Pesquisa com 1.200 donos de negócios mostra que tarefas operacionais disputam espaço com planejamento, atendimento e venda

Os donos de pequenos negócios no Brasil dedicam, em média, nove horas por semana a atividades financeiras e burocráticas, como pagamento de contas, emissão de notas fiscais, controle de receitas e despesas e conferência de recebimentos. Em um ano, são aproximadamente 468 horas destinadas a essas tarefas, o equivalente a quase três meses de expediente.
Os dados fazem parte da pesquisa “Tempo é dinheiro: quanto a burocracia financeira custa ao pequeno negócio brasileiro”, encomendada pelo Nu Empresas à Bridge Research. O levantamento ouviu 1.200 empreendedores de diferentes regiões do país, entre clientes e não clientes do Nubank, em julho de 2026.
A pesquisa indica que o tempo necessário para administrar as finanças pode comprometer outras atividades da empresa. Entre os entrevistados, 85% afirmaram ter deixado de realizar ações importantes para o negócio nos três meses anteriores ao levantamento devido à sobrecarga burocrática. Além disso, 68% acreditam que suas empresas poderiam ser mais lucrativas caso precisassem lidar com menos obrigações administrativas.
Comércio
O tempo destinado à burocracia varia conforme o porte e o segmento de atuação das empresas. Entre os microempreendedores individuais (MEIs), a média é de oito horas semanais. Nas micro e pequenas empresas, o número aumenta para dez horas.
O comércio varejista apresenta a maior carga, com 11 horas por semana. Já os empreendedores que trabalham em escritórios e consultórios dedicam, em média, oito horas às mesmas atividades.
As obrigações fiscais e tributárias aparecem entre as tarefas que mais consomem tempo, mencionadas por 43% dos participantes. Em seguida estão o controle de entradas e saídas de dinheiro (41%), a emissão de notas fiscais (40%) e a conciliação de recebimentos (30%), procedimento utilizado para verificar se os valores pagos pelos clientes foram efetivamente creditados nas contas das empresas.
A rotina administrativa também inclui o acompanhamento de pagamentos a fornecedores, a organização do fluxo de caixa e outras atividades necessárias para manter o funcionamento dos negócios.

O custo aparece também no que fica pelo caminho: 85% dos empreendedores dizem ter deixado de realizar alguma atividade importante para o crescimento ou a saúde do negócio nos três meses anteriores à pesquisa.
O planejamento foi a atividade mais frequentemente deixada de lado: 37% dos entrevistados disseram não ter planejado o crescimento da empresa para o ano seguinte por estarem ocupados com burocracia. Investir em divulgação e dedicar mais tempo aos clientes atuais também ficaram entre as principais renúncias.
Tarefas
O peso da rotina financeira varia conforme o porte e a atividade. Entre os microempreendedores individuais, a dedicação média é de oito horas por semana. Nas micro e pequenas empresas, chega a dez. No recorte por tipo de operação, comércio e varejo registram 11 horas, ante oito horas entre escritórios e consultórios.
As obrigações fiscais e tributárias lideram a lista de atividades que mais consomem tempo, citadas por 43% dos entrevistados. Depois aparecem o controle de entradas e saídas, com 41%, e a emissão de notas fiscais, com 40%. A gestão do fluxo de caixa foi mencionada por 37%, e a conciliação de recebimentos — a conferência de que o dinheiro das vendas entrou na conta —, por 30%.
A conta, portanto, não se limita às exigências tributárias. Inclui também rotinas de acompanhamento do dinheiro e de organização da operação que continuam ocupando a agenda de quem precisa vender, atender e planejar.
Bem estar
Há também um efeito sobre o bem-estar: 53% disseram que o tempo dedicado a essas tarefas causa estresse e ansiedade. E 68% acreditam que o negócio seria mais lucrativo se tivessem menos burocracia para resolver.