Dólar fecha acima de R$ 5, enquanto Ibovespa cai com guerra no Oriente Médio, alta do petróleo e tensão política no Brasil.

O dólar voltou a subir com força nesta sexta-feira (15/5) e encerrou o pregão acima de R$ 5 pela primeira vez em mais de um mês. Isto, em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, ao avanço da inflação global e ao agravamento das incertezas políticas no Brasil.
A moeda norte-americana terminou o dia vendida a R$ 5,06, com alta de 1,63%. Com o resultado, o dólar acumulou valorização de 3,48% na semana, embora ainda registre queda de 7,7% em 2026.
O movimento refletiu uma forte onda global de aversão ao risco. Investidores buscaram proteção na moeda americana diante da escalada da guerra no Oriente Médio, da disparada do petróleo e da percepção de que os juros internacionais podem permanecer elevados por mais tempo.
Na bolsa, o índice Ibovespa fechou aos 177.284 pontos, com recuo de 0,61%. O principal índice da B3 chegou a cair mais de 1% durante a manhã, mas reduziu parte das perdas ao longo da tarde, sustentado principalmente pelas ações da Petrobras, beneficiadas pela alta do petróleo no mercado internacional.
O principal fator de pressão sobre os mercados foi o agravamento das tensões envolvendo Irã e Estados Unidos. Declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, indicando perda de paciência com Teerã elevaram o temor de uma escalada militar na região do Golfo Pérsico.
A preocupação se concentra especialmente no Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Sem avanços nas negociações diplomáticas, investidores passaram a precificar um cenário de maior risco para o abastecimento global de energia.
Com isso, o barril do petróleo Brent disparou 3,35%, encerrando o dia a US$ 109,26. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançou 4,2%, fechando a US$ 105,42.
A alta do petróleo aumentou o temor de uma nova onda inflacionária global, principalmente em economias desenvolvidas. Esse cenário fortaleceu apostas de manutenção — ou até elevação — dos juros nos Estados Unidos.
Além do ambiente externo, investidores também acompanharam o agravamento das tensões políticas no Brasil. O mercado reagiu aos desdobramentos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
As novas revelações divulgadas pelo site Intercept Brasil também ampliaram a cautela em relação aos ativos brasileiros ao envolverem relações do deputado cassado Eduardo Bolsonaro com a instituição financeira.
O aumento das incertezas políticas reforçou a busca por proteção cambial e contribuiu para a pressão sobre o dólar ao longo do pregão.