que tem a caneta cheia de tinta, não o vice (risos). Mas eu aproveito o espaço para agradecer ao governador Caiado por tamanha confiança em meu trabalho ao me destacar para atuar em projetos e iniciativas de grande importância para o estado. Em outras palavras, tenho tido o privilégio de contribuir efetivamente com esta gestão. O estado tem avançado muito em vários setores, sempre sob a liderança do governador. Temos aí a obra do hospital Cora, que vai ter um impacto imenso sobre a vida dos goianos em tratamento oncológico. Essa é, sem dúvida, uma das grandes prioridades deste governo, que mudou para muito melhor o cenário da saúde em Goiás, sobretudo através de mecanismos como o processo de regionalização.

Assim que o novo Serra Dourada se tornar realidade e for entregue à população, certamente, Ronaldo Caiado vai analisar a possibilidade de estendê-lo ou não a outros equipamentos públicos.

As obras rodoviárias também contribuíram para este desenvolvimento?

A execução de obras de recuperação e ampliação da malha viária é um ponto importante nesta gestão. As obras são feitas de forma muito responsável, com alto padrão de qualidade e transparente em relação ao custeio e investimentos. Essas obras ganham prioridade por representar mais desenvolvimento e fortalecimento para nossa economia. Ao ter essa atenção com a logística, o governador fortalece o setor mais pujante de nossa região, que é o agro, e faz de Goiás um grande atrativo para novos investimentos.

O projeto de revitalização do Estádio Serra Dourada, em parceria com o setor privado, pode ser replicado para outros equipamentos públicos do Estado?

É algo a ser pensado, claro. Tive a oportunidade de ser destacado pelo governador para dar andamento a este projeto. O foco, agora, é viabilizá-lo por completo, lembrando que já temos uma empresa escolhida para tocar as obras de reforma e modernização. Assim que o novo Serra Dourada se tornar realidade e for entregue à população, certamente, Ronaldo Caiado vai analisar a possibilidade de estendê-lo ou não a outros equipamentos públicos.

Qual sua expectativa quanto ao novo Estádio Serra Dourada?

Como ex-jogador, torcedor e frequentador daquele estádio, estou animado com o complexo multiuso que vai surgir ali. As intervenções no Serra incluem espaço para jogos, atividades esportivas e de lazer e feiras de negócios, além da oferta de inúmeros serviços à população e da instalação de um centro gastronômico. O Goiânia Arena também será reformado e ainda teremos a construção de um moderno parque poliesportivo. É um projeto ousado, inovador. Tenho dito que Goiânia vai ganhar uma nova centralidade, um novo ponto de encontro para os moradores da capital.

O senhor tem demonstrado entusiasmo com as perspectivas de investimentos de grupos chineses em Goiás. Qual a expectativa concreta de consolidação desses projetos?

Preciso admitir que sim, há, de fato, muito entusiasmo. Temos aí uma série de fatores que conspiram favoravelmente à atração de investimentos chineses. A começar pelo governo federal, que tem demonstrado grande preocupação em restabelecer relações diplomáticas com países como a China. Outro ponto que destaco é que os chineses são nossos principais parceiros comerciais, pois pouco mais de 50% das nossas exportações vão para lá. Isso facilita, e muito, porque já há uma relação bem sólida entre a China e Goiás. Além disso, tivemos duas importantes missões comerciais do Governo de Goiás àquele país somente em 2023. O governador adotou uma estratégia que se mostrou muito eficaz. Estive lá no primeiro semestre com empresários e outros representantes do governo estadual estabelecendo diálogos, mostrando as potencialidades de Goiás e esboçando acordos comerciais.

Então, já temos resultados concretos de novos investimentos chineses em Goiás?

O governador Ronaldo Caiado foi no final do ano e arrematou as negociações. Otimizamos tempo e recursos públicos e trouxemos resultados concretos para os goianos. A prova é que, há pouco mais de dez dias, teve início o processo de instalação, em Itumbiara, da gigante chinesa WeiChai Holding Group, líder mundial na fabricação de motores e máquinas agrícolas. Em breve, desembarca por aqui a multinacional Chint Power, referência mundial em equipamentos para produção de energia limpa e eletricidade, como transformadores, placas de energia fotovoltaicas e medidores de energia e água. O governador assinou o acordo com os empresários da Chint Power em novembro passado. Além disso, não posso deixar de mencionar o equilíbrio das contas públicas, os investimentos feitos em segurança pública e o ótimo momento do agronegócio, todos fatores que atraem investidores estrangeiros para Goiás.

O senhor defende a importância dos micros e pequenos empreendedores para a economia brasileira e goiana. Na sua opinião, quais são as ações urgentes que o senhor defende para este segmento?

De fato, tenho feito esta defesa principalmente pela importância que os micros e pequenos empreendedores têm na geração de empregos no nosso país. Em linhas gerais, tudo aquilo que venha a reduzir custos e que aumente a eficiência do trabalho destes profissionais é mais do que válido, é imprescindível. O governo de Goiás tem feito sua parte quando promove mais celeridade ao processo de abertura das micro e pequenas empresas, por exemplo.

Qual a importância do Pacto Goiás pela Inovação neste contexto?

É uma iniciativa muito relevante que vai impactar este segmento. O Pacto Goiás Pela Inovação, que assinamos em março de 2023, e que envolve o governo de Goiás, universidades e parques tecnológicos, empresas privadas e diversos setores da sociedade civil organizada. Fará do nosso estado referência nacional e internacional em empreendedorismo e em inovação, podem apostar.

Com relação ao cooperativismo, quais são suas sugestões para que este setor cresça ainda mais e contribua para o crescimento da economia goiana?

Imagine um estado como o nosso, onde você tem quase 300 cooperativas que totalizam mais de 460 mil cooperados e faturamento anual de aproximadamente R$ 30 bilhões? Está mais do que provado, portanto, apenas com estes números, o quanto o cooperativismo impacta positivamente a economia goiana. Além disso, é um segmento que ajuda a superar as desigualdades do mercado econômico. Merece nosso reconhecimento por buscar a promoção do bem comum e por ajudar a mudar, para melhor, a realidade do nosso estado através da união de milhares de pessoas.

Na sua opinião, o programa Coopera Goiás também tem contribuído para o desenvolvimento do cooperativismo?

Ainda não participava deste governo no ano de 2020, quando o programa em questão foi lançado, mas já me inteirei do programa Coopera Goiás, da Secretaria da Retomada, que atende grupos e associações interessados em constituir cooperativas e que trabalha pelo fortalecimento das já existentes. Tudo isso por meio de consultorias, palestras, acompanhamento de processos constitutivos e redes de apoio. Em 2022, também tivemos a sanção, por parte do governador, da Lei 21.654, que reformou a Política Estadual do Cooperativismo, permitindo, por exemplo, a participação do segmento em processos licitatórios.

Wanderley de Faria é jornalista especializado em Economia e Negócios, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA/FEA/USP - BM&FBovespa

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