Conforme o IBGE, o Estado registrou 419 mil unidades locais de empresas em 2024, aumento de 7,2% em relação ao ano anterior

Goiás registrou aumento de 7,2% em unidades locais de empresas em 2024 em relação ao ano anterior, o terceiro maior avanço do país. Com o resultado, atingiu o número de 419 mil unidades locais de empresas, oitavo maior número entre os estados do Brasil.
As informações são do Cadastro Central de Empresas do IBGE. Os únicos aumentos superiores ao de Goiás foram os de Tocantins (7,7%) e do Mato Grosso (7,6%). As unidades locais são os endereços físicos ou estabelecimentos individuais de uma empresa (matrizes e filiais). São Paulo lidera o número de unidades com 3,9 milhões.
Mudanças
Danilo Orsida, advogado tributarista e economista, acredita que o avanço se dê por conta de mudanças no âmbito tributário e trabalhista. Nos últimos anos, o judiciário entendeu que a transferência de mercadorias entre matriz e filial não tem a incidência tributária do imposto sobre circulação de mercadorias.
Outra explicação é o fato da reforma trabalhista permitir uma maior “pejotização” de atividades. “Muitos arranjos profissionais que até então eram tratados dentro do clássico modelo de relação CLT, carteira de trabalho, passaram a ter essa flexibilidade ou um outro arranjo dentro dessa relação capital-trabalho”, comentou.

Renda
Porém, essa pejotização pode ter afetado a questão salarial goiana. Em 31 de dezembro de 2024, Goiás registrou 2,2 milhões de pessoas ocupadas. Dessas, 1,7 milhão eram assalariadas – um aumento de 3,3% em relação a 2023. O salário médio mensal aumentou, foi de R$ 3.222,97 para R$ 3.408,65, mas, quando analisado em termos de salários mínimos, sofreu queda de 4,0%.
Com isso, Goiás é o 9º estado com maior quantidade de pessoal assalariado, mas possui apenas o 18º maior salário médio mensal do país em salários mínimos. Orsida entende que isso é consequência de uma precarização das relações capital-trabalho e até mesmo a supressão de algumas garantias antes consolidadas.
“Ao longo dos últimos anos, existe de fato essa mudança em relação ao mercado de trabalho. Isso acaba revelando um pouco essa pressão em relação a essa faixa salarial”, comentou Orsida.
Comércio
O levantamento também indicou que o comércio foi a atividade mais presente nas unidades goianas, com 135,2 mil unidades. O quantitativo representa 32,3% do total de unidades. O setor também emprega a maior quantidade de pessoas, com cerca de 483 mil indivíduos (21,5% dos trabalhadores do estado.
De acordo com Danilo, o contexto atual do comércio goiano é um ótimo termômetro para medir em que estágio a economia do estado está. “Uma economia que está em crescimento tende a revelar indicadores de crescimento maiores nesse setor terciário. O comércio ganhando esse destaque enquanto atividade econômica revela, na verdade, o amadurecimento da economia da goiana como um todo”, afirmou o economista.
Municípios
O município de Senador Canedo se destacou no estudo, pois apresentou um crescimento de 11,0% em número de unidades locais e figurou pela primeira vez entre os 10 maiores do estado.
A capital Goiânia (143,5 mil) foi o sétimo município com mais unidades locais do Brasil. O segundo município do estado a aparecer no ranking nacional foi Anápolis (24,0 mil), na 58ª posição, seguido por Aparecida de Goiânia (23,6 mil), na 60ª posição.