Estudo da Amcham destaca os impactos com a expansão da cadeia de lítio, terras raras, níquel e cobre. Desafio é transformar riqueza mineral em indústria e tecnologia

A corrida mundial pelos minerais críticos, considerados essenciais para a transição energética, a eletrificação da economia e a indústria de alta tecnologia, pode colocar Goiás entre os principais protagonistas do novo ciclo de desenvolvimento mineral brasileiro.
Um estudo inédito da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) estima que a expansão da cadeia desses minerais poderá acrescentar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até 2050 e criar cerca de 750 mil empregos. Caso o País consiga atrair investimentos estrangeiros e ampliar o processamento industrial dentro do território nacional.
Entre todos os estados brasileiros, Goiás aparece como um dos maiores beneficiados, atrás apenas do Pará e da Bahia. Segundo o levantamento, o impacto potencial sobre o PIB goiano pode alcançar 10%, percentual superior ao de Minas Gerais, tradicional potência mineral brasileira.
O ranking é liderado por Pará (16%), seguido por Bahia (10,3%), Goiás (10%), Piauí (4%) e Minas Gerais (3,8%).
Protagonismo
O estudo reforça uma mudança importante na economia mineral brasileira. Durante décadas, Goiás consolidou sua produção em segmentos como níquel, cobre, fosfato, nióbio e ouro. Agora, esses ativos passam a integrar um mercado estratégico impulsionado pela demanda mundial por baterias, veículos elétricos, energia renovável, inteligência artificial, equipamentos eletrônicos e tecnologias de defesa.
Na avaliação da Amcham, o Brasil reúne algumas das maiores reservas mundiais de minerais críticos, mas ainda captura uma parcela reduzida da riqueza gerada porque permanece concentrado na extração e exportação de matérias-primas, com baixo processamento industrial.
O que pode mudar
O levantamento compara dois cenários para o futuro do setor. No primeiro, o Brasil mantém o modelo atual, baseado principalmente em investimentos domésticos e exportação dos minérios sem grande agregação de valor. Nesse caso, o impacto acumulado seria de R$ 128,7 bilhões no PIB e aproximadamente 304 mil empregos.
Já o segundo cenário considera uma estratégia nacional mais ambiciosa, com maior participação de capital estrangeiro, instalação de plantas industriais, refino dos minerais em território brasileiro e utilização desses insumos pela indústria nacional. Nesse ambiente, o impacto sobe para R$ 192,1 bilhões no PIB, com geração de 750 mil empregos até 2050.
Oportunidade
Para Goiás, o estudo vai além da mineração. O potencial de crescimento está na possibilidade de consolidar um novo polo industrial ligado ao beneficiamento de minerais estratégicos, fabricação de componentes para baterias, produtos químicos, ligas metálicas especiais e equipamentos voltados à transição energética.
Essa transformação poderia fortalecer cadeias produtivas já presentes no Estado, ampliar investimentos privados, estimular inovação tecnológica e diversificar a economia goiana em segmentos de maior valor agregado.
Especialistas avaliam que a disputa internacional por minerais críticos tende a se intensificar nos próximos anos, especialmente diante da expansão dos veículos elétricos, do armazenamento de energia e das novas aplicações em inteligência artificial e defesa.
Nesse contexto, estados que conseguirem combinar disponibilidade mineral, infraestrutura e ambiente favorável aos investimentos poderão atrair grandes projetos industriais.