segunda-feira, 8 de junho de 2026
Sucesso do Pix coloca Brasil e EUA em rota de colisão

Sucesso do Pix coloca Brasil e EUA em rota de colisão

Dados do Sebrae mostram que 96% dos pequenos negócios aceitam Pix. Além disso, seis em cada dez empreendedores utilizam a ferramenta

8 de junho de 2026

Conforme pesquisa do Sebrae e do Ipespe, 96% dos pequenos negócios aceitam Pix

O Pix se tornou a principal ferramenta de pagamento dos pequenos negócios brasileiros e agora está no centro de uma disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.

O sistema criado pelo Banco Central foi citado em uma investigação aberta pelo governo norte-americano sobre supostas práticas comerciais consideradas desfavoráveis às empresas privadas de meios de pagamento.

A discussão ocorre em meio à ameaça dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Embora a investigação envolva diferentes temas, a inclusão do Pix chamou a atenção por envolver um sistema que revolucionou a forma como consumidores e empresas realizam pagamentos no Brasil.

Utilização

Segundo pesquisa do Sebrae e do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), 96% dos pequenos negócios aceitam Pix. Além disso, quase seis em cada dez empreendedores utilizam a ferramenta como principal forma de recebimento de vendas. Entre os microempreendedores individuais (MEIs), a adesão chega a 97%.

Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, a crítica feita pelos Estados Unidos não se sustenta. “É uma avaliação injusta e infundada por parte do governo dos Estados Unidos porque o sistema de pagamento não interfere no comércio e nas relações das empresas do setor de cartões de crédito. Mais do que isso, é uma forma de pagamento que não tem mais volta e se tornou a queridinha dos pequenos negócios pelo rápido recebimento e para a manutenção do fluxo de caixa dessas empresas”, afirma.

Segundo ele, o Pix se consolidou justamente por oferecer mais eficiência e menos custos para os empreendedores. “No fundo, é uma das formas que o setor utiliza para criar mais oportunidades de crescimento e aumentar a geração de empregos,”, frisa

Mercado de pagamentos

Nos bastidores, a avaliação de parte do setor produtivo é que a disputa está relacionada ao tamanho do mercado de pagamentos digitais brasileiro. Dados do Banco Central mostram que o Pix possui cerca de 170 milhões de usuários pessoas físicas e mais de 24 milhões de empresas cadastradas. Em 2025, o sistema movimentou R$ 35,4 trilhões em quase 80 bilhões de transações, consolidando-se como o meio de pagamento mais utilizado no país.

Para Rodrigo Soares, o sucesso da ferramenta afeta interesses de grandes empresas globais de tecnologia e pagamentos digitais. “Este é o tamanho do mercado que seria disputado pelas Big Techs (Apple Pay, Google Pay, Amazon Pay, Meta Pay e Microsoft), se o Banco Central não oferecesse esse serviço de forma gratuita e referência de eficiência mundial”, afirma.

Segundo ela, a discussão não tem relação com concorrência desleal, mas sim com uma disputa por mercado. “Não se trata de prática desleal de comércio, alegado por Trump para impor aumento de tarifas sobre nossas exportações. Mas sim, disputa de mercado.”

Lançado em novembro de 2020, o Pix alcançou em menos de quatro anos um nível de popularização sem precedentes no sistema financeiro brasileiro. O modelo reduziu a dependência de dinheiro em espécie e dos cartões tradicionais, permitindo transferências instantâneas e de baixo custo para empresas e consumidores.

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