segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024
Sinduscon critica abandono do Centro de Goiânia

Sinduscon critica abandono do Centro de Goiânia

Hidebrair Henrique fala sobre os desafios para a construção civil goiana, falta de mão de obra e revitalização do Centro de Goiânia.

11 de fevereiro de 2024

Hidebrair Henrique: “Queremos mostrar que a construção civil é uma oportunidade de renda e empregabilidade”

O Sindicato da Indústria da Construção do Estado de Goiás (Sinduscon) avalia que o abandono do Centro de Goiânia aconteceu muito mais rápido que em outras metrópoles do País. Em entrevista exclusiva ao EMPREENDER EM GOIÁS, o presidente da entidade, Hidebrair Henrique de Freitas, afirma que empresários do setor já vislumbram investimentos para a região central da capital goiana.

Mas, para isto, Hidebrair Henrique frisa que será importante aprovar o projeto de lei municipal que cria o programa Centraliza. Ele concede incentivos fiscais para empresários investirem em melhorias no Centro. “Faz dó andar pela região à noite e ver o deserto que é ali. Uma cidade que é tão nova, tem uma arquitetura Art Déco muito bonita”, enfatiza.

O presidente do Sinduscon-GO também enfatiza para um grande desafio ao setor, especialmente na Grande Goiânia: escassez de mão-de-obra. São mais de 1 mil vagas disponíveis atualmente só na capital. Existem dois problemas principais: informalidade alta e preconceito com o setor.

Para resolver (ou amenizar) este problema, a entidade está implantando projeto que objetiva oferecer maior preparo aos profissionais deste mercado. Confira os principais trechos da entrevista:

Como está o mercado da construção civil em Goiânia e quais são seus maiores desafios?

A construção civil passa por um momento muito favorável, com muitas obras em andamento na Grande Goiânia. Contudo, a gente tem uma demanda grande por novos imóveis, o setor vê insuficiência e, até mesmo, incapacidade da mão de obra que as empresas demandam. O mercado tem essa carência, mas uma das coisas que a gente vê que entra em conflito é a informalidade. É um desafio do nosso sindicato, reduzirmos a informalidade, no intuito de contratarmos mais pessoas. E, para isso, no quesito qualificação, a gente conta com o nosso Sistema S, o Senai que nos ajuda muito com capacitações dos colaboradores.

Como é possível reduzir a informalidade?

Temos que implantar na nossa nova gestão uma campanha de valorização da mão de obra. A construção civil paga uma média salarial bem acima acima da média nacional. A média do salário pago ao servente em um canteiro de obras é de R$ 2 mil. E, com pouco treinamento e profissionalização, esse servente pode virar um pedreiro, esse ajudante de carpintaria pode virar um carpinteiro, um pintor. E já sair ganhando duas vezes mais o salário inicial. No entanto, encontramos muitas resistências e até preconceitos na entrada da construção civil. Então, queremos chamar a atenção disso: mostrar que a construção civil é uma oportunidade de renda e empregabilidade.

Por que o senhor acredita que, por mais que tenha muitas obras, muita oportunidade de trabalho, ainda há essa escassez de mão de obra?

A escassez da mão-de-obra não para porque a gente enfrenta um mercado de Goiás muito pujante. Um mercado que tem muitas ofertas de emprego. O Estado é um recordista de empregabilidade no Centro-Oeste. Então, a gente compete com todos os setores econômicos (por mão de obra). E existe esse preconceito na construção civil. Existe muita gente da construção civil também que não está na formalidade que a gente não consegue medir.

Como seria a universidade da construção?

A Residência em Engenharia é um projeto em parceria do Sinduscon Goiás, Crea e a FIEG, na figura da instituição da Fatesg. É um projeto inédito de residência no nosso país voltado para a engenharia. Para aqueles estudantes que estão concluindo o ensino superior e para os profissionais que concluíram o ensino superior nos últimos quatro anos. Dando oportunidade de maior capacitação, de atualização, além do que aprendeu na universidade. As aulas serão ministradas presencialmente na Fatesg, todas as sextas-feiras.

