A empresa brasileira opera um grande depósito de argila iônica capaz de produzir terras-raras essenciais para ímãs, incluindo elementos pesados mais escassos

A USA Rare Earth, empresa americana de terras raras, listada na Nasdaq, concordou em adquirir a Serra Verde, mineradora brasileira localizada perto de Minaçu, na região norte do estado de Goiás, em uma transação que envolve dinheiro e ações, ampliando uma série recente de negócios no setor.
A empresa americana informou nesta segunda-feira (20) que pagará US$ 300 milhões em dinheiro e emitirá cerca de US$ 26,8 milhões de ações para comprar a Serra Verde, que possui uma grande mina de terras raras no Brasil. A proposta avalia a companhia em aproximadamente US$ 2,8 bilhões, segundo comunicado.
A transação, prevista para ser concluída no terceiro trimestre, ocorre em meio à corrida dos Estados Unidos e seus aliados para garantir fontes alternativas de terras raras — um mercado há muito dominado pela China. Esses minerais são usados em ímãs de alta potência aplicados em eletrônicos de consumo, automóveis e sistemas de defesa.
O Brasil detém as maiores reservas de terras raras fora da China, e a Serra Verde é atualmente a única produtora desses metais no país. Sua jazida de Pela Ema contém elementos de terras raras leves e pesadas, principalmente neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, essenciais para a fabricação de ímãs utilizados em uma ampla gama de aplicações.

Da mina ao imã
A combinação entre a USA Rare Earth e a Serra Verde deve viabilizar a primeira cadeia integrada de terras raras “da mina ao ímã” fora da Ásia, reunindo ativos de mineração, separação, metalização e fabricação de ímãs nos Estados Unidos, no Brasil e em países aliados. A empresa combinada terá presença global, com operações também na Europa, incluindo França e Reino Unido.
A Serra Verde iniciou a produção comercial em sua mina e planta de processamento em 2024 e pretende elevar a produção anual para cerca de 6.500 toneladas métricas de óxidos de terras raras até o final do próximo ano. A companhia também avalia dobrar sua capacidade produtiva nos próximos quatro anos.
A operação em Goiás produz um carbonato misto de terras raras (MREC), com alta concentração de elementos pesados, considerados mais escassos e estratégicos, como disprósio e térbio.
A USA Rare Earth, que já possui um depósito mineral no Texas, aposta que a aquisição da Serra Verde ajudará a construir uma plataforma verticalmente integrada, abrangendo mineração, separação, metalização e fabricação de ímãs. A empresa brasileira opera um grande depósito de argila iônica capaz de produzir terras-raras essenciais para ímãs, incluindo elementos pesados mais escassos.