
Os estrangeiros representam uma parcela pequena, mas crescente, do empreendedorismo em Goiás. Dados do Sebrae apontam que o Estado possui 2.239 Microempreendedores Individuais (MEIs) estrangeiros, o equivalente a 0,34% do total de registros.
Já os brasileiros somam 653.946 MEIs, correspondendo a 99,66% do universo de empreendedores formalizados.
Guineense
Entre esses empreendedores está Nyna Koxta, natural de Guiné-Bissau, que chegou ao Brasil em 2012 por meio do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), iniciativa que oferece vagas em universidades brasileiras para estudantes de países da África, América Latina e Ásia.
A guineense veio para cursar graduação, concluiu os estudos em 2017 e decidiu permanecer em Goiânia, cidade onde enxergou espaço para transformar sua cultura em um negócio.
A escolha pela capital goiana não foi por acaso. Segundo Nyna, a cidade reunia características que despertaram seu olhar empreendedor.
“Eu decidi montar a minha empresa porque Goiânia é uma cidade que tem bastante pessoas pretas e eu vi essa necessidade de as pessoas se conectarem com as suas raízes, sua ancestralidade. Eu sempre usava roupas africanas e as pessoas perguntavam onde poderiam comprar”, conta.
Impulso
A empresária explica que a procura aumentava especialmente durante eventos ligados à cultura africana, como a Semana da África, realizada anualmente na capital. A demanda fez com que ela percebesse a oportunidade de comercializar roupas e acessórios inspirados em tecidos e estampas tradicionais do continente.
O impulso definitivo para abrir a empresa surgiu durante a formatura de uma amiga, em Belo Horizonte. Na ocasião, Nina revestiu um sapato com o mesmo tecido utilizado no vestido da colega. O resultado agradou e despertou a ideia de transformar aquele trabalho artesanal em um negócio.
Produção

De volta a Goiânia, ela investiu na fabricação dos primeiros pares de sapatos com estampas africanas. O dinheiro inicial veio de um empréstimo da orientadora da universidade.
“Quando eu vendi tudo, eu vi que estava no bom caminho. Voltei a fabricar novamente, consegui pagar a dívida da minha professora e continuar com o negócio”, relembra.
Hoje, a marca Nyna Koxta reúne roupas, acessórios, artigos de decoração, aluguel de figurinos e produção para eventos culturais. Mais do que comercializar produtos, a empreendedora afirma que busca aproximar os brasileiros da cultura africana.
“A Nyna Koxta não é só vender roupa, mas fazer essa conexão com a história africana, com a moda africana e com as nossas raízes.”
Desafios
Apesar do crescimento da empresa, Nyna afirma que empreender como mulher negra e imigrante ainda impõe desafios. Entre eles estão a dificuldade de encontrar tecidos africanos originais e o preconceito enfrentado no mercado.
Mesmo assim, ela destaca que buscou capacitação para fortalecer o negócio.
“A gente sabe que tem muitos entraves, principalmente para nós, mulheres negras, imigrantes. Mas, graças a muitas formações e à parceria com o Sebrae, digo que sou uma empreendedora muito bem preparada para lidar com esses pequenos grandes problemas.”
Para a empresária, cada peça comercializada carrega um significado que vai além da moda. “Quando a pessoa olha para a minha roupa, ela sente o poder, sente que vai ser empoderada. Faço questão de levar isso em cada peça.”