segunda-feira, 15 de julho de 2024
Soluti é a segunda maior em certificação digital do País

Soluti é a segunda maior em certificação digital do País

A empresa goiana Soluti ainda não tem dez anos, mas já assumiu a segunda posição no mercado nacional de certificação digital (atrás apenas da Certisign). Nos últimos anos, a empresa experimentou crescimento de 70% ao ano, está presente em 1.300 cidades em todos os Estados, com quase 100 distribuidores em todo o País e 2,5 […]

27 de agosto de 2017

A empresa goiana Soluti ainda não tem dez anos, mas já assumiu a segunda posição no mercado nacional de certificação digital (atrás apenas da Certisign). Nos últimos anos, a empresa experimentou crescimento de 70% ao ano, está presente em 1.300 cidades em todos os Estados, com quase 100 distribuidores em todo o País e 2,5 mil pontos de atendimento. Faturou R$ 40 milhões em 2016 e deve fechar este ano na casa dos R$ 60 milhões. Nada mal para quem começou numa garagem, contando com ajuda da mãe para os primeiros equipamentos.

Quase 1 milhão de clientes recebem soluções em identificação digital e criptografia em transações eletrônicas. As soluções criadas pela Soluti buscam garantir aos seus clientes mobilidade, conectividade e praticidade no dia a dia em atividades pessoais no uso dos meios digitais. A empresa conta hoje com um quadro de 500 funcionários.

Gigante do varejo de certificações digitais, o Grupo Soluti tem duas empresas especializadas na área: e-Sec (desenvolvedora de soluções de identificação digital) e Certillion (soluções móveis para assinaturas digitais). Autoridade certificadora internacional, a Soluti adquiriu este ano a operação de Certificação Digital da DocuSign, empresa norte-americana também da área de assinatura digital vinculada à Serasa, o que ampliou o posicionamento do grupo goiano em São Paulo.

E os planos não param. A empresa quer acelerar processos de crescimento orgânico e aquisições (para trazer volume e empresas de tecnologia que vão agregar valor ao seu portfólio), tem planos de internacionalização, discussão em pauta para os próximos 10 anos, assim como avaliar abertura de capital. Além da parceira com a Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), a Soluti quer expandir sua atuação no agronegócio e entrar em novos mercados onde ainda não está.

Reginaldo Borges (diretor de Tecnologia), Flávia Sousa e Vinicius Sousa querem tornar a Soluti a maior do País

A história da Soluti começou com Cássio Vieira de Sousa, empreendedor goiano que passou uma temporada nos Estados Unidos no início dos anos 2000. Estudou tecnologia e empreendedorismo na Universidade de Stanford e vivenciou um pouco da ebulição tecnológica que tornou famoso o chamado Vale do Silício. Voltou para Goiânia em 2006 disposto a montar o próprio negócio e recebeu sugestões do sogro da irmã sobre certificação digital, um negócio então ainda muito concentrado no poder público e que engatinhava na esfera privada no Brasil.

No setor público o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) liderava nessa área, enquanto Serasa e Certisign abarcavam o mercado privado. Iniciado no meio e disposto a ter o próprio negócio, Cássio convidou os irmãos Vinicius e Flávia para apostarem na ideia. Com zero de capital e ajuda da mãe para comprar os primeiros equipamentos, surgiu a Soluti em meados de 2007, mas só registrada em abril de 2008.

“Acho que começamos num ambiente favorável, influenciado por uma conjuntura de fatores. O Brasil já possuía uma boa técnica de criptografia e a tecnologia de certificação digital experimentada por aqui levou o País a criar um bom marco regulatório em 2001. Nisso, já havia a área fiscal demandando muita certificação. Então, as possibilidades estavam abertas, foi nisso que apostamos”, diz Vinicius, que assumiu o comando da empresa com a morte de Cássio em 2011, num acidente de carro.

A aposta dos irmãos Sousa deu muito certo. Em 2009 investiram R$ 50 mil para se credenciarem como autoridade de registro junto ao Serpro. “De meros consultores, passamos a entregar a solução completa para as empresas. Identidade e assinatura são palavras-chave nesse negócio, é isso que garante sigilo e segurança das informações”, comenta. Mas ainda era pouco, haviam novos e promissores desafios pela frente. Desde então, a Soluti vislumbrava tornar-se uma autoridade certificadora, um passo ambicioso, que precisava de alto investimento.

Divisor de águas
Em 2010, iniciaram a preparação para o que ainda era sonho, pesquisaram mais sobre o mercado, profissionalizaram a equipe e sondavam a forma certa de obter o passo seguinte. “De novo veio a questão da conjuntura. Ainda marcados pela perda do meu irmão, conseguimos um financiamento para conquistar o selo de autoridade certificadora”, conta sobre o empréstimo de R$ 5 milhões, encorajados com a baixa momentânea dos juros estimulada pelo governo federal.

Foi um novo divisor de águas para a Soluti. O alto investimento se explica, segundo Vinicius, em função da necessidade de infraestrutura tecnológica e atendimento à regulação do setor. Uma autoridade certificadora precisa atender a rígidos protocolos de segurança, ter softwares e servidores de alta capacidade e confiabilidade. As chamadas “salas-cofre” da empresa, por exemplo, são mantidas em São Paulo e Rio de Janeiro, uma operação que, segundo Vinicius, ainda não é possível trazer para Goiânia.

Tornada autoridade certificadora, um novo mercado se abriu para a Soluti a partir de 2012 e a empresa passou a se especializar em varejo. Entrega soluções completas em certificação digital para escritórios de advocacia, lojas, indústrias, empresas de todos os tipos e tamanhos. Para ampliar sua expertise, vem adquirindo pequenas empresas especializadas em diferentes aplicações. Primeiro comprou a E-Sec, de Brasília, especializada em criptografia e certificação. Depois, a operação de Certificação Digital da norte-americana DocuSign.

Com isso, a Soluti hoje é uma gigante do varejo e segue mirando novas oportunidades. “Estamos atendendo aos hospitais Oswaldo Cruz e Albert Einstein e temos conversas para atender o Sírio Libanês”, diz Vinicius. A empresa segue atenta e não descarta chegar a nenhum outro ramo. Continua de olho em oportunidades para novas aquisições de empresas de tecnologia que agreguem valor ao seu portfólio. Pesquisa e inovação também não saem do foco, como a tendência da internet das coisas. Para a Soluti o céu pode ser o limite, mas não sem antes desbancar a Certisign, líder de mercado em certificação digital no Brasil. Por ora.

Wanderley de Faria é jornalista especializado em Economia e Negócios, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA/FEA/USP - BM&FBovespa

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