
O mercado imobiliário de Goiânia segue em forte expansão, impulsionado principalmente pela valorização dos bairros mais disputados da capital. Setores como Marista (R$ 13.462/m²), Bueno (R$ 12.671/m²), Oeste (R$ 12.495/m²) e Jardim Goiás (R$ 12.828/m²) concentram a maior demanda e já registram preço médio de R$ 12.881/m².
O desempenho do mercado imobiliário da capital também supera com folga o cenário nacional. Enquanto o mercado imobiliário brasileiro cresceu 4,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, Goiânia registrou aumento de 12,7% nas vendas de imóveis, alcançando 2.882 unidades comercializadas — um ritmo três vezes superior à média do país.
“É uma região consolidada, com ampla oferta de serviços, gastronomia, conveniência, mobilidade e qualidade de vida, permitindo que as pessoas realizem boa parte das atividades do dia a dia sem grandes deslocamentos. Além disso, continua apresentando forte potencial de valorização”, afirma o diretor-geral da Terral Incorporadora, Marcelo Borges
Segundo o diretor de Pesquisas e Estatísticas da Ademi-GO, Credson Batista, o crescimento do mercado imobiliário em Goiás tem bases estruturais. “Goiás cresce acima da média nacional há quase duas décadas consecutivas, impulsionado por uma economia diversificada e resiliente. O crescimento populacional e a consolidação de Goiânia como capital regional alimentam continuamente a demanda por imóveis”, explica.
Ainda maior
Apesar dos números positivos, a entidade avalia que o desempenho poderia ser ainda maior. Apenas 26% das vendas realizadas em Goiânia no primeiro trimestre estão enquadradas no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), percentual bem abaixo da média nacional, de 49%. Nos lançamentos, a diferença também chama atenção: enquanto o total de novos empreendimentos cresceu 15,8%, os projetos voltados ao programa avançaram apenas 2%.
Para Credson Batista, a oferta para famílias de menor renda praticamente ficou estagnada. “A oferta habitacional voltada para esse público ficou praticamente parada justamente em um momento de demanda crescente e de maior volume de recursos destinados ao programa”, afirma.

Obstáculos
Na avaliação do presidente da Ademi-GO, Felipe Melazzo, um dos principais obstáculos está na demora para aprovação dos projetos pela Prefeitura de Goiânia
“Nossa capital está perdendo um potencial enorme de fornecer moradia digna para a população que mais precisa. Disposição para investir existe. O que falta é destravar o processo de aprovação para que os projetos possam sair do papel”, destaca.
A preocupação também se estende aos empreendimentos de outros padrões. Segundo a entidade, associados relatam que os prazos de licenciamento chegaram a dobrar em relação à gestão anterior. O problema afeta inclusive a geração de empregos, já que 11% das vagas criadas em Goiânia no primeiro trimestre vieram da cadeia da construção civil.
Em alta
Mesmo diante desses gargalos, a tendência é de continuidade da valorização dos imóveis. O preço médio do metro quadrado na capital subiu 3,6% apenas nos três primeiros meses do ano, alcançando R$ 10.914/m².
Para Credson Batista, o cenário aponta para mais um ano de forte alta. “Devemos encerrar 2026 com valorização de dois dígitos e acima da Selic. Os fundamentos do crescimento do mercado goiano são sólidos e indicam que essa expansão tem base real”, avalia.
Além da elevada demanda, a Ademi-GO aponta uma série de fatores que pressionam os custos da construção, como aumento dos preços dos insumos, escassez de mão de obra qualificada, mudanças previstas na jornada de trabalho, reforma tributária e as alterações promovidas pelo novo Plano Diretor de Goiânia.
Restrições
Segundo o presidente do Conselho da Ademi-GO, Fernando Razuk, a revisão urbanística reduziu significativamente o potencial construtivo dos terrenos. “Onde antes se faziam 100 unidades, hoje só conseguimos implantar 75. Isso faz com que o terreno passe a custar pelo menos 33% a mais na conta e eleva o preço dos novos empreendimentos”, explica.
Razuk também destaca o aumento do custo de financiamento das incorporadoras devido à redução dos recursos da poupança e à necessidade de recorrer a linhas mais caras de crédito. Para ele, esse conjunto de fatores torna inevitável a continuidade da valorização dos imóveis.
“Tudo isso compõe o custo de produção dos apartamentos e só vemos elementos que tendem a aumentar ainda mais esse custo. Se houver redução dos juros dos financiamentos imobiliários, mais compradores entrarão no mercado e a valorização dos preços deve se intensificar ainda mais”, conclui.
Para a Ademi-GO, a desburocratização dos processos de aprovação de projetos será fundamental para ampliar a oferta de imóveis e equilibrar um mercado que segue aquecido, sustentado pelo crescimento econômico e populacional de Goiás.