Em que pé está este projeto?

A gente está com a proposta de formar um curso de dois anos, com uma carga horária de mais de 600 horas, com profissionais atuantes no mercado imobiliário, da construção civil, mercado da construção pesada. A nossa primeira turma vai ser formada com 40 alunos. A previsão de início é no final de março. Mas dependemos das empresas associadas aderirem ao projeto. E eu aproveito para convidar a todos e sensibilizá-los da importância de melhorar a qualificação dos engenheiros formados nos últimos quatro anos.

“A gente enxerga que houve um déficit na qualidade do ensino superior nos últimos anos e queremos mudar isso”

Como avalia que essa residência vai ajudar para que o mercado se torne mais competitivo e até mesmo atraente para se trabalhar?

O mercado de engenharia de Goiânia, de Goiás, muito nos orgulha, a nível nacional. Nossa engenharia não perde para outras praças do país, no quesito de qualidade técnica, entrega final de obra, baixo índice de pós-obra, tudo em mérito da nossa engenharia. A gente não pode perder esse título, essa oportunidade que temos de fazer boas engenharias, com um grande número de empresas de engenharia em Goiás, muito acima das que existem em praças que são referências. A gente enxerga que houve um déficit na qualidade do ensino superior nos últimos anos e queremos mudar isso. Uma forma é este curso inédito da residência da engenharia civil, onde os alunos podem ser acolhidos dentro das empresas, que vão fazer esse investimento para melhorar a qualificação nesse período de pós-graduação.

Como está o debate sobre as leis complementares para a reforma tributária?

Esse é um tema muito importante para o Sinduscon, juntamente com todo o setor que está preocupado. A CBIC, presidida pelo goiano Renato Vieira, está encabeçando esta mobilização do setor em Brasília. O nosso produto, a habitação, tem um impacto muito grande, principalmente se pensarmos nas classes mais econômicas. A gente se preocupa muito com o impacto do custo que a reforma tributária pode causar ao consumidor final. A CBIC, de forma organizada, está debatendo os impactos ao nosso setor, na produção de imóveis, sejam em lotes, apartamentos ou casas. Buscamos o menor impacto possível, diante da necessidade do governo de manter e aumentar a sua arrecadação. Com a regulamentação da reforma, a gente tem que achar uma maneira como o nosso setor vai colocar seus produtos no mercado.

Como o senhor avalia o projeto para a revitalização do Centro de Goiânia?

Goiânia tem apenas 90 anos e tem seu Centro já abandonado. Esse é um problema de grandes cidades com mais de 100, 200, 300 anos. Mas a gente já encontra isso na nossa capital. Vemos com muito pesar a quantidade de lojas fechadas, o quanto a região central de Goiânia está degradada. Entendemos que é muito importante a sociedade, de modo geral, olhar para o Centro. Portanto, apoiamos o projeto de lei que cria o programa municipal Centraliza. Entendemos que suas propostas podem levar adiante a revitalização do Centro, que já conta com muita infraestrutura instalada. Então, é muito importante que a sociedade enxergue essa possibilidade de investir na região. Defendemos que o projeto seja aprovado o mais breve possível pela Câmara Municipal.

Novos empreendimentos são uma forma para garantir que o Centro de Goiânia volte a ser o que era antes?

Isso já é uma expectativa de alguns empresários do mercado, onde vislumbram a aprovação desse projeto e o seu potencial para retomar o nosso Centro. A gente não pode pensar também só no quesito comércio. É muito importante, mas também precisamos ampliar a ocupação residencial do Centro. Faz dó andar pela região à noite e ver o deserto que é ali. Uma cidade que é tão nova, tem uma arquitetura Art Déco muito bonita. Temos de aproveitar melhor esse espaço que já existe e dar mais uso para Centro.

Leia também: Construção deve movimentar R$ 9 bilhões na Grande Goiânia

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