Objetivo é solucionar problemas que iam desde o acompanhamento do consumo dos veículos até a identificação de inconsistências e possíveis desvios de combustível

Com 24 anos de atuação no mercado de tecnologia, a goiana 7TEC Automação aposta na inteligência artificial para ampliar o controle sobre uma das despesas mais relevantes de empresas de transporte, agronegócio e outros segmentos que operam grandes frotas: o combustível.
A companhia investiu cerca de R$ 1,5 milhão no desenvolvimento do ÈPTÁ ONE, ferramenta criada para analisar dados de abastecimento e auxiliar gestores na tomada de decisões.
A tecnologia é uma evolução de um trabalho iniciado há mais de duas décadas. Segundo o CEO da empresa, Fabrício Francer, a 7TEC nasceu voltada ao desenvolvimento tecnológico e, ao longo de sua trajetória, recebeu a demanda para criar uma solução destinada a empresas que mantêm postos próprios de abastecimento dentro de suas estruturas.
Objetivo
O objetivo era solucionar problemas que iam desde o acompanhamento do consumo dos veículos até a identificação de inconsistências e possíveis desvios de combustível. A partir dessa necessidade, a empresa desenvolveu equipamentos e softwares capazes de acompanhar o abastecimento e integrar as informações aos sistemas utilizados pelos clientes.
“Essas empresas têm algumas dores em relação ao controle, para ter a certeza absoluta, por exemplo, de que esse diesel está indo para o próprio caminhão, para a própria máquina e não está sendo desviado”, explica Francer.
Do abastecimento à IA
Na prática, a operação começa com um equipamento conectado à bomba de combustível do cliente. A cada abastecimento, o sistema pode registrar informações sobre veículo, quantidade abastecida, quilometragem, horário, motorista e rota. Por ser conectado à internet, o equipamento envia os dados para a nuvem, formando um histórico da operação.
É justamente sobre essa base que atua o ÈPTÁ ONE. Em vez de exigir que o empresário analise diferentes relatórios para chegar a uma conclusão, a inteligência artificial cruza os dados acumulados e permite que o gestor faça perguntas sobre a própria operação.
“Ela tem acesso a todo esse banco de dados e a todo o histórico e conhecimento da nossa ferramenta, com expertise de 24 anos. Ela cruza os pontos centrais, os pontos comuns, os padrões das operações e entrega isso para o gestor”, afirma.
Entre as possibilidades estão identificar quais veículos apresentam melhor desempenho em determinada atividade, comparar consumo, avaliar motoristas, auxiliar no planejamento da manutenção e encontrar comportamentos fora do padrão. Segundo Francer, informações que antes exigiam cálculos e cruzamento manual de diferentes dados passam a ficar disponíveis de maneira mais direta.
“Até o nosso pessoal comercial fala que é o ‘ChatGPT do combustível’. Ela ajuda a comprar melhor o combustível, a entender o que está acontecendo com a operação e a buscar onde podem existir alguns gaps no controle”, resume.

Redução de custos
O lançamento ganha relevância especialmente pelo peso do combustível nas despesas das empresas. Conforme a 7TEC, o diesel pode figurar entre os principais custos de operações de transporte e do agronegócio, fazendo com que pequenas diferenças de consumo tenham reflexos importantes sobre as margens.
Para Francer, a principal contribuição da IA está na velocidade para transformar dados em decisões. Isso pode ocorrer, por exemplo, na escolha do melhor momento para negociar combustível, na comparação entre modelos de veículos ou na identificação de possíveis irregularidades no abastecimento.
“Quando você olha para a velocidade com que consegue tomar uma decisão, quando começa a pensar no apoio à compra de diesel antecipada e negociada, quando pode saber comprar melhor e quais são os melhores modelos por conta de desempenho, todas essas informações têm um impacto absurdo”, destaca o CEO.
A ferramenta também pode apontar situações em que exista possibilidade de desvio de combustível. Segundo o executivo, o sistema consegue analisar os padrões da operação e indicar onde podem estar ocorrendo inconsistências.
Investimento
O desenvolvimento da inteligência artificial recebeu investimento de aproximadamente R$ 1,5 milhão e, de acordo com a companhia, mobilizou uma equipe de 25 desenvolvedores durante cerca de um ano. Francer explica que o processo também contou com a participação de profissionais de gestão e clientes experientes em administração de frotas.
“A gente envolveu uma quantidade muito grande de profissionais gabaritados para discutir e falar sobre isso, não só profissionais de tecnologia, mas também profissionais da área de gestão. Usamos muita expertise dos nossos clientes. Os grandes gestores de frota que estão conosco foram parte desse processo de construção”, afirma.
Atualmente, a 7TEC está presente em todos os estados brasileiros, atendendo segmentos como agronegócio, transporte coletivo urbano e rodoviário, transporte de cargas, mineração e concreteiras. A empresa possui mais de 50 colaboradores diretos e estima já ter passado pela sua tecnologia mais de 200 milhões de litros de combustível automatizados.
A comercialização das soluções é customizada conforme a necessidade de cada operação. Atualmente, existem três níveis de contratação, desde um modelo mais básico de acompanhamento até a versão mais avançada, que incorpora a inteligência artificial e amplia a capacidade de análise dos dados.
Próximos passos
Para os próximos passos, a empresa pretende levar a mesma lógica de automação para outras atividades corporativas. A 7TEC já trabalha no desenvolvimento de soluções para processos financeiros, comerciais, administrativos e jurídicos, utilizando inteligência artificial e automação para reduzir tarefas manuais e diminuir a ocorrência de erros.
“Estamos focados em proporcionar circunstâncias que permitam que processos complexos se tornem mais simples, mais corriqueiros, e que a gente diminua drasticamente a incidência de erros”, afirma.