Segundo a Fieg, os segmentos mais expostos aos impactos da medida são a indústria de alimentos e bebidas, metalurgia, setor de couros e empresas ligadas à agroindústria

A possível imposição de uma tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode provocar perdas de competitividade para setores estratégicos da economia goiana, afetando exportações de alimentos, metalurgia, agroindústria, investimentos e geração de empregos.
A avaliação é da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), que divulgou uma Nota Técnica nesta quarta-feira (3) na qual alerta para os riscos da medida sobre empresas instaladas em Goiás que têm no mercado norte-americano um dos seus principais destinos comerciais.
Segmentos
Segundo a entidade, os segmentos mais expostos aos impactos da proposta são a indústria de alimentos e bebidas, a metalurgia, o setor de couros e derivados e empresas ligadas à agroindústria.
Caso a tarifa seja confirmada, produtos goianos podem chegar mais caros aos compradores norte-americanos, perdendo espaço para concorrentes de outros países e reduzindo a competitividade das exportações brasileiras.
A preocupação ganha dimensão pela importância dos Estados Unidos para a economia goiana. O país ocupa posição de destaque entre os principais parceiros comerciais de Goiás, tanto como destino das exportações quanto como origem das importações. Entre os produtos exportados por Goiás para o mercado norte-americano estão carnes, açúcar, milho, soja, ferroligas e diversos itens industriais e agroindustriais.

Concorrência
De acordo com a análise da Fieg, muitos desses produtos disputam mercado diretamente com fornecedores internacionais. Nesse cenário, uma tarifa adicional de 25% tende a elevar o custo de entrada dos produtos brasileiros nos Estados Unidos, favorecendo concorrentes estrangeiros e podendo resultar em redução dos volumes exportados, pressão sobre margens de lucro, adiamento de investimentos e reflexos indiretos sobre emprego e renda nas cadeias produtivas ligadas ao comércio exterior.
“O mercado norte-americano é importante para diversos setores produtivos de Goiás. Uma eventual elevação tarifária tende a aumentar o custo de entrada dos produtos brasileiros naquele mercado, favorecendo concorrentes internacionais. Por isso, é fundamental acompanhar a evolução das negociações e fortalecer ações de diversificação de mercados para reduzir riscos e ampliar oportunidades comerciais”, afirma a gerente de Internacionalização da Fieg, Juliana Tormin.
A tarifa foi proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no dia 1º de junho e faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. A medida ainda está em fase de consulta pública e não foi implementada, podendo sofrer alterações antes de uma decisão definitiva.
Preocupação
O posicionamento da Fieg acompanha a avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que também vê a proposta com preocupação. Para a entidade nacional, a medida pode comprometer a competitividade das exportações brasileiras, afetar cadeias produtivas integradas entre Brasil e Estados Unidos e gerar impactos sobre investimentos, produção e empregos.
Apesar do cenário de incerteza, a Nota Técnica destaca que ainda há espaço para negociações diplomáticas e possíveis mudanças na lista de produtos atingidos. Há também a possibilidade de manutenção de tratamento diferenciado para itens considerados estratégicos para o abastecimento e para a indústria norte-americana, o que pode reduzir parte dos impactos sobre determinados segmentos brasileiros.
Recomendações
Diante desse contexto, a Fieg recomenda que empresas goianas revisem suas estratégias comerciais, avaliem riscos e ampliem esforços para acessar novos mercados. A diversificação dos destinos das exportações é apontada como uma das principais alternativas para reduzir a dependência de um único parceiro comercial e preservar a competitividade das empresas diante de mudanças regulatórias no comércio internacional.
A entidade ressalta ainda que ações de inteligência de mercado, promoção comercial e acompanhamento permanente das negociações entre Brasil e Estados Unidos serão fundamentais para minimizar possíveis prejuízos e garantir maior segurança às empresas exportadoras goianas. Embora a tarifa adicional ainda não tenha sido confirmada, a Fieg avalia que sua eventual adoção representa um fator relevante de preocupação para a indústria brasileira e para setores importantes da economia de Goiás.