
O endividamento das famílias brasileiras permaneceu no recorde de 82% em agosto último, enquanto a inadimplência avançou 29,9%, com a maior pressão concentrada entre os consumidores de menor renda.
As informações são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O levantamento apontou que, entre as famílias que recebem até três salários mínimos, o percentual com contas em atraso subiu de 38,5% para 38,8%, enquanto 85,1% declararam ter dívidas. O grupo de menor renda também registrou alta de 0,5 ponto porcentual na parcela de consumidores sem condições de quitar as dívidas, que chegou a 18,3%.
“Estamos chegando ao último trimestre do mesmo jeito que começamos o ano, com recorde de endividamento e crescimento da inadimplência”, afirmou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
O percentual de famílias endividadas completou sete meses seguidos em nível recorde. O resultado está acima dos 78,8% registrados em agosto de 2025, enquanto a inadimplência geral avançou 0,1 ponto porcentual no mês.
Sem condições
Também aumentou a parcela de famílias que dizem não ter condições de pagar as contas atrasadas, que chegou a 12,5%, maior nível desde fevereiro. O grupo que se considera “muito endividado” passou a representar 17,4% das famílias, enquanto os “pouco endividados” recuaram para 34,9%.
“A fragilização financeira da base da pirâmide reflete a dependência do crédito para a manutenção do consumo básico e mantêm o quadro de endividamento no patamar recorde”, afirmou Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.
Diante do maior comprometimento do orçamento e do aumento do tempo de atraso, as projeções da CNC indicam elevação das contas em atraso no próximo trimestre, o que deve exigir uma redução gradual do endividamento para a estabilização financeira dos orçamentos domésticos.