
Mercado de trabalho, força do setor de serviços, saúde, construção civil e posição estratégica ajudam a explicar avanço populacional da capital; expansão também se espalha pela Região Metropolitana
Goiânia chegou a 1.511.709 habitantes em 2026, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a 2025, quando estava com 1.503.256 moradores, a capital ganhou 8.453 habitantes em apenas um ano, crescimento de 0,56%.
O ritmo é superior à média das capitais brasileiras, que avançaram 0,22% no período, mas ficam abaixo do crescimento de 0,96% registrado em Goiás, contra 0,37% no Brasil. Com o resultado, Goiânia permanece como o município mais populoso do estado, a 10ª capital mais populosa do país e ocupa a 9ª posição entre as capitais que proporcionalmente mais cresceram entre 2025 e 2026.
Atração
Para os economistas Márcio Dourado e Núbia Simão, ouvidos pela reportagem, o crescimento é resultado de uma combinação de fatores, como geração de empregos, força do setor de serviços, construção civil, saúde, educação, mercado imobiliário, localização estratégica e influência econômica exercida pela capital sobre outros municípios e estados.
Márcio Dourado destaca que a expansão de Goiânia acompanha um movimento migratório observado em todo o estado. Entre 2017 e 2022, Goiás registrou saldo migratório interestadual positivo de aproximadamente 187 mil pessoas, o segundo maior do Brasil, atrás apenas de Santa Catarina.
Segundo ele, Goiânia concentra mercado de trabalho, empresas, hospitais, universidades, comércio e serviços especializados. Pelo estudo Regiões de Influência das Cidades (Regic), do IBGE, a influência da capital alcança 364 municípios e uma área equivalente a 11,3% do território brasileiro.
“Mais do que uma cidade de 1,5 milhão de habitantes, Goiânia funciona economicamente como o centro de serviços e decisões de uma área muito maior”, afirma.

Emprego
Núbia Simão aponta a oferta de empregos como um dos principais motivos para a chegada de novos moradores. “Nós temos um setor de serviços muito impulsionado. O crescimento de restaurantes, lojas, comércio em geral e serviços”, destaca.
A economista também cita a construção civil aquecida, a expansão dos condomínios horizontais e um custo de vida competitivo em relação a grandes centros, além da posição estratégica da capital para a logística nacional.
Segundo ela, Goiânia recebe moradores de estados como Tocantins e Maranhão, além de pessoas atraídas pela expansão econômica de Goiás, pela fronteira agrícola e pela instalação de empresas e indústrias no estado.

Cidades vizinhas
O aumento da população não ocorre apenas dentro dos limites da capital. Os dados mostram que municípios próximos avançam em ritmo ainda maior. Enquanto Goiânia cresceu 0,56%, Goianira avançou 3,28%, Senador Canedo, 2,90%, e Aparecida de Goiânia, 0,89%. Cidade Ocidental, no Entorno do Distrito Federal, registrou crescimento de 2,50%.
Para Dourado, isso demonstra que o fenômeno precisa ser observado em escala metropolitana. “A atratividade atual deve ser analisada cada vez mais como fenômeno metropolitano, e não apenas municipal”, afirma.
A posição de Goiânia entre as maiores capitais também se consolidou nos últimos anos. No Censo de 2010, eram cerca de 1,302 milhão de habitantes. Em 2022, o número chegou a aproximadamente 1,437 milhão, avanço de 10,4%.
Parte da subida no ranking também ocorreu porque outras capitais perderam habitantes. Entre 2010 e 2022, Porto Alegre teve redução de aproximadamente 5,4% da população e Belém, de 6,5%.
Influência
A estrutura de serviços também ajuda a explicar a atração exercida por Goiânia. Segundo dados do IBGE citados por Dourado, a capital atraía pacientes de 115 municípios para serviços de saúde e exercia influência sobre 161 municípios na busca por vestuário e calçados.
“Esses números revelam uma centralidade funcional: pessoas de outras cidades já utilizam Goiânia como referência para saúde, ensino, consumo, serviços profissionais e negócios”, explica.
Núbia também aponta a saúde como diferencial. “A gente tem uma referência na medicina pública no estado de Goiás e até na privada. Então, temos pessoas que vêm para cá para fazer tratamento de saúde”, afirma.
Outro fator é o agronegócio. Embora a produção esteja concentrada no interior, Goiânia reúne serviços financeiros, jurídicos, contábeis, tecnológicos e corporativos ligados ao setor.
Desafios
Com mais moradores e consumidores, setores como construção civil, saúde, educação, varejo, logística, tecnologia, alimentação e serviços corporativos podem encontrar espaço para novos investimentos.
Dourado ressalta, entretanto, que o crescimento populacional precisa estar acompanhado de renda e infraestrutura. “População, isoladamente, não atrai investimento. O que atrai investimento é a população acompanhada de renda, demanda, mão de obra, infraestrutura e perspectivas de crescimento”, afirma.