sábado, 6 de junho de 2026
Cooperativas goianas oferecem salários maiores e ambientes mais humanos

Cooperativas goianas oferecem salários maiores e ambientes mais humanos

Cooperativas de Goiás transformam gestão de pessoas em vantagem competitiva e se destacam entre as melhores empresas para trabalhar.

6 de junho de 2026

Cooperativas pagam mais, retêm talentos e se consolidam como referência em gestão de pessoas em Goiás

Em um mercado cada vez mais competitivo, onde a retenção de talentos se tornou um dos maiores desafios das organizações, as cooperativas goianas vêm demonstrando que resultados financeiros sólidos podem caminhar lado a lado com ambientes de trabalho mais humanos, participativos e voltados ao desenvolvimento das pessoas.

O reconhecimento recente de cooperativas como a Sicoob Engecred, Sicoob Emprecred e Sicoob Unicentro Norte BR entre as melhores empresas para trabalhar da região Centro-Oeste, segundo a consultoria internacional Great Place to Work (GPTW), reforça uma característica que tem se consolidado como diferencial estratégico do cooperativismo: a valorização das pessoas como elemento central da gestão.

Outras organizações cooperativistas também acumulam certificações e reconhecimentos pela qualidade do ambiente corporativo, entre elas Sicredi, Unimed Cerrado, Sicoob Unicentro BR e Central Sicoob Uni. Mais do que troféus ou posições em rankings, os resultados refletem uma cultura organizacional construída sobre pilares como diálogo, participação, desenvolvimento profissional, bem-estar e propósito coletivo.

Modelo de gestão

A valorização do capital humano começa dentro do próprio Sistema OCB/GO, entidade responsável pela representação do cooperativismo em Goiás. A instituição tem investido continuamente em programas de capacitação, reconhecimento profissional, canais permanentes de comunicação e iniciativas voltadas à qualidade de vida dos colaboradores.

Segundo o presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, o cuidado com as pessoas passou a ser um dos principais ativos estratégicos do cooperativismo.

“Hoje, um dos nossos grandes diferenciais é o cuidado com as pessoas. Trabalhamos continuamente para construir um ambiente organizacional que conjugue bem-estar e produtividade”, afirma.

Essa filosofia se espalha pelas cooperativas dos mais diversos segmentos, criando ambientes de trabalho que estimulam o comprometimento das equipes e fortalecem a cultura organizacional.

Escuta ativa

Na área da saúde, a Uniodonto Goiânia aposta na escuta ativa como ferramenta para aprimorar o clima organizacional e fortalecer o relacionamento entre lideranças e colaboradores.

A gerente de Gestão de Pessoas, Renata Borges, explica que pesquisas de clima, reuniões periódicas, feedbacks estruturados e canais permanentes de comunicação permitem identificar oportunidades de melhoria e alinhar as ações às necessidades das equipes.

“As informações levantadas servem como base para a implementação de melhorias, sempre alinhadas aos valores do cooperativismo e às necessidades dos colaboradores”, destaca.

No sistema financeiro cooperativo, a estratégia segue a mesma lógica. Na Sicoob Engecred, o investimento em capacitação profissional tornou-se uma das marcas da instituição.

A gerente da Área de Gente, Gestão e Cultura, Lígia Maria Pires Alencar do Vale, afirma que os resultados obtidos estão diretamente ligados ao compromisso da cooperativa em ouvir e desenvolver seus profissionais.

Somente em 2025, a cooperativa registrou mais de 60 horas de treinamento por colaborador, além de oferecer bolsas de estudo, incentivo a certificações profissionais e participação em congressos e eventos técnicos.

Para a colaboradora Saula Yanka Brito, esse apoio tem impacto direto em sua trajetória profissional.

“Percebo que o Sicoob Engecred compreende que investir na capacitação dos colaboradores gera melhores resultados e, por isso, não mede esforços para promover esse desenvolvimento”, relata.

Senso de pertencimento

Na área da saúde suplementar, a Unimed Cerrado também tem apostado em programas voltados ao desenvolvimento humano, ao fortalecimento da cultura organizacional e à ampliação dos espaços de participação.

De acordo com a gerente de Desenvolvimento Humano, Lina Souza de Oliveira, o modelo cooperativista favorece relações mais próximas entre lideranças e equipes.

“O cooperativismo orienta uma forma de gestão baseada em corresponsabilidade, diálogo e construção coletiva. Isso fortalece a relação entre lideranças e colaboradores e amplia os espaços de escuta”, afirma.

A assistente de Mercado da cooperativa, Maria Luisa Sousa Peres, destaca que a valorização das pessoas é percebida na rotina de trabalho.

“A valorização das pessoas, o incentivo ao diálogo e o suporte oferecido aos colaboradores fazem com que nos sintamos parte importante dos resultados da organização”, ressalta.

Salários maiores

Além dos benefícios relacionados ao clima organizacional, estudos apontam impactos concretos do cooperativismo sobre indicadores econômicos e trabalhistas.

Levantamento realizado pela Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape/UFG), com base nos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego, mostra que os trabalhadores das cooperativas vinculadas ao Sistema OCB/GO recebem remunerações significativamente superiores às observadas em empresas não cooperativistas.

Em 2023, a remuneração média dos empregados das cooperativas alcançou R$ 2.987 por mês, valor 54% superior aos R$ 1.941 registrados entre trabalhadores de empresas convencionais. A diferença média foi de R$ 1.046 mensais.

O estudo também identificou outro indicador relevante para o mercado de trabalho: a menor rotatividade de profissionais. Enquanto as cooperativas registraram menos de 40 substituições de colaboradores por ano, as empresas não cooperativistas apresentaram média de 51,6 desligamentos e admissões no mesmo período.

A redução da rotatividade representa ganhos tanto para trabalhadores quanto para empregadores. Para os profissionais, significa maior estabilidade financeira e oportunidades de crescimento na carreira. Para as organizações, reduz custos com recrutamento, seleção, treinamento e perda de conhecimento acumulado.

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