sábado, 30 de maio de 2026
Caso de vaca louca é atípico e exportações de carne devem voltar

Caso de vaca louca é atípico e exportações de carne devem voltar

Ministério da Agricultura confirma que se trata de único caso isolado no Pará e espera retomar as exportações de carne em breve para a China.

3 de março de 2023

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou nesta quinta-feira (2/3) que o caso de mal da vaca louca descoberto no Pará se trata de um caso atípico. Ou seja, sem risco de transmissão. Essa possibilidade já era dada como real pelo ministério, que aguardou apenas o resultado dos exames para confirmar, e pelo mercado. Os procedimentos para informar a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e as autoridades da Chinesas já foram iniciados pelo governo brasileiro.

Na última semana, o Brasil havia suspendido a exportação de carne bovina à China após a confirmação do caso. A suspensão seguiu o protocolo sanitário entre os dois países e as vendas serão retomadas. “Por se tratar de caso atípico, ou seja, ocorrido por causas naturais em um único animal de 9 anos de idade e com todas as providências sanitárias adotadas prontamente, o Ministério da Agricultura e Pecuária está adotando imediatamente as providências para que as exportações da carne bovina brasileira sejam restabelecidas o mais breve possível”, afirmou o ministério, em nota.

Causado por um príon, molécula de proteína sem código genético, o mal da vaca louca é uma doença degenerativa. As proteínas modificadas consomem o cérebro do animal, tornando-o comparável a uma esponja. Daí sua denominação científica, encefalite espongiforme bovina.

Questão política

Segundo Hyberville Neto, consultor e diretor da HN Agro, disse ao Canal Rural que a confirmação encerra a questão do ponto de vista de sanidade, o que é positivo para a indústria de carne bovina do Brasil. Agora, a OMSA deve oficializar em nota, ratificando o status brasileiro como de risco insignificante. E a questão segue “apenas” como política e/ou comercial.

No entanto, o Brasil ainda enfrenta repercussões no mercado internacional. A Tailândia, o Irã e a Jordânia suspenderam temporariamente as compras de carne bovina brasileira em decorrência do caso. Embora esses três destinos tenham comprado muito pouco em 2022, somando cerca de 0,7% das exportações brasileiras de carne bovina in natura, o equivalente a 13,4 mil toneladas, a suspensão é significativa. Além disso, a Rússia também suspendeu as compras de carne do Pará, estado que embarcou 511 toneladas de carne bovina in natura para o destino no ano passado.

Na avaliação do Hyberville Neto, é evidente que um cenário sem suspensões seria o ideal. “Mas atualmente, exceto pelas vendas certificadas para a China, a produção suspensa a partir de 23 de fevereiro, os demais países não representam um volume significativo. Devemos ficar atentos para possíveis suspensões temporárias adicionais, mas, acima de tudo, acompanhar as negociações para a liberação dos embarques para a China. Espera-se uma rápida retomada das vendas para esse mercado”.

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