
Identificar uma demanda mal atendida, desenvolver uma solução própria e transformar a ideia em um negócio capaz de ganhar escala nacional. Foi seguindo esse caminho que o empreendedor goiano Giovanne Ramos criou a Moovz, startup que utiliza tecnologia e gamificação para transformar a experiência de quem pratica atividades físicas em academias.
À frente da empresa como CEO e cofundador, Giovanne conta que o negócio nasceu após perceber uma lacuna no mercado brasileiro. Já existiam empresas estrangeiras oferecendo sistemas de monitoramento de treinos, mas, segundo ele, as soluções tinham pouca adaptação ao público nacional e se limitavam, principalmente, ao acompanhamento das atividades em tempo real.
“Já existiam alguns players que faziam um trabalho parecido, mas não existia nenhuma empresa brasileira que fizesse o trabalho que a Moves faz”, afirma.
A oportunidade estava justamente em ir além do monitoramento. Com experiência prévia no mercado fitness e contato com proprietários de academias e redes de diferentes regiões do Brasil, Giovanne percebeu que poderia transformar os dados coletados durante os exercícios em uma experiência capaz de aumentar o engajamento dos alunos. “A gente poderia criar um sistema de gamificação e colocar as pessoas para brincar ali”, explica..
Metodologia
A proposta resultou em uma metodologia que busca medir o esforço individual de cada participante, evitando comparações baseadas exclusivamente em indicadores como calorias gastas.
A partir dos dados, os alunos conseguem acompanhar o próprio desempenho e participar de rankings durante as atividades. Segundo Giovanne, após o lançamento, academias que utilizavam soluções estrangeiras começaram a migrar para a plataforma brasileira.
Transformação
Na prática, a Moovz utiliza dispositivos vestíveis, os chamados wearables, integrados ao aplicativo desenvolvido pela empresa. Antes da atividade, o aluno coloca um bracelete conectado ao seu cadastro. Informações como altura, peso e histórico são utilizadas pelo sistema para estimar a faixa de esforço adequada durante o exercício.
Durante uma aula coletiva, os dados podem aparecer em televisores, telões ou painéis instalados na academia. O participante acompanha em tempo real sua zona de treino e recebe indicações sobre a necessidade de aumentar ou reduzir a intensidade.
Para Giovanne, a gamificação também ajuda a atacar um dos desafios enfrentados pelas academias: manter o aluno interessado na prática de exercícios ao longo do tempo.
“Moovz nasce para elevar a experiência de treino das pessoas de uma maneira diferente, com tecnologia e com gamificação”, resume.
A empresa não pretende, porém, ficar restrita aos braceletes. A estratégia é acompanhar a evolução dos dispositivos tecnológicos e incorporar novas possibilidades à experiência do exercício físico.
“Amanhã pode ser uma tiara, amanhã pode ser um óculos, amanhã pode ser um fone de ouvido diferente. Então, nossa missão é avançar tecnologicamente na experiência de treino e entregar isso para o nosso usuário”, afirma.
Brasil
Em menos de três anos de atuação, a startup conseguiu levar a solução para todas as unidades da Federação. Segundo Giovanne, a Moovz se aproxima da marca de mil academias atendidas no País.
“Hoje nós estamos presentes em todos os estados do Brasil e a gente está chegando a mil academias”, destaca.
O crescimento também se reflete na estrutura interna da empresa. Atualmente, são 26 colaboradores distribuídos entre desenvolvimento de produtos, pesquisa em tecnologia, vendas, marketing e parcerias. Como parte da tecnologia utilizada é importada, a startup mantém uma equipe dedicada à pesquisa de equipamentos, componentes e novas possibilidades de hardware.
Apesar da expansão nacional, Giovanne pretende manter a sede da empresa em Goiás. O empreendedor e os demais co-fundadores têm ligação com o Estado, fator que, segundo ele, reforça a decisão de preservar a operação local mesmo com a possibilidade de abertura de polos em outras regiões.
“A gente está orgulhoso de ter essa empresa aqui. A nossa sede é aqui e vai continuar sendo aqui. Podemos ter polos em outros lugares do Brasil, mas, enquanto eu conseguir e puder, eu vou manter aqui, porque tenho orgulho do nosso Estado”, afirma.

Mercado internacional
Depois de alcançar todas as regiões brasileiras, a Moovz começa a olhar para fora do país. A startup já possui clientes-piloto na Europa e na América do Sul e trabalha com a perspectiva de ampliar a atuação internacional nos próximos anos.
A América do Norte e o mercado europeu aparecem entre os principais alvos da estratégia de expansão.
O crescimento ocorre em um mercado que, na avaliação do empresário, está cada vez mais disputado. A abertura de academias com estruturas modernas e novos equipamentos, por exemplo, pressiona estabelecimentos concorrentes a buscar diferenciais tecnológicos para conquistar e manter clientes.
Giovanne cita como exemplo a abertura de novas academias em Goiânia, que aumenta a discussão em torno de fitness e bem-estar e estimula outros estabelecimentos a investir em inovação.
“As academias em volta querem se diferenciar de alguma forma. E a forma que elas acham de se diferenciar para não ficar para trás, muitas vezes, é colocando a Moovz dentro da academia”, explica.
Aposta em talentos
Além da expansão comercial, Giovanne aponta o desenvolvimento do ecossistema tecnológico goiano como uma das missões que pretende assumir como empreendedor.
A Moovz foi reconhecida entre as mil startups selecionadas pelo Sebrae Startups no ano passado e, segundo o empresário, avançou neste ano para o grupo das 100 startups do Brasil na iniciativa. A juventude também aparece na composição da equipe: a média de idade dos profissionais da empresa é de 24 anos.
Para Giovanne, criar oportunidades para profissionais formados no próprio Estado pode ajudar Goiás a desenvolver novos negócios de base tecnológica e evitar que talentos locais precisem procurar oportunidades em outros centros.
Missão
“A minha missão agora, pessoalmente, como empreendedor, é ajudar no desenvolvimento tecnológico do nosso Estado. Então, aproveitar os núcleos que a gente tem aqui de computação e dar espaço para os jovens, onde eles podem trabalhar, onde eles podem usar a atividade que eles têm”, afirma.
Na avaliação do empresário, Goiás já possui capital humano suficiente para criar empresas competitivas nacional e internacionalmente. O desafio é oferecer estrutura para que essas ideias consigam sair do papel.
“A gente tem muita gente inteligente aqui no nosso Estado. A gente só tem que sair da frente deles, parar de atrapalhar. Dá as condições, dá o terreno, que coisa boa consegue sair daqui também”, conclui.