Seis em cada dez trabalhadores não têm reserva de emergência, enquanto mais da metade tem interesse em previdência

Mesmo sem dinheiro para reserva de emergência, o brasileiro quer investir em sua aposentadoria. A conclusão vem de levantamento da Stay, empresa de previdência privada e programas de saúde financeira. Seis em cada dez trabalhadores não possuem recursos guardados para imprevistos e 65% chegam ao fim do mês sem dinheiro ou no vermelho após pagar as contas. Porém, 58% dizem ter interesse em investir em previdência privada.
Essa contradição é reiterada por alguns dados da pesquisa da Stay. Por exemplo, entre os trabalhadores cuja principal meta financeira é quitar dívidas, 55% dizem ter interesse em previdência. O percentual sobe para 74% entre os que buscam se aposentar para ter independência financeira.
Necessidade
De acordo com a pesquisa, 61% não têm dinheiro para a reserva de emergência. Brasileiros com maiores rendas tendem a guardar algum recurso, mas a dificuldade não desaparece mesmo entre os que ganham mais. Entre quem recebe mais de R$12 mil mensais, quatro em cada dez não possuem recursos para imprevistos.
Entre os que recebem até R$ 2 mil, a situação é bem pior: 77% não têm reserva de emergência. O motivo é claro, já que pessoas com essa faixa de renda estão preocupadas em sobreviver primeiro e pouco tempo e recursos possuem para guardar.
Dívida
Os resultados condizem com os encontrados na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O levantamento aponta que 82% das famílias brasileiras precisam vencer alguma dívida e a inadimplência atinge 29,9% das famílias. 12,5% não conseguem pagar contas atrasadas. Os números crescem em famílias com rendas menores.
De acordo com a Stay, 21% dos trabalhadores estão endividados e quase metade considera finanças um motivo de estresse. 45% dizem que sabem apenas o básico sobre finanças. Talvez o baixo conhecimento explique as contradições: 28,9% querem se aposentar, 26.6% querem começar a poupar e 26,4% querem quitar dívidas. Os dois últimos grupos representam mais da metade dos entrevistados.
“Mais da metade das pessoas ainda está tentando chegar ao básico. Antes de falar em aposentadoria, é preciso devolver fôlego ao orçamento”, disse Tsai Chi-yu, CEO da empresa.

Contraste
A pesquisa da Stay revelou um grande contraste entre o discurso e a prática. Ainda que muitos tenham interesse na previdência privada (58%), a adesão permanece baixa. Em junho, 11,2 milhões de pessoas tinham ao menos um plano de previdência privada no país, cerca de 5% apenas da população, de acordo com a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi).
O número supera em pouco os 10% da força de trabalho brasileira, estimada em 108 milhões de pessoas. A relação demonstra o alcance limitado do produto no Brasil. No levantamento da Stay, 34% responderam que ainda não sabem se querem previdência privada. Entretanto, é possível que seja uma questão de falta de informação.
“Quem respondeu ‘não sei’ não está dizendo ‘não’. Está dizendo que ainda não teve acesso à informação de qualidade”, afirma , CEO da Stay.