quinta-feira, 8 de outubro de 2026
O que o pequeno empresário precisa fazer ainda em 2026

O que o pequeno empresário precisa fazer ainda em 2026

Veja os principais pontos de atenção para pequenos empresários diante das mudanças no MEI e no Simples Nacional

8 de outubro de 2026

Vinicius Palladino tem tomado medidas como  revisão dos fornecedores e do preço dos serviços

Já estamos em outubro. O ano que vem se mostra à porta e, com ele, as mudanças tributárias que virão. Vários empresários temem o novo regime, que extingue PIS e Cofins e inicia a cobrança plena da CBS, além de exigir notas fiscais obrigatórias para o MEI e trazer novas regras no sistema do Simples Nacional e ajustes em cadastros e softwares empresariais.

Vinicius Palladino, proprietário da empresa do ramo da saúde VivaBem Medicina, teme principalmente o aumento da carga tributária. “É preocupante, pois exige uma revisão global da atividade e da precificação dos serviços. A instabilidade jurídica e o fluxo de caixa prejudicado também podem ser fantasmas dos nossos negócios”, afirmou ao EMPREENDER EM GOIÁS.

Já projetando esses impactos, o empresário tem tomado medidas ainda em 2026. “Revisão dos fornecedores, do preço dos nossos serviços e auxílio de advocacia especializada nos fazem ter um pouco mais segurança”, afirmou.

Atenção

De acordo com o advogado tributarista Daniel Guimarães, boa parte dos pequenos negócios goianos vende para outras empresas e não para o consumidor final. É justamente aí que mora o ponto de maior atenção. 

Daniel Guimarães: “No novo sistema, o cliente empresa vai olhar quanto crédito de imposto recebe ao comprar”

“No novo sistema, o cliente empresa vai olhar quanto crédito de imposto recebe ao comprar, e o pequeno fornecedor que não se adaptar pode perder espaço. Também pesa a mudança da cobrança para o estado de destino, que altera preços de quem vende para fora de Goiás. Por fim, há os prazos de outubro para as escolhas de 2027”, conta.

Já para Danilo Orsida, economista e advogado tributarista, o alerta não é apenas quanto ao valor do imposto pago na ponta, mas quanto à competitividade no mercado corporativo (B2B). “Se ele vende para outras empresas, a retenção ou transferência de créditos torna-se a variável determinante do negócio.”

O que muda?

MEI – continua pagando um valor fixo mensal, que a partir de 2027 passa a incluir uma parcela simbólica de CBS e IBS. Ele não pode optar pelo modelo híbrido, e a nota fiscal ganha importância com as novas regras de emissão. 

Simples – a guia única continua existindo. A novidade é a possibilidade de recolher IBS e CBS por fora, no chamado Simples híbrido, para gerar crédito integral ao cliente. Para o primeiro semestre de 2027, essa escolha precisa ser feita até 30 de outubro. Quem ainda quer entrar no Simples tem até 15 de outubro.

Desafios

Para Danilo, o principal desafio é de gestão. “A tributação deixa de ser uma mera obrigação acessória para se tornar elemento central na estratégia de preço e no fluxo de caixa”. Será fundamental ajustar sistemas de emissão de notas fiscais e manter o cadastro dos produtos devidamente classificados. Além disso, entender o impacto do direito ao crédito fiscal na ponta compradora e conviver temporariamente com o sistema antigo (ICMS e ISS) enquanto o novo sistema (IBS e CBS) ganha corpo.

Danilo Orsida: “A legislação tributária pune o omisso, mas premia aquele que se planeja. O momento de organizar a casa é agora”

“Quem não tem controle das notas de compra, mistura contas pessoais com as da empresa ou forma preço “de cabeça” vai sentir mais. Com o split payment, o imposto será separado no momento do pagamento, o que exige planejamento de caixa”, entende Daniel.

Oportunidades

As mudanças também trazem oportunidades para empreendedores goianos. O novo sistema é mais transparente: o imposto aparece destacado e o crédito passa a ser amplo, inclusive sobre bens de uso e consumo. Para a pequena empresa que vende a outras empresas, o modelo híbrido pode transformar o crédito em argumento comercial e abrir portas.

O fim das divergências e da guerra fiscal entre estados também simplificará as vendas interestaduais a médio e longo prazo. 

O que fazer?

Caso o empresário não tenha tomado nenhuma medida, ainda há tempo para se mover. “O primeiro passo é sentar com o contador ainda nesta semana, porque os prazos de 15 e 30 de outubro estão próximos. Ele deve levantar quem são seus clientes, consumidores finais ou empresas, e em que regime esses clientes estão”, afirma Daniel.

Também alerta que é preciso organizar as notas de compras do último ano e simular o custo nos dois modelos antes de decidir. Na sequência, deve revisar o cadastro de produtos e os preços e checar se há pendências fiscais. Se a decisão não for a ideal, ainda haverá janela para cancelamento até 20 de dezembro.

Danilo concorda e entende que o momento é de organização. “A legislação tributária pune o omisso, mas premia aquele que se planeja. O momento de organizar a casa é agora”. É preciso lembrar que o regime terá uma longa transição. Em 2027 a CBS substitui o PIS e a Cofins, o IPI é zerado para a maioria dos produtos e começa o Imposto Seletivo. Enquanto isso, o IBS segue em fase de teste com alíquota mínima. Entre 2029 e 2032, o ICMS e o ISS vão sendo reduzidos ano a ano, enquanto o IBS cresce na mesma proporção. Só em 2033 o sistema novo estará completo.

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