sábado, 29 de agosto de 2026
16º Concred destaca a importância da cultura cooperativista

16º Concred destaca a importância da cultura cooperativista

Líderes do Sicredi e Sicoob apontam a cultura como essencial para o futuro do setor durante painel no 16º Concred

29 de agosto de 2026

Luís Alberto Pereira destacou o potencial de crescimento do cooperativismo de crédito 

A perda da essência cooperativista é o principal risco ao futuro do cooperativismo de crédito no Brasil. O alerta foi dado por três presidentes de centrais durante painel no 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred), em Goiânia, nesta sexta-feira (28/08), último dia do evento.

Para as lideranças, investir em governança e educação cooperativista é o que separa as cooperativas das instituições financeiras tradicionais e garantirá o crescimento sustentável do setor. 

O painel foi mediado pelo presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, e abordou três temas centrais para o presente e o futuro do cooperativismo de crédito no Brasil: o comportamento das centrais diante da recuperação judicial e da inadimplência no agronegócio, a necessidade de diversificação para ampliar o market share e as ações internas para fortalecer a cultura cooperativista. 

Recuperação judicial

Celso Figueira disse que a recuperação judicial é um instrumento jurídico legítimo, mas que exige das cooperativas uma postura diferente da adotada pelo mercado tradicional. 

“Precisamos nos adaptar a essas dificuldades. É preciso governança e adaptação às novas formas de negociação”, afirmou, destacando a atuação constante no campo jurídico do Sistema OCB para que o ato cooperativo seja reconhecido.

Marcelo Baiocchi reconheceu a legitimidade do instrumento, mas alertou para um uso acima do aceitável. “É um instrumento legal, mas no rural está extrapolando um pouco. Para as cooperativas de crédito há necessidade de governança e de uma área de risco muito competente”, disse.

Raimundo Nonato trouxe a perspectiva da qualificação da relação com os produtores rurais cooperados. Segundo ele, a Central Sicoob Uni aposta em conhecer profundamente o produtor e seu comportamento financeiro. “Nossa estratégia é qualificar a decisão. É unir o conhecimento técnico no campo com a expertise da cooperativa de crédito”, explicou.

Market share

No segundo bloco, Luís Alberto Pereira questionou se há necessidade de as cooperativas diversificarem seus negócios e como fazer isso sem perder a identidade. Raimundo Nonato defendeu que o desafio é aumentar a relevância das cooperativas na vida das pessoas e empresas. Além disso, é preciso oferecer uma jornada digital simples e completa, mantendo ao mesmo tempo a presença física das unidades de atendimento. 

Celso Figueira reforçou que estar preparado para diversificar o mercado vai além da concessão de crédito. “Precisamos ser consultores dos nossos cooperados, discutir retorno financeiro e formas de pagamento”, disse, ressaltando o papel orientador que diferencia as cooperativas dos bancos.

Cultura cooperativista

No encerramento, Luís Alberto Pereira celebrou o legado do 16º Concred, citando a união das centrais e singulares e o programa Integração Juventude, que reuniu 3 mil estudantes das redes pública e privada. “É de arrepiar ver jovens aprendendo o que é o cooperativismo. Isso tem que ser programa permanente”, declarou.

Ao final, as lideranças convergiram para um mesmo ponto: o cooperativismo de crédito tem potencial enorme de crescimento, desde que invista em governança, educação e pertencimento.

A preocupação manifestada pelos presidentes encontra respaldo na agenda do Sistema OCB, que promove em 2026 o Ano da Cultura Cooperativista. A iniciativa busca justamente oferecer às cooperativas soluções voltadas à formação de educadores cooperativistas e ao fortalecimento da cultura como prática cotidiana.

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