sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Empresa goiana atrai multinacional finlandesa e planeja expansão

Empresa goiana atrai multinacional finlandesa e planeja expansão

O IPM Educação começou com 4 alunos, prevê faturar R$ 205 milhões este ano e anuncia parceria com a finlandesa Polar

16 de outubro de 2026

Pedro Miranda (IPM Educação) e André Bandeira (Polar) : parceria com a Polar para ampliar a atuação   

O que começou com apenas quatro alunos em Goiânia, em 2019, transformou-se em um negócio com atuação nacional, mais de 4.500 aprovações em residência médica e expectativa de faturar R$ 205 milhões em 2026.

À frente do IPM Educação, o empresário Pedro Miranda aposta na combinação entre tecnologia, acompanhamento individualizado e inovação para sustentar o crescimento da empresa, que agora dá um novo passo com uma parceria de R$ 5 milhões com a multinacional finlandesa Polar.

O fundador e CEO da empresa revelou que o faturamento do IPM Educação passou de R$ 110 milhões em 2025 para uma projeção de R$ 205 milhões neste ano, o que representa um crescimento estimado de 86,4%. Os números se referem especificamente ao braço educacional do grupo, que também atua nos segmentos de pós-graduação médica e desenvolvimento de tecnologias.

O desempenho colocou a empresa entre os destaques do empreendedorismo brasileiro. Em 2025, o IPM Educação foi reconhecido pelo prêmio EXAME Negócios em Expansão como a empresa que mais cresceu na categoria de receita de até R$ 150 milhões.

Desafio

Para Pedro Miranda, o principal desafio ao longo dos últimos sete anos foi ampliar a operação sem comprometer a qualidade do serviço oferecido. Diferentemente de modelos tradicionais de ensino, a empresa estruturou seu crescimento na personalização da jornada de aprendizagem.

“O principal desafio nosso foi ganhar escala com qualidade. O que a gente vê no mercado da educação é um professor para 4 mil, 5 mil alunos, e não se leva em consideração a individualidade de cada aluno”, afirmou.

Segundo o empresário, a tecnologia foi determinante para transformar um acompanhamento inicialmente artesanal em um modelo capaz de atender milhares de estudantes. Atualmente, a instituição utiliza ferramentas de análise de dados e machine learning para identificar dificuldades, acompanhar resultados e adaptar os planos de estudo.

“Como que a gente vai trazer esse trabalho artesanal, entender aluno item por item, especificidade por especificidade, e ganhar escala com tecnologia? Não tem como escalar sem tecnologia”, destacou.

Crescimento

O avanço do IPM também se reflete na estrutura operacional. Atualmente, o grupo possui 164 colaboradores diretos e mais de 300 profissionais indiretos, incluindo professores e prestadores de serviços. Goiás responde por aproximadamente 30% do faturamento total da operação.

Em Goiânia, a empresa mantém sua estrutura educacional no Parque Amazônia, em um prédio de aproximadamente 5 mil metros quadrados, além de um centro administrativo de cerca de mil metros quadrados no Setor Bueno.

O grupo também possui operações presenciais em Brasília (DF), São Paulo (SP) e São José do Rio Preto (SP), além de atender estudantes de todos os estados brasileiros e de mais de cinco países.

Recursos próprios

Apesar da expansão acelerada, Pedro Miranda afirma que o crescimento foi financiado exclusivamente com recursos próprios, sem a entrada de investidores externos.

“Hoje, a gente não tem investidor externo, nada disso. Nós sempre crescemos com capital próprio, sem dívidas. Somos uma empresa geradora de caixa”, explicou.

O modelo de negócio, segundo ele, também se diferencia pela estratégia comercial. Em vez de concentrar investimentos em influenciadores digitais e campanhas publicitárias agressivas, a empresa aposta na recomendação dos próprios estudantes.

“Não temos influenciador, embaixador, marketing agressivo, nada disso. É boca a boca”, ressaltou.

Parceria

A mais recente aposta do IPM Educação para ampliar sua atuação envolve uma parceria com a Polar, multinacional finlandesa especializada em dispositivos de monitoramento fisiológico, tradicionalmente utilizados por atletas e praticantes de atividades físicas.

O projeto prevê um investimento de R$ 5 milhões no primeiro ano e permitirá que estudantes de medicina utilizem dados sobre qualidade do sono, frequência cardíaca e recuperação física para auxiliar na organização dos estudos.

A tecnologia será disponibilizada por meio do Polar Loop, uma pulseira inteligente sem tela que monitora continuamente indicadores fisiológicos. As informações poderão ser integradas ao IPM Track, plataforma desenvolvida pela própria empresa goiana para cruzar esses dados com o desempenho acadêmico dos alunos.

De acordo com ele, a aproximação com a multinacional começou há aproximadamente um ano, quando a equipe passou a pesquisar empresas capazes de fornecer informações fisiológicas com precisão e respaldo científico.

