sábado, 7 de novembro de 2026
Brasil tem maior juro real do mundo e encarece crédito para empresas

Brasil tem maior juro real do mundo e encarece crédito para empresas

Com taxa básica real de 9,05% ao ano, país lidera ranking de 40 economias.

7 de novembro de 2026

O Brasil continua no topo do ranking mundial de juros reais. Uma posição que representa um dos principais obstáculos à expansão da atividade econômica e aos investimentos produtivos. Segundo levantamento da consultoria Moneyou, o país registra uma taxa real de 9,05% ao ano. Mais de sete vezes a média de 1,27% das 40 economias analisadas.

O indicador, que desconta a inflação dos juros nominais, coloca o Brasil à frente de países como Turquia (7,77%), Argentina (6,80%), Rússia (6,57%) e Colômbia (4,05%). A distância aumentou desde setembro, quando a taxa brasileira estava em 8,45%.

O cenário ganhou força após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na quarta-feira (4/11), de interromper o ciclo de redução da Selic e manter a taxa básica em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime e justificada pelo aumento das incertezas econômicas e pela persistência das expectativas de inflação acima da meta.

Investimentos

Para o setor produtivo, a manutenção dos juros em patamares elevados significa crédito mais caro, maior custo de capital de giro e dificuldades para financiar novos projetos. Empresas que dependem de empréstimos para ampliar instalações, modernizar equipamentos ou reforçar estoques enfrentam condições financeiras mais restritivas.

Em Goiás, onde o agronegócio, a indústria, o comércio e os serviços têm participação relevante na economia, os efeitos atingem diferentes segmentos. O encarecimento do financiamento de máquinas agrícolas, veículos, equipamentos industriais e imóveis pode comprometer decisões de investimento e reduzir o ritmo de expansão dos negócios.

O impacto também chega ao consumidor. Com financiamentos mais caros, as famílias tendem a adiar compras de maior valor, reduzindo a demanda e afetando o faturamento das empresas.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou como injustificável a manutenção da Selic. Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, existe espaço para reduzir os juros sem comprometer o controle da inflação. “É possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta, sem impor à economia um custo maior”, afirmou.

Dívida pública

Os juros elevados também pressionam as contas públicas. Segundo dados do Banco Central apresentados no levantamento, os juros nominais da dívida pública somaram mais de R$ 1,1 trilhão em 12 meses, equivalentes a aproximadamente 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

A dívida bruta brasileira passou de 71,7% do PIB, em 2022, para cerca de 82,9% em agosto de 2026. O avanço intensifica o debate sobre o equilíbrio fiscal e o custo da política monetária.

Parte dos economistas defende maior controle dos gastos públicos como condição para reduzir os riscos fiscais e permitir juros menores. Outra corrente argumenta que o próprio custo elevado da dívida contribui significativamente para a deterioração das contas públicas.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também criticou o atual patamar da Selic. Segundo ele, o governo pretende promover ajustes estruturais para criar condições de redução sustentável dos juros, preservando os programas destinados à população de menor renda.

Perspectivas para 2027

A trajetória dos juros será uma das principais variáveis para o desempenho da economia brasileira em 2027. Embora o Banco Central mantenha o compromisso de controlar a inflação, a continuidade de taxas reais elevadas tende a restringir o crédito e dificultar a recuperação dos investimentos privados.

Para o empresariado, especialmente os setores mais dependentes de financiamento, o desafio será equilibrar custos financeiros, produtividade e capacidade de expansão em um ambiente ainda marcado por incertezas.

O Brasil entra, assim, em um novo ciclo econômico com um desafio central: reduzir a inflação e o custo do dinheiro sem comprometer o crescimento e a competitividade das empresas.

Saiba mais: Juros básicos a 13,75% impõem novos desafios à economia

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