sábado, 5 de setembro de 2026
Goiás tem prejuízo de US$16,8 milhões por mês com suspensão de exportações de carne

Goiás tem prejuízo de US$16,8 milhões por mês com suspensão de exportações de carne

A estimativa é da Fieg, que divulgou análise do impacto da decisão da União Europeia (UE)

4 de setembro de 2026

Entre janeiro e julho de 2026, o valor foi de US$ 96 milhões. As carnes bovinas representaram 90% desse total (US$ 171 milhões)

Goiás tem prejuízo mensal de US$16,8 milhões por causa da sanção envolvendo a exportação de carne para a União Europeia (UE). A previsão é da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), por meio da Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin), que divulgou uma análise do impacto da suspensão, com previsões e recomendações ao setor produtivo.

Já em vigor, o embargo suspende as exportações brasileiras à UE de carne de aves, bovina, suína, peixes de cultivo (aquicultura), mel, equinos, ovos e envoltórios (tripas). A sanção deve permanecer em vigor até que o Brasil comprove a documentação exigida ao longo do ciclo produtivo.

Apesar da motivação puramente documental e não baseada em qualquer questão sanitária, o impacto será grande. Os produtos de origem animal exportados por Goiás à UE somaram US$ 190 milhões em 2025. Entre janeiro e julho de 2026, o valor foi de US$ 96 milhões. As carnes bovinas representaram 90% desse total (US$ 171 milhões).

De acordo com análise da Fieg, o potencial de exportação perdido seria de US$ 3,83 milhões entre setembro e dezembro de 2026 e de US$ 11,5 milhões em 2027. A soma desses valores representaria os já mencionados US$ 16,8 milhões por mês, equivalente a 8,1% do valor total das exportações goianas de produtos de origem animal.

Prejudicados

Os dois maiores prejudicados seriam os frigoríficos JBS e Minerva Foods, ambos com produção voltada ao mercado premium europeu. Para o analista econômico da Fieg, Saulo Nogueira, é fundamental buscar novos mercados.

“Exportadores goianos podem e devem redirecionar sua produção para a China, que hoje é a maior importadora do Brasil; para os Estados Unidos, que vêm ampliando as compras; e para mercados asiáticos como Japão, Indonésia e Coreia do Sul”, frisou.

Resposta

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a Portaria SDA nº 1.617/2026, que proíbe o uso de antimicrobianos como aditivos melhoradores de desempenho animal no País e determina novos procedimentos de controle para certificação.

A partir de 3 de setembro, só recebem certificação sanitária internacional os produtos que comprovarem atendimento às regras europeias. o Mapa também se comprometeu a enviar à UE a documentação atualizada.

Os produtos brasileiros de origem animal na UE possuem valor 20% maior do que em outros destinos. Em 2025, o bloco europeu foi o 4º principal destino da carne bovina brasileira, com 128 mil toneladas e US$ 1,05 bilhão em compras. A pauta total de produtos afetados somou US$ 262 milhões em 2025 e já soma US$ 339,6 milhões entre janeiro e maio de 2026.

Entenda o caso

A decisão da UE envolvendo o Brasil foi tomada em maio de 2026 e entrou em vigor no dia 03/09. A medida está relacionada ao Regulamento Delegado 2023/905, que estabeleceu regras mais rígidas sobre o uso de antimicrobianos em animais destinados à produção de alimentos.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que as regras vêm sendo efetivamente cumpridas.

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