Bolsa brasileira registra queda de 7,2%; dólar volta a superar R$ 5 e fuga de capital estrangeiro pressiona os mercados.

A Bolsa brasileira encerrou maio com seu pior desempenho mensal em mais de três anos, refletindo uma mudança relevante no humor dos investidores globais. O Ibovespa, principal índice da B3, acumulou queda de 7,22% no mês, o recuo mais intenso desde fevereiro de 2023.
Enquanto o dólar voltou a fechar acima de R$ 5 diante da saída de capital estrangeiro e da reorganização dos fluxos globais de investimento.
Nesta sexta-feira (29/5), último pregão do mês, o Ibovespa caiu 0,73%, encerrando aos 173.787 pontos. Já o dólar comercial avançou 0,24%, terminando cotado a R$ 5,0453.
O resultado consolida um mês de forte correção no mercado acionário brasileiro após o índice ter atingido recordes históricos em abril. Desde então, a Bolsa saiu da faixa dos 187 mil pontos para a casa dos 173 mil pontos, reduzindo o ganho acumulado em 2026 para 7,86%.
A principal explicação para o movimento está na mudança do fluxo internacional de capital. Nos últimos meses, os mercados emergentes haviam sido beneficiados por um ambiente global mais favorável ao risco.
Agora, parte desses recursos retorna para bolsas desenvolvidas, especialmente para empresas de tecnologia nos Estados Unidos e em importantes mercados asiáticos.
Enquanto a B3 enfrentava um dos seus piores meses recentes, os principais índices norte-americanos renovavam máximas históricas. O Nasdaq, fortemente concentrado em empresas de tecnologia, acumulou valorização de 8,36% em maio. Já o S&P 500 avançou 5,15% no período.
A migração de recursos reduziu a atratividade relativa do mercado brasileiro. Especialmente em setores ligados a commodities e bancos, que exerceram forte pressão sobre o Ibovespa durante o mês.
O movimento também impactou diretamente o câmbio. Após registrar forte queda em abril, quando recuou 4,36%, o dólar voltou a ganhar força em maio e encerrou o mês com alta acumulada de 1,82%.
Segundo dados do mercado, a saída líquida de investidores estrangeiros da bolsa brasileira alcançou aproximadamente R$ 14,1 bilhões até o dia 27 de maio. Reduzindo a oferta de moeda americana no país e contribuindo para a valorização do dólar.
Além da movimentação internacional de recursos, o mercado passou a revisar expectativas para os juros. O crescimento de 1,1% da economia brasileira no primeiro trimestre de 2026, acima das projeções, reforçou a percepção de que o Banco Central poderá manter a taxa Selic elevada por mais tempo.
Nos Estados Unidos, a expectativa de juros elevados também continua sustentando a demanda global por dólares.
A divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro surpreendeu positivamente o mercado e trouxe novos elementos para a política monetária.
Embora o crescimento seja uma notícia positiva para a atividade econômica, ele também aumenta as preocupações com a inflação. Diminuindo as apostas em cortes rápidos da Selic nos próximos meses.
Esse cenário tende a manter os investidores atentos aos próximos sinais do Banco Central e aos indicadores de inflação, que serão determinantes para a trajetória dos juros ao longo do segundo semestre.
O desempenho dos mercados em junho dependerá principalmente de três fatores: a continuidade ou não da saída de recursos estrangeiros do Brasil, os próximos sinais dos bancos centrais sobre juros e a evolução das tensões geopolíticas internacionais.
Após um dos meses mais difíceis para a bolsa brasileira desde 2023, investidores acompanham com atenção se a correção observada em maio representa apenas uma realização de lucros após os recordes históricos ou o início de uma mudança mais duradoura no fluxo global de capitais.