quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024
Agro: planejamento e precaução são as diretrizes

Agro: planejamento e precaução são as diretrizes

Apesar do saldo positivo em 2023, este ano exige atenção especial do agronegócio por diversas questões geopolíticas, econômicas e climáticas.

6 de janeiro de 2024

Edson Novaes, da Faeg, sobre o resultado do agro goiano em 2023: “Safra cheia e bolso vazio”

Planejamento e precaução. Essas são as duas diretrizes que vão reger o agronegócio goiano em 2024, de acordo com as entidades ligadas ao setor (Faeg e OCB/GO) ouvidas pelo EMPREENDER EM GOIÁS (EG). Apesar de 2023 ter tido um saldo positivo, mas que impôs persistência e gestão, este ano exige atenção especial por diversas questões geopolíticas, econômicas e climáticas.

De acordo com estimativas do Instituto Mauro Borges (IMB), o PIB Agropecuário de Goiás registrou alta de 12,7% no ano passado. Ou seja, ficou abaixo dos 14,2% do país. Apesar disso, o Produto Interno Bruto (PIB) de Goiás cresceu 5%. O percentual é maior do que o PIB nacional do país, que foi de apenas 3%.

Entretanto, segundo Edson Alves Novaes, gerente técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), os resultados representaram o que ele caracteriza como “safra cheia e bolso vazio”. Apesar do recorde da safra 2022/2023, que atingiu 52 milhões de toneladas de grãos, o impacto na rentabilidade do produtor foi baixo.

“A gente teve um recorde de exportação em 2023: 18% a mais do que no ano passado. Além disso, 88% do total colhido foi exportado. Apesar dos grandes volumes de produção, a gente não teve o mesmo resultado em rentabilidade”, ressalta.

Planejamento

Para Novaes, outras duas palavras vão reger o setor em 2024: planejamento e precaução. Segundo ele, certos pontos vão chamar atenção, como a possível desvalorização da economia mundial, questões geopolíticas – como a guerra Rússia-Ucrânia e Israel-Hamas, assuntos relacionados ao Mercosul, reforma tributária e fatores climáticos, como o El Niño.

“Estamos com a expectativa de que a economia brasileira cresça 1,5% a 3% em 2024. A gente torce para um cenário de queda na inflação e taxa de juros. Porém, nós já tivemos irregularidades na precipitação de chuvas, o que elevaram as temperaturas. Diante disso, houve queda de 0,7% de área, 6,5% menos na produtividade e redução de 7% na produção. Que pode passar de 32 milhões para 30 milhões de toneladas”, afirma o técnico da FAEG.

Novaes ainda lembra a questão do ajuste fiscal promovido pelo governo federal que pode provocar arrocho de rentabilidade ao produtor. Diante da situação, ele reforça que será um ano desafiador.

“Nenhum setor está preparado para ser taxado. Conseguimos perante à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) que alguns setores não fossem impactados. Em Goiás, temos a taxa do agro (que banca os investimentos do Fundeinfra, do Estado). Ninguém gosta de um encargo a mais. Mas torcemos que isso possa ter um efeito prático nas estradas e que a gente possa aumentar a nossa competitividade em relação ao frete e transportes”, frisa o gestor da FAEG.

Luís Alberto, presidente do Sistema OCB/GO: “Cooperativas tiveram bom resultado, mas há preocupação”

Cooperativismo

O presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, pontua que 2023 foi um bom ano para as cooperativas do agro, com algumas registrando aumento de 20% a 25%. Porém, ele reforça que este ano é de bastante preocupação. “A gente nota que os preços estão estabilizados e que a volta da normalidade – que vem desde a pandemia – dará vazão para que a margem de lucro de muitos produtores seja comprimida. Também tivemos o efeito do clima, que fez com que muitos produtores replantassem”, frisa.

Luís Alberto lembra que investimentos em infraestrutura também são importantes para 2024. Principalmente em energia, que tem sido um problema muito difundido por várias entidades devido às oscilações na distribuição. Principalmente, na zona rural.

Além disso, o presidente do Sistema OCB/GO ressalta que as plantações de algumas culturas, como a soja e o milho, podem ser impactadas negativamente pelo El Niño. “Por causa desse fenômeno, a gente já nota que choveu menos do que precisava. Em alguns locais, choveu apenas 40% do esperado. Podemos prorrogar o período de plantação da soja, que se encerra em 12 de janeiro. Isso pode influenciar também na safrinha do milho”, afirma.

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