
O mais recente levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) revela um novo desenho do varejo supermercadista em Goiás: menos empresas no ranking nacional, maior concentração de faturamento e um ambiente cada vez mais competitivo.
Ao todo, 22 redes sediadas no estado aparecem na edição 2026, número inferior ao de anos anteriores, quando Goiás chegou a ter cerca de 30 empresas listadas. A leitura, no entanto, vai além da quantidade e aponta para uma transformação estrutural do setor.
Destaques
Entre os destaques, apenas uma empresa goiana aparece na faixa bilionária. O Costa Atacadão, do Grupo JC, ocupa a 18ª posição, com faturamento de R$ 7,8 bilhões, consolidando-se como o principal representante do estado no ranking.
A partir daí, há uma queda significativa nos valores, com as demais empresas distribuídas principalmente na casa das centenas de milhões.
É o caso da Supervi Distribuidor de Alimentos, na 157ª posição, com R$ 437,8 milhões, seguida pelo Supermercado Pro Brasil, em 196º lugar, com R$ 329,7 milhões. Na sequência aparecem redes como Cabral e Maia (227ª), Supermercado Moreira (231ª) e G.S. Comércio de Produtos Alimentícios (247ª), todas com faturamento entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões.
O ranking ainda evidencia uma base ampla de empresas menores, com faturamentos que vão de cerca de R$ 120 milhões até menos de R$ 1 milhão, como no caso da Mercearia Piantino, que aparece na 1.035ª posição.
Esse recorte mostra um setor heterogêneo, formado tanto por redes estruturadas quanto por negócios de menor porte, que enfrentam maior dificuldade para ganhar escala suficiente e disputar espaço em nível nacional.
Cenário exigente

Para a Associação Goiana de Supermercados (Agos), a redução no número de empresas goianas no ranking não representa enfraquecimento, mas sim um cenário mais exigente. Segundo o presidente da entidade, Sirlei Antônio do Couto, o setor vive um momento de forte profissionalização e pressão por eficiência.
“Estamos vivendo um mercado cada vez mais competitivo, pressionado por custos operacionais elevados, carga tributária complexa, avanço tecnológico e mudanças no comportamento do consumidor. Muitas empresas continuam sólidas, mas nem todas conseguem manter o ritmo necessário para figurar em rankings nacionais que exigem grande escala de faturamento”, afirma.
O fato de apenas uma empresa goiana estar na casa do bilhão de reais também evidencia o desafio regional diante de grandes grupos nacionais e internacionais, que operam com ganhos de escala, logística integrada e maior poder de negociação.
Ainda assim, as redes locais mantêm relevância ao apostar em diferenciais como proximidade com o consumidor, conhecimento do mercado e atendimento personalizado. “As redes regionais conhecem seu público e conseguem oferecer uma experiência mais próxima da comunidade”, destaca Sirlei.
Importância
Mesmo diante desse cenário mais concentrado, o setor supermercadista segue como um dos motores da economia goiana. Atualmente, representa cerca de 13% do PIB estadual, movimenta mais de R$ 50 bilhões por ano e atende mais de 1,2 milhão de consumidores diariamente.
Os dados reforçam que, embora o ranking mostra um ambiente mais seletivo, o varejo alimentar em Goiás permanece forte e estratégico.
A avaliação da Agos é que o momento exige adaptação. Investimentos em tecnologia, gestão, eficiência operacional e inovação passam a ser determinantes para que mais empresas goianas ganhem escala e voltem a ocupar posições de maior destaque no ranking nacional.
“Nosso papel é apoiar os associados com capacitação, inovação e estímulo à modernização, para que o setor continue crescendo de forma sustentável”, conclui o presidente da entidade
Confira os 10 principais supermercados de
Goiás no Ranking 2026 (por faturamento)
Fonte: ABRAS