Há mais de 40 anos a Sorvetes Naturais oferece sabores como pequi, pimenta de cheiro, erva cidreira, tiramisu, ambrosia e cagaita.

A Sorvetes Naturais chama atenção em Pirenópolis por ser um estabelecimento diferente do convencional. Instalada na Rua Nova, no centro da cidade, desde 1985, a sorveteria tradicional tem sabores extremamente inusitados de sorvete, como pequi, pimenta, erva cidreira, ambrosia, cagaita, kiwi e vários outros.
São 93 sabores disponíveis no estabelecimento, todos feitos artesanalmente com ingredientes naturais pela proprietária do estabelecimento, Dona Roseli Sampaio Campos, de 64 anos.
A dona conta que, ao longo da história do negócio, já fez cerca de 150 sabores. Alguns sabores passam por um rodízio, já que dependem da época de frutas e outros ingredientes. Outros, que vendem mais, são fixos.
Outro diferencial é o canal de venda: o atendimento é apenas presencial. A sorveteria sequer tem telefone ou redes sociais. Para sentir a experiência, apenas estando presencial no estabelecimento em Pirenópolis.
Roseli é de São José dos Campos, em São Paulo. Apesar de residir na época no Vale do Paraíba, tinha uma irmã que morava em Pirenópolis. Ao visitá-la, gostou muito da cidade e resolveu não só mudar-se como também abrir um negócio no município goiano.
Como reparou que não havia sorveterias na cidade, decidiu investir no negócio. Para se preparar, Roseli passou um dia com um parente que tinha uma sorveteria em São José dos Campos, onde aprendeu como produzir sorvetes.
Com 23 anos na época, Roseli pediu demissão da loja de brinquedos onde trabalhava e comprou uma máquina de sorvete, um freezer, duas mesinhas e um fogareiro para começar o negócio. Então, em 1985, se mudou para Pirenópolis.
“Mudei em fevereiro para cá. Eu ia desistir para ir embora, porque eu não conseguia arrumar lugar para alugar, mas em maio eu consegui. Então eu abri a sorveteria dia 12 de maio de 1985, o espaço era bem pequenininho”, contou ao Empreender em Goiás. Depois, Roseli conseguiu ampliar o espaço para a sorveteria.

Para Roseli, o grande diferencial da sorveteria é o estilo artesanal. Segundo a empresária, tudo é feito com amor e da maneira mais natural possível.
“Eu gosto do que eu faço. Eu brinco de vez em quando com alguns fregueses que, ao invés de eu estar sonhando que estou numa praia descansando, eu sonho que eu estou criando e vendendo sorvete”, contou Roseli.
Apesar do aumento de custo dos ingredientes, a sorveteria manteve a qualidade durante os 41 anos de existência. Se um ingrediente fica mais caro, Roseli compensa o preço em outro sabor, para assim manter a qualidade e preço. Os ingredientes também são de qualidade, com leite puro que vem da fazenda e produtos naturais, caseiros, sem conservantes ou corantes.
Para Roseli, o atendimento apenas presencial, sem páginas de redes sociais ou telefones, é essencial. Outras pessoas já quiseram abrir filiais da loja em outros lugares, mas a dona preferiu permanecer da maneira tradicional. Como a produção é artesanal, é demorada e não funciona em larga escala. Roseli prefere manter a qualidade e o bom atendimento presencial. A consequência é uma loja cheia todos os dias do momento que abre até fechar.
“Muitos clientes lembram da gente, isso é gostoso, você ser reconhecida dessa forma. Lá estão passando gerações. Atendi muita criança pequenininha que hoje está levando os filhos. Isso é gratificante”, afirmou a empreendedora.