“Foi aí que a gente descobriu a Polar. Fizemos o primeiro contato por e-mail, chegamos a conversar, e a negociação avançou muito porque nós já conhecíamos a qualidade da Polar”, relatou.

Proposta

O empresário afirma que a proposta é tratar estudantes submetidos a uma rotina intensa de preparação como atletas de alto rendimento, considerando não apenas o tempo dedicado aos estudos, mas também as condições físicas que podem interferir no aprendizado.

Na prática, a plataforma poderá identificar tendências de queda na recuperação e permitir que os mentores avaliem a necessidade de ajustar a rotina de preparação.

A primeira etapa será direcionada aos estudantes da Mentoria IPM 2027. As pulseiras começarão a ser distribuídas em novembro deste ano, enquanto o acesso ao IPM Track está previsto para 12 de janeiro de 2027.

Grupo IPM e Polar vão distribuir 5 mil pulseiras para monitorar saúde de estudantes de medicina

O compartilhamento das informações fisiológicas será opcional, mediante autorização dos estudantes, e deverá seguir as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O dispositivo não realiza diagnósticos médicos.

Potencial de expansão

Para o CEO da Polar na América Latina, André Bandeira, a parceria representa uma oportunidade de levar a tecnologia de monitoramento fisiológico para além do universo esportivo e explorar novas aplicações no setor educacional.

Segundo o executivo, um dos fatores que despertaram o interesse da multinacional foi justamente o modelo de acompanhamento individualizado desenvolvido pelo IPM.

“Acho que o principal é a individualização. O produto vai gerar os dados fisiológicos do seu corpo, e não do meu irmão, do meu primo, do meu colega de sala”, explicou.

André Bandeira destacou que a possibilidade de combinar dados individuais de saúde com informações acadêmicas amplia o potencial de aplicação dos dispositivos inteligentes.

“Acho que é um diferencial competitivo. A geração de valor que você gera para o seu cliente, para o seu estudante, é gigantesca”, afirmou.

O executivo também ressaltou a capacidade de inovação de uma empresa fundada fora dos grandes centros empresariais brasileiros.

“Fico muito feliz de ver uma empresa brasileira, de Goiás ainda. É um nível de organização muito admirável mesmo, porque acho que tem um potencial de geração de valor gigante para o cliente”, declarou.

A expectativa da Polar é que a experiência sirva como referência para outras aplicações da tecnologia. Bandeira afirmou que a companhia pretende construir uma parceria duradoura com a instituição goiana, e não apenas realizar uma operação comercial pontual.

Personalização

O modelo de ensino do IPM Educação começa antes mesmo de o estudante iniciar as aulas. Ao ingressar na instituição, o aluno passa por cinco avaliações: perfil comportamental, perfil sócio emocional, procrastinação, perfil de aprendizagem e um simulado diagnóstico.

A partir dos resultados, a equipe desenvolve um planejamento individualizado, com orientações sobre horários, conteúdos, métodos de estudo e acompanhamento da evolução acadêmica.

Segundo Miranda, o objetivo é evitar que estudantes com diferentes níveis de conhecimento sejam submetidos à mesma metodologia.

“Imagine que uma preparação para uma prova, para uma residência médica, para um Enem, é uma maratona de 42 quilômetros. Só que a grande diferença é que cada aluno começa em um quilômetro diferente”, comparou.

O acompanhamento também prevê reuniões individuais e ajustes periódicos no cronograma, conforme as dificuldades e o desempenho de cada estudante.

Para o empresário, esse modelo contribuiu para a expansão da companhia e para a redução da evasão, embora não tenha apresentado índices específicos durante a entrevista.

Novos mercados

A parceria com a Polar também faz parte de uma estratégia mais ampla de diversificação das atividades do Grupo IPM. Além de ampliar a presença no ensino médico, a empresa pretende transformar tecnologias desenvolvidas internamente em soluções comerciais para outras instituições.

Miranda confirmou que existe a possibilidade de o IPM Track se tornar, futuramente, um produto independente, oferecido a outras organizações educacionais.

“Neste primeiro momento, vai ser 100% direcionado e realizado para os nossos alunos. E aí a gente vai continuar as tratativas. Quem sabe isso vira um produto específico para a educação”, afirmou.

Outra frente de expansão envolve o mercado B2B, modelo em que empresas comercializam produtos e serviços diretamente para outras organizações. A intenção é aproveitar o conhecimento tecnológico acumulado pelo grupo para desenvolver novas fontes de receita.

O empresário também mencionou planos de ampliação da presença física da instituição no Brasil, com horizonte de três anos, embora não tenha detalhado o cronograma de inaugurações.

A estratégia representa uma mudança importante na trajetória do negócio, que nasceu como um curso preparatório e passou a reunir mais de 20 produtos nas áreas de residência médica, provas de título, pós-graduação e tecnologia.

Para Pedro Miranda, o desafio dos próximos anos será manter o ritmo de expansão sem abandonar a proposta que deu origem à empresa: oferecer um acompanhamento individualizado, mesmo diante de uma operação cada vez maior.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Não será publicado.