quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Dólar segue abaixo de R$ 5 e Bolsa sustenta 200 mil pontos após 1º turno

Dólar segue abaixo de R$ 5 e Bolsa sustenta 200 mil pontos após 1º turno

Mercado mantém parte expressiva dos ganhos registrados após resultado das urnas, que reforçou percepção de favoritismo de Flávio Bolsonaro no segundo turno.

7 de outubro de 2026

O mercado financeiro brasileiro manteve nesta terça-feira (6/10) parte importante dos ganhos registrados após o primeiro turno da eleição presidencial, realizado no domingo (5/10). Mesmo depois da forte valorização dos ativos na véspera, o dólar permaneceu abaixo da barreira de R$ 5. Já a Bolsa brasileira sustentou o patamar histórico acima dos 200 mil pontos.

O dólar comercial encerrou o pregão cotado a R$ 4,975, em queda de 0,55%, atingindo o menor valor de fechamento em quase cinco meses. Já o Ibovespa passou por uma realização de lucros e recuou 0,52%, mas terminou aos 205.835 pontos, consolidando-se acima de um nível que até recentemente parecia distante para o principal índice da B3.

Os números mostram que, mesmo após a euforia inicial de segunda-feira, quando a Bolsa disparou 7,85%, o mercado preservou boa parte da reprecificação dos ativos brasileiros desencadeada pelo resultado das urnas.

A leitura predominante entre investidores é de que o primeiro turno ampliou as perspectivas de mudança no comando do governo federal e fortaleceu as chances eleitorais do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa percepção alimentou expectativas de uma política econômica mais favorável ao ajuste das contas públicas, com redução do risco fiscal e maior previsibilidade para investimentos.

Dólar abaixo de R$ 5

O comportamento do câmbio é um dos sinais mais evidentes dessa mudança de percepção. O dólar comercial caiu 0,55% nesta terça-feira e encerrou a R$ 4,975. A menor cotação de fechamento desde 12 de maio, quando havia terminado o pregão em R$ 4,895.

Durante a manhã, a moeda americana chegou a R$ 4,945, recuo de 1,14%. Em apenas dois pregões, a desvalorização acumulada chega a 4,62%, considerando a queda de 4,12% registrada na segunda-feira. No acumulado de 2026, o dólar já recua 9,37% diante do real.

A manutenção da moeda abaixo dos R$ 5 após o impacto inicial da eleição ganha relevância porque indica que o movimento não ficou restrito às primeiras horas de negociação depois da abertura das urnas.

O ambiente internacional também ajudou. O dólar perdeu força diante de outras moedas emergentes, como peso mexicano, rand sul-africano e peso chileno. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana contra uma cesta das principais divisas internacionais, recuava 0,31% no fim da tarde, aos 101,848 pontos.

Patamar histórico

Na Bolsa, a terça-feira foi marcada pela realização de lucros após a disparada do pregão anterior. O Ibovespa caiu 0,52%, para 205.835,29 pontos, depois de oscilar entre 204.725 e 209.522 pontos. O volume financeiro chegou a R$ 58,06 bilhões. A pequena correção, porém, não apagou o movimento expressivo dos últimos dias.

Na segunda-feira, imediatamente após o primeiro turno, o Ibovespa avançou 7,85%, em uma das maiores altas diárias dos últimos anos, renovando recordes históricos. Com isso, mesmo após a realização desta terça-feira, o índice acumula valorização de 10,46% somente em outubro. No ano, o ganho chega a 27,75%.

A permanência acima dos 200 mil pontos reforça a percepção de que investidores estão atribuindo preços diferentes aos ativos brasileiros diante do novo cenário eleitoral.

Segundo turno

A reação dos ativos coloca a disputa presidencial no centro das atenções do mercado nas próximas semanas. O desempenho do real e da Bolsa reflete, em grande medida, a expectativa dos investidores sobre qual será a política econômica a partir de 2027. Entre os principais pontos observados estão trajetória da dívida pública, controle dos gastos, resultado fiscal, política tributária e capacidade do próximo governo de implementar reformas.

O primeiro turno provocou uma revisão dessas expectativas ao indicar uma disputa direta entre Lula e Flávio Bolsonaro e fortalecer, na avaliação de agentes do mercado, a possibilidade de alternância de poder. Isso ajuda a explicar por que a reação foi particularmente intensa na segunda-feira. E por que, mesmo após a realização de lucros, o dólar continuou abaixo de R$ 5 e o Ibovespa permaneceu acima dos 200 mil pontos.

A tendência, entretanto, é de aumento da volatilidade até o segundo turno. Pesquisas eleitorais, alianças políticas, declarações dos candidatos e, principalmente, sinalizações sobre política fiscal e composição das equipes econômicas deverão passar a influenciar diretamente as negociações.

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