
A inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu 0,77% no mês passado em Goiânia, bem acima da média nacional que foi de 0,58%. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação goianiense chegou a 5,30%, conforme informação divulgada nesta sexta-feira (12) pelo IBGE.
O índice é o segundo mais alto para o mês de maio em toda a série histórica disponível desde 2020, ficando atrás do resultado de maio de 2021, que foi de 0,79%. No ranking nacional, Goiânia ficou em 5º lugar entre as 16 localidades pesquisadas.
Gasolina
O aumento foi puxado pela gasolina, que subiu 4,54% na capital, enquanto caía 1,46% no Brasil, uma diferença de seis pontos percentuais. Com peso superior a 6,6% na cesta goianiense, a gasolina sozinha respondeu por grande parte da inflação do mês de maio.
O preço do litro do etanol também seguiu o mesmo caminho ao subir 1,98% na capital frente à queda de 6,20% na média nacional. Os combustíveis estão no grupo transportes, que avançou 1,80% na capital.
Alimentação
O segundo maior vetor da inflação goianiense em maio veio das prateleiras do supermercado. O grupo alimentação e bebidas subiu 1,38% na capital, resultado ligeiramente acima da média nacional (1,33%).
Dentro do grupo, a alimentação no domicílio avançou 1,72%, puxada pelo encarecimento de produtos presentes no dia a dia das famílias. A batata-inglesa registrou aumento de 51,01%. Também subiram de forma expressiva o feijão-carioca (+11,66%), a cebola (+9,54%) e o tomate (+6,63%).
Nem tudo, porém, foi pressão sobre o orçamento na alimentação. Os preços dos ovos de galinha registraram queda de 6,48%, sendo um dos principais itens de alívio dentro do grupo. As frutas recuaram 1,37%, com destaque para banana-prata (-3,93%), maçã (-1,88%) e laranja-pêra (-2,63%). As hortaliças também cederam 3,75%
O preço da alimentação fora do domicílio subiu de forma mais moderada, com alta de 0,45%, refletindo o aumento em refeições (0,51%) e lanches (0,45%).
Carne bovina
O grupo de carnes subiu 1,05% em Goiânia em maio, mas o que torna o resultado relevante é o peso que esses cortes têm na cesta local. O contrafilé, por exemplo, representa 1,82% do consumo goianiense, mais de três vezes o peso que ocupa na média nacional (0,49%).
Isso significa que cada alta nos cortes bovinos penaliza o orçamento do goianiense de forma proporcionalmente maior do que na maioria das cidades brasileiras.
No mês, o contrafilé subiu 2,08% e a alcatra avançou 2,16%, enquanto músculo (+1,13%) e lagarto (+0,61%) também registraram altas. No acumulado dos últimos 12 meses, o contrafilé já soma 9,83% de encarecimento em Goiânia. Registram queda de preços a carne de porco (-1,08%), o cupim (-1,3%) e o acém (-0,28%).
Conta de luz

Conforme o IBGE, o grupo habitação foi o principal fator que evitou índice maior de inflação em Goiânia, ao registrar queda de 0,57%. A queda representa movimento oposto ao do Brasil, onde o grupo subiu 1,22% no mesmo período.
O destaque positivo foi a energia elétrica residencial, que recuou 1,50% na capital. No Brasil, ao contrário, a conta de luz subiu 3,67%. Com peso de 4,29% na cesta goianiense, a queda da energia elétrica evitou que a inflação do mês fosse ainda mais pressionada.
O aluguel residencial também contribuiu positivamente, recuando 0,86% na capital goiana em maio, enquanto no Brasil houve alta de 0,23%. O preço do gás de botijão cedeu 0,22%. O vestuário também contribuiu com queda de 0,57%.
Menor renda
Além do IPCA, que abrange as famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, o IBGE divulgou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que abrange as famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos.
Em maio, o INPC de Goiânia subiu 0,70%, ficando abaixo tanto do IPCA da capital (0,77%) quanto do INPC nacional (0,65%). A diferença entre o INPC e o IPCA goianienses reforça que, em maio, os itens de maior peso no orçamento das famílias com rendimentos de até cinco salários mínimos subiram menos do que a média geral.