
Os pequenos negócios goianos contam com uma boa opção na hora de contratar serviço: as empresas juniores. Como elas não têm finalidade lucrativa e os recursos obtidos são reinvestidos na própria organização e na formação dos membros, os projetos podem ter valores mais acessíveis. Em Goiás, já são 39 empresas do tipo, com aproximadamente 700 universitários participantes.
As empresas juniores goianas estão presentes em 10 instituições de ensino, entre públicas e privadas, e estão espalhadas em 12 municípios goianos. No ano passado, de acordo com a Federação Goiana de Empresas Juniores (Goiás Júnior), o setor gerou R$ 190 mil através de projetos e consultorias.
Como as empresas não possuem fins lucrativos, o faturamento é todo reinvestido no desenvolvimento, capacitação técnica e vivência empresarial dos estudantes associados. O número de pessoas impactadas no ano passado foi relevante: mais de 7 mil universitários utilizaram dos serviços das empresas júniores e centenas de micro e pequenas empresas são atendidas anualmente.
Crescimento
Carol Souza, presidente da Goiás Júnior, contou que o movimento está em expansão. Houve um salto de 35 empresas juniores em 2023 para as atuais 39 empresas federadas em 2026, além da maior presença tanto na capital quanto no interior.
“Nossa trajetória formal começou em 2012, a partir de empresas juniores pioneiras como Cippal e ELO da UFG Goiânia e Humaniza da UFJ Jataí, e hoje o Movimento Empresa Júnior é parte integrante da identidade universitária do estado. Um reflexo disso é o GOJr, o Encontro Goiano de Empresas Juniores, realizado anualmente desde 2012, que hoje faz parte oficial do Calendário Cívico, Cultural e Turístico do Estado de Goiás”, conta a presidente.
No entanto, o movimento ainda encontra algumas barreiras. O principal desafio ainda é superar o preconceito com a palavra “júnior”, que leva algumas pessoas a subestimar a entrega dessas empresas. “Um dos nossos valores é que ‘Somos júnior só no nome’, já que todos os projetos contam com metodologias consolidadas, capacitação contínua e, fundamentalmente, supervisão e orientação de professores das próprias instituições de ensino”, afirmou Carol.

O setor tem buscado maior apoio institucional dentro das universidades e no empresariado tradicional. Em Goiás, algumas referências regionais já investem no trabalho, como a empresa Milky Moo, que é mantenedora e parceira da Goiás Júnior já há 3 anos.
Cenário nacional
No Brasil, o modelo reúne mais de 1.470 empresas juniores, 25 mil jovens e está presente em 270 instituições de Ensino Superior. Em 2025, o movimento faturou mais de R$66 milhões, valor reinvestido na capacitação dos membros. Em 2026, até agora, já são R$51 milhões em projetos e 24 milhões de pessoas impactadas.
Modelo
Uma empresa júnior é uma organização sem fins lucrativos formada e gerida por estudantes universitários. O modelo permite que os alunos apliquem conhecimentos adquiridos em projetos reais. As EJs podem prestar serviços de consultoria e desenvolver projetos para empresas, empreendedores, entidades e outras organizações. Elas sempre estão ligadas a instituições de Ensino Superior e são administradas pelos próprios estudantes, com orientação acadêmica.
Em Goiás, conforme Carol Souza, o movimento impacta a ponta do mercado e a formação de lideranças. Como os serviços costumam ter custo até 60%, são ideais para pequenos e médios empreendedores com orçamento menor. Além disso, o movimento forma o capital humano que poderá liderar a economia goiana em curto prazo.

“O jovem que passa pela vivência de uma empresa júnior já conclui a graduação com experiência em gestão, metas, entregas reais e negociação com clientes, chegando ao mercado de trabalho muito mais preparado para gerar resultados imediatos nas organizações”, disse Carol.