Dona da Pamonharia da Ana, em Anápolis, Ana Paula vendia pamonha para custear faculdade e hoje fatura mais de R$ 500 mil

A farmacêutica Ana Paula Rodrigues, de 36 anos, decidiu trocar a estabilidade da carteira assinada pelo empreendedorismo. O que começou como uma forma de complementar a renda da família e pagar a faculdade se transformou na Pamonharia da Ana, negócio que hoje atende cerca de 2,5 mil clientes por mês, fatura mais de R$ 500 mil por ano e já planeja expandir para outras cidades.
A história da empreendedora começou em 2020. Casada, mãe de três filhos e ainda cursando Farmácia, Ana aproveitou conhecimento que trazia desde a infância para aumentar a renda da família: fazer pamonhas. A tradição veio da família, que já trabalhava com a produção do alimento.
“Eu fazia as pamonhas praticamente para custear a minha faculdade. O meu salário e o do meu marido erma para manter a casa. Então, a pamonha surgiu para ajudar a pagar o curso”, relembra.
Venda
Na época, Ana trabalhava em uma indústria farmacêutica e fazia as pamonhas durante as noites de sexta-feira para vender aos colegas de trabalho no sábado. A aceitação foi tão grande que ela chegou a produzir cerca de 200 unidades por fim de semana apenas para atender os funcionários da empresa.
Com o aumento da procura, ela passou a vender também para moradores do bairro onde vivia. Em pouco tempo, a renda obtida com as pamonhas já superava o salário como farmacêutica.
Decisão corajosa
A virada definitiva aconteceu em 2023. Três dias antes de deixar a indústria, Ana inaugurou a Pamonharia da Ana, após investir R$ 45 mil no primeiro ponto comercial.
“Foi uma decisão muito corajosa. Eu comprei praticamente tudo fiado e precisava do acerto da empresa para pagar os investimentos. Mas eu já via que estava ganhando mais com as pamonhas do que com o meu salário”, afirma.
O pequeno espaço rapidamente ficou insuficiente para atender a demanda. Atualmente, o negócio atende entre 2 mil e 2,5 mil clientes por mês. A produção fica, em média, em 200 pamonhas por dia, podendo chegar a 500 unidades diárias nos períodos de maior movimento.

Sabores diferenciados
Segundo Ana, a inovação foi necessária para se destacar em um mercado competitivo. “Quando abri a pamonharia, eu tinha mais de dez concorrentes na região. Eu precisava fazer algo diferente. Primeiro veio a pamonha Super Queijo e, depois, nasceu a pamonha de costela, que hoje é um dos maiores sucessos da casa”, conta.
Por isso mesmo, além das versões tradicionais de sal e doce, o cardápio ganhou receitas que se tornaram marcas da casa, como a pamonha de costela, a Super Queijo e a de linguiça com jiló.
Para manter a produção, a pamonharia utiliza, em média, 10 mãos de milho por dia, o equivalente a cerca de 600 espigas. Nos fins de semana, o volume pode subir para 12 ou 15 mãos, conforme o movimento. Tudo isso é possível graças a cinco pessoas: a própria Ana, sua mãe, seu marido, a cunhada e um dos filhos.
Redes sociais
Outro fator decisivo para o crescimento do negócio foi o investimento nas redes sociais. Ao lado de um videomaker, Ana passou a mostrar os bastidores da produção e o preparo das pamonhas de forma espontânea. A estratégia fez o perfil da empresa saltar de cerca de 3 mil para 17,5 mil seguidores, com vídeos que ultrapassaram quatro milhões de visualizações.
“Não adianta viralizar só para ganhar seguidores. O objetivo é transformar isso em venda. Hoje recebemos encomendas de Goiânia, Brasília, Rio Verde e até de Manaus por causa dos vídeos”, destaca.
Faturamento
Em 2025, a Pamonharia da Ana registrou faturamento bruto entre R$ 500 mil e R$ 550 mil. Para este ano, a expectativa é alcançar entre R$ 600 mil e R$ 700 mil, enquanto os recursos continuam sendo reinvestidos na ampliação da estrutura.
Os próximos passos incluem um espaço maior, com área infantil, a retomada do fornecimento para supermercados e, principalmente, a expansão da marca para outras cidades.
“Meu sonho é levar a pamonha goiana para mais pessoas. Tenho muita vontade de abrir unidades em Goiânia e Brasília e, no futuro, transformar a Pamonharia da Ana em uma franquia. Acho que o sonho de todo empreendedor é crescer e fazer o seu produto chegar cada vez mais longe”, conclui.