
O Coletivo Rosa é um grupo de mulheres que empreendem através da moda circular e se reúnem principalmente para realizar feiras de brechós em Goiânia. Atualmente, as feiras contam com 120 expositoras e acontecem no Cepal do Jardim América todo primeiro e segundo sábado do mês. Em uma mesma edição, as empreendedoras conseguem movimentar até R$120 mil em vendas.
O grupo é formado em 90% por mulheres, já que alguns homens ajudam na parte de montagem da estrutura da feira e outras atividades. Participam mulheres de 16 anos até a terceira idade, incluindo várias estudantes, mães atípicas, mães e mulheres enlutadas, viúvas, etc.
Para a fundadora do coletivo, Paula Braga, o objetivo do grupo é promover a independência feminina e o empreendedorismo. “A nossa meta principal é gerar independência financeira para a mulher para que ela possa ser provedora do lar, empreendedora e possa ter a renda dela. Queremos que ela não precise depender de outra pessoa e possa sustentar a casa, os filhos e os estudos”, contou.
História
Paula foi influenciada desde cedo por sua avó Noemi Guimarães na questão social, que era a coordenadora da Vila Redenção na extinta Fundação Municipal de Desenvolvimento Comunitário. Noemi ajudava outras mulheres por meio de bazares, onde pessoas podiam comprar roupas com preço bastante acessível. A experiência impactou fortemente Paula.
“Entrar para o mundo dos Brechós é um caminho sem volta porque você descobre ali o potencial da sustentabilidade de circular uma peça de roupa. Roupas não são descartáveis, o que não serve mais para você vai servir para outra pessoa”, afirmou.
Com essa motivação, a gestora criou um grupo no Facebook em 2015 chamado Cabide Rosa para venda de roupas usadas. Além de vender, o grupo servia para que as mulheres combinassem pontos de vendas presenciais e se encontrassem. Quando chegou a pandemia, Paula estendeu o trabalho para o lado social, também reunindo alimentos e distribuindo cestas básicas.
Perto do fim da pandemia, Paula passou por uma fase financeira difícil, pois já tinha um bebê pequeno e descobriu que estava grávida de gêmeos. A situação foi o pontapé para as feiras. A primeira edição foi no ginásio do Parque Ateneu e contou com 52 participantes, o máximo que o local comportava. Cada uma contribuiu com R$ 10, que foram usados na contratação de carro de som para divulgação e outras ações de marketing.

“Todas levaram tudo que elas tinham de roupa, de acessórios e de tudo que elas não usavam mais para vender. Nessa primeira edição nós geramos mais de R$ 40 mil de economia com moda circular”, relatou. Foram três edições de bazares no local antes de partirem para locais maiores. Primeiro no CEU das Artes, no Parque Flamboyant, e depois no Cepal do Jardim América, onde as feiras já acontecem há 4 anos e meio. Já são 74 edições concluídas.
Impacto
Paula conta que várias expositoras vivem somente do que arrecadas nos brechós e com a moda circular. Algumas delas chegam a faturar mais de R$3500 em uma só feira. O Coletivo Rosa conta com mulheres que vendem moda plus size, roupa infantil, vintage e até outros nichos como artesanato, alimentação, bijuteria e maquiagem.
Algumas empreendedoras que começaram com o grupo conseguiram também abrir brechós físicos. Além desse impacto social, o grupo conta com outras ações sociais. Alguns espaços de bancas contam preços sociais e até mesmo com custo zero para empreendedores sem dinheiro para investir.
Formalização
Na última segunda-feira (28/09), foi realizada a 1ª Assembleia Geral do Coletivo Rosa, na Casa da Indústria, em Goiânia, com apoio do Instituto Euvaldo Lodi, entidade sem fins lucrativos ligada à Fieg (Federação das Indústrias do Estado de Goiás) e ao Sistema Indústria.
O encontro reuniu integrantes do projeto, representantes de entidades parceiras e do poder público e teve como um de seus principais focos avançar na organização e formalização da iniciativa, criando condições para ampliar parcerias, acessar recursos e fortalecer a rede de mulheres que encontrou nos brechós, na economia criativa e na moda circular uma oportunidade de geração de renda.