quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Pequenos negócios gastam 468 horas por ano com burocracia

Pequenos negócios gastam 468 horas por ano com burocracia

Pesquisa com 1.200 donos de negócios mostra que tarefas operacionais disputam espaço com planejamento, atendimento e venda

8 de outubro de 2026

A pesquisa indica que o tempo necessário para administrar as finanças pode comprometer outras atividades da empresa

Os donos de pequenos negócios no Brasil dedicam, em média, nove horas por semana a atividades financeiras e burocráticas, como pagamento de contas, emissão de notas fiscais, controle de receitas e despesas e conferência de recebimentos. Em um ano, são aproximadamente 468 horas destinadas a essas tarefas, o equivalente a quase três meses de expediente.

Os dados fazem parte da pesquisa “Tempo é dinheiro: quanto a burocracia financeira custa ao pequeno negócio brasileiro”, encomendada pelo Nu Empresas à Bridge Research. O levantamento ouviu 1.200 empreendedores de diferentes regiões do país, entre clientes e não clientes do Nubank, em julho de 2026.

A pesquisa indica que o tempo necessário para administrar as finanças pode comprometer outras atividades da empresa. Entre os entrevistados, 85% afirmaram ter deixado de realizar ações importantes para o negócio nos três meses anteriores ao levantamento devido à sobrecarga burocrática. Além disso, 68% acreditam que suas empresas poderiam ser mais lucrativas caso precisassem lidar com menos obrigações administrativas.

Comércio

O tempo destinado à burocracia varia conforme o porte e o segmento de atuação das empresas. Entre os microempreendedores individuais (MEIs), a média é de oito horas semanais. Nas micro e pequenas empresas, o número aumenta para dez horas.

O comércio varejista apresenta a maior carga, com 11 horas por semana. Já os empreendedores que trabalham em escritórios e consultórios dedicam, em média, oito horas às mesmas atividades.

As obrigações fiscais e tributárias aparecem entre as tarefas que mais consomem tempo, mencionadas por 43% dos participantes. Em seguida estão o controle de entradas e saídas de dinheiro (41%), a emissão de notas fiscais (40%) e a conciliação de recebimentos (30%), procedimento utilizado para verificar se os valores pagos pelos clientes foram efetivamente creditados nas contas das empresas.

A rotina administrativa também inclui o acompanhamento de pagamentos a fornecedores, a organização do fluxo de caixa e outras atividades necessárias para manter o funcionamento dos negócios.

As obrigações fiscais e tributárias lideram a lista de atividades que mais consomem tempo, citadas por 43% dos entrevistados

O custo aparece também no que fica pelo caminho: 85% dos empreendedores dizem ter deixado de realizar alguma atividade importante para o crescimento ou a saúde do negócio nos três meses anteriores à pesquisa.

O planejamento foi a atividade mais frequentemente deixada de lado: 37% dos entrevistados disseram não ter planejado o crescimento da empresa para o ano seguinte por estarem ocupados com  burocracia. Investir em divulgação e dedicar mais tempo aos clientes atuais também ficaram entre as principais renúncias. 

Tarefas

O peso da rotina financeira varia conforme o porte e a atividade. Entre os microempreendedores individuais, a dedicação média é de oito horas por semana. Nas micro e pequenas empresas, chega a dez. No recorte por tipo de operação, comércio e varejo registram 11 horas, ante oito horas entre escritórios e consultórios. 

As obrigações fiscais e tributárias lideram a lista de atividades que mais consomem tempo, citadas por 43% dos entrevistados. Depois aparecem o controle de entradas e saídas, com 41%, e a emissão de notas fiscais, com 40%. A gestão do fluxo de caixa foi mencionada por 37%, e a conciliação de recebimentos — a conferência de que o dinheiro das vendas entrou na conta —, por 30%.

A conta, portanto, não se limita às exigências tributárias. Inclui também rotinas de acompanhamento do dinheiro e de organização da operação que continuam ocupando a agenda de quem precisa vender, atender e planejar.

Bem estar

Há também um efeito sobre o bem-estar: 53% disseram que o tempo dedicado a essas tarefas causa estresse e ansiedade. E 68% acreditam que o negócio seria mais lucrativo se tivessem menos burocracia para resolver.